Fluminense é o primeiro time a encher os olhos no Brasil em 2017.

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ANDRÉ
ROCHA
: Santos e São Paulo fizeram um jogaço na Vila Belmiro. O Palmeiras, ao
menos em tese, formou o elenco mais forte do país – talvez do continente – e
sinaliza recuperação. Flamengo e Cruzeiro têm 100% de aproveitamento na temporada.
Mas
nenhum time nesta pequena amostragem de 2017 no Brasil jogou um futebol tão bom
e bonito quanto o Fluminense de Abel Braga. Nem tanto pelas seis vitórias e
apenas a derrota com time praticamente reserva para o Internacional pela
Primeira Liga.
Os 19
gols marcados e cinco sofridos também dizem pouco, até porque a fragilidade dos
adversários, incluindo o Vasco na estreia do Carioca, não pode ser descartada
na análise. O que enche os olhos é a qualidade, a fluidez e o volume de jogo do
tricolor. Tirando todas as camadas de técnica, tática e estratégia, a verdade
do campo diz que o Flu está jogando fácil.
Principalmente
quando o quarteto Gustavo Scarpa-Sornoza-Douglas-Wellington Silva entra em ação
com mobilidade, sintonia, inteligência na ocupação dos espaços que também pode
incluir Henrique Dourado.
O
menos técnico dos cinco da frente neste 4-1-4-1 que varia conforme o movimento
de Douglas mais próximo do volante Orejuela para o 4-2-3-1 procura abrir
espaços, participar das combinações como pivô e aparecer na área para
finalizar. Já são seis gols de Dourado, quatro pelo Carioca e dois nos 5 a 2
sobre o Globo pela primeira fase da Copa do Brasil.
A
combinação de características é a chave para um entendimento tão rápido.
Gustavo Scarpa e o equatoriano Sornoza são meias que passam, se deslocam e
finalizam. Funcionam no centro e também no flanco. Douglas tem senso de
organização e boa finalização de média/longa distância. Já Wellington Silva é o
contraponto mais agudo, rápido e driblador, procura as diagonais. Dourado
complementa com força física e simplicidade na área adversária.
Os
laterais também colaboram na construção dos ataques com velocidade, abrindo o
jogo e buscando o fundo. Léo à esquerda e, principalmente, o redivivo Lucas.
Pela direita, o ex-Botafogo que não vingou em Palmeiras e Cruzeiro aproveita o
corredor deixado pelo canhoto Gustavo Scarpa. Quando Wellington cai no setor
formam uma dupla de intensidade e rapidez.
Abel
Braga fala em praticamente todas as suas entrevistas sobre caráter e respeito
às três cores do clube. Quem conhece o treinador sabe que o controle do
vestiário é sua prioridade na gestão e ele não aceita menos que 100% de
entrega. Mas o maior mérito até aqui é estimular o jogo ofensivo, a pressão no
campo de ataque e não reprimir a beleza das jogadas que saem com naturalidade.
É
óbvio que falta um teste mais consistente para avaliar as reais possibilidades
na temporada. Pode vir na sequência da Primeira Liga ou no Carioca contra
Flamengo e Botafogo. Interessante para observar se as ações de ataque conseguem
manter o alto nível e se há evolução no sistema defensivo que tem falhas na
compactação e no jogo aéreo.
Mas se
futebol é momento, entre os grandes brasileiros o único que já desperta prazer
de ir ao estádio ou ligar a TV para ver jogar é o Fluminense.
A variação de 4-1-4-1 para 4-2-3-1 do Fluminense de Abel Braga, de acordo com o posicionamento de Douglas no meio-campo. Tricolor é envolvente pela combinação de características do quinteto ofensivo, mais as descidas dos laterais. A proposta de jogo é ofensiva e o volume de jogo chama atenção neste início de temporada (Tactical Pad).

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