Flamengo: poucos destaques em uma noite de reservas.

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Alejandro DOnatti cabeceando durante Flamengo x América-MG – Foto: Staff Images

ESPN
FC:
Por João Luis Jr.

Era
uma partida tão alternativa que fiquei surpreso de não terem substituído o hino
nacional antes da partida por um rapaz barbudo tocando covers de Pixies num
ukulele e cada torcedor contribuiria com o que quisesse porque o rapaz tava
querendo lançar o primeiro disco autoral dele na internet.
Diante
de um América-MG misto, se poupando para a partida do fim de semana do
estadual, o Flamengo entrou com 9 reservas, não apenas para descansar os
titulares, como também para permitir que Zé Ricardo fizesse algumas observações
e avaliasse jogadores que ainda não tiveram oportunidades nesse ano. E, claro,
pudesse colocar em campo novamente o Márcio Araújo, porque tá aí um cara que
ainda não vimos jogar o bastante, tem que dar mais tempo, certamente vai
aumentar de potencial.
E
ainda que Márcio tenha sido um dos destaques da partida – é inegável a sensação
em alguns momentos de que ele está em todas as partes do campo, como, se você
esquecer de levar a toalha pro banho, vai ser Márcio Araújo que vai aparecer
correndo, entregar a toalha pra você, dar um passe pro lado usando seu shampoo
e ir embora -, alguns jogadores claramente usaram a oportunidade melhor do que
outros.
Berrío
vem cada vez mais mostrando que pode ser aquilo que esperávamos que Cirino
fosse, aquele atacante de lado de campo que atua com intensidade e velocidade,
além de um bônus que Cirino nunca teve, que é o de ter a compleição física de
um personagem de jogo de videogame de luta. Ontem o colombiano deu passe pra um
gol, inverteu seu lado em campo, voltou pra fechar o corredor e deu cada
ombrada nos jogadores do América que eu sinceramente teria chamado a minha mãe
se estivesse no lugar deles. Tudo isso em apenas 45 minutos em campo.
Outro
que conseguiu melhorar a impressão deixada foi Donatti, que vem tentando apagar
a péssima imagem que aquele lamentável escorregão contra o Figueirense criou e
mostrar que não apenas consegue ficar de pé sozinho – requisito um tanto quanto
básico no futebol –, como também não é o zagueiro absolutamente lento que chegamos
a imaginar que fosse. Ainda não tem minha confiança, mas fica claro que existe
mais ali do que vimos até agora.
Ainda
que seja injusto avaliar Renê com base em apenas uma partida, ficou nítico que
ele não representa por enquanto ameaça para a titularidade de Trauco, ficando
talvez mais no “nível Leandro Damião” de jogador que vem de fora para suprir
uma necessidade que talvez alguém da base já conseguisse dar conta. Tem
disposição, tem vontade, é decente na marcação, mas não ofereceu nada de novo e
nem teve algum lampejo que justificasse grandes animações com sua chegada.
No
mais, são todos velhos conhecidos da torcida. Juan segue o zagueiro clássico
que eventualmente acerta um lançamento de 30 metros, Rodinei é o nosso lateral
corrida maluca, Cuellar ainda sem mostrar nada de diferente além do fato de ser
ruivo. Gabriel segue sua rotina de jogar o bastante pra que a gente pense
“rapaz, será que não merece uma chance o Gabriel?” apenas pra alguns jogos
depois soltar um “porra, Gabriel!!”, e Adryan me dá cada dia mais certeza de
que um dia vai estourar, mas vai ser daqui a 20 anos, pelo time de showbol do
Flamengo.
Domingo
temos mais uma partida mais ou menos protocolar, dessa vez contra o Madureira,
em que um empate garante ao Flamengo a liderança de seu grupo no Campeonato
Carioca. Zé Ricardo já ventilou a possibilidade de usar um time misto ou
reserva, então, ainda que eu espere com isso ver em campo Vizeu, Paquetá,
Ronaldo, Léo Duarte, quem sabe Cafu, é bom todos nós já estarmos preparados pra
mais uma atuação de Márcio Araújo. Se você olhar pro lado, vai ver que ele até
já está correndo, sorridente, em volta da sua mesa.

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