GEPE promete escolta às torcidas de Flamengo e Vasco.

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Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com

GLOBO
ESPORTE
: A segurança é a bola da vez na semifinal do Campeonato Carioca entre
Vasco e Flamengo, marcada, enfim, para sábado, às 17h, em Volta Redonda. E a
selvageria entre torcidas já manchou a história dos clássicos na Cidade do Aço.
Em 2005, um torcedor do Botafogo foi morto na estrada no caminho entre o Rio e
estádio. Apesar de medidas adicionas de segurança que foram tomadas ao longo
dos anos depois desse episódio, a ameaça de grupos que vão ao estádio com
objetivos criminosos continua presente.

Uma
reunião entre autoridades de Volta Redonda, Ferj e polícia, nesta quinta-feira,
às 9h, definirá as diretrizes de segurança e logística da semifinal.
A
possibilidade de confrontos no trajeto até Volta Redonda é uma das principais
preocupações das autoridades para a realização da semifinal. Por isso, o
Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) tomará medidas
preventivas para a partida. O comandante do Gepe, major Silvio Luiz, reconhece
que grupos de “marginais” que não obedecem aos horários estipulados
para a escolta sempre são ameaça.
–  (A solução é) Escoltar as torcidas, tanto é
que isso não se repetiu desde 2005, já são mais de 10 anos. A escolta das
torcidas foi criada mais para frente. O Gepe só trabalhava na parte interna do
estádio. Mas é lógico que se grupos de marginais que se infiltram em torcidas organizadas
resolverem não cumprir os horários estabelecidos pelo Gepe, os locais de
concentração, e tentarem ir para a estrada fora desses horários…Lógico que
isso pode acontecer. Mas agora o policiamento está passando por ali, faz a
escolta, faz uma preventiva, vai na frente, para verificar se não tem outro
grupo aguardando, tem todo um trabalho de prevenção que evita que isso volte a
acontecer – explicou o comandante.
O
major Silvio Luiz confirmou que a segurança interna do Raulino de Oliveira e
escolta de organizadas serão garantidas pela unidade especializada. O
GloboEsporte.com apurou que a Polícia Militar do RJ enviará efetivo de 100
homens para o interior do estádio e viaturas do Batalhão de Choque com 40
homens para atuar na área externa e escolta. Há a possibilidade de ser acionada
a tropa de cavalaria..
Em 2005, morte com golpes de foice na
estrada
Em
2005, o mesmo Flamengo x Botafogo que terminou em caos e morte no Engenhão no
dia 12 deste mês e motivou a Justiça a impor torcida única no Rio de Janeiro –
decisão suspensa para a semifinal em acordo homologado nesta quarta no Tribunal
de Justiça -, foi pretexto para mais uma tragédia no futebol do estado. Na
ocasião, o soldado do Exército e botafoguense Rhafick Tavares da Silva Cancio,
de 20 anos, foi morto a golpes de foice em um confronto de torcidas. O
assassinato ocorreu longe do estádio, na Serra das Araras, na estrada.
No dia
6 de novembro de 2005, um ônibus com alvinegros que não conseguiram entrar no
Raulino de Oliveira – onde o Flamengo derrotou o Botafogo por 3 a 1 – teve um
pneu furado. O grupo acabou emboscado por torcedores rivais que estavam na
estrada, e Rakif foi brutalmente assassinado.
O
torcedor do Flamengo Jéferson do Carmo Melchiades Vieira, o China, foi preso em
2006, na Lapa, no Rio, e, em julho de 2007, foi condenado a 15 anos de prisão
pelo assassinato. Ele seria condenado a 12 anos, mas teve a pena aumentada
porque estava em liberdade condicional depois de cumprir parte de pena por
roubo à mão armada.
O caso
teve grande repercussão na época, e não havia ainda a escolta específica dos
grupos de torcida organizada.
Outro caso recente
Apesar
de fatos semelhantes não terem acontecido no trajeto entre Rio de Janeiro e
Volta Redonda, outros casos recentes mostram que a brutalidade pouco tem a ver
com o jogo em questão e dão a dimensão do nível de animosidade entre as
torcidas dos clubes que estarão em campo no próximo sábado. No dia 21 de
novembro de 2016, um torcedor que voltava de um jogo entre Flamengo e Coritiba
no Maracanã foi espancado até a morte em Realengo.
De
acordo com familiares da vítima ouvidas em reportagem publicada pelo G1, Paulo
Vítor Braga Araújo, de 29 anos, era membro de torcida organizada, mas não se
envolvia em rixas. O tio da vítima contou ter ouvido relatos de que dois homens
com um taco de beisebol e um pedaço de madeira com prego espancaram Paulo
Vítor, que não resistiu, e outro rapaz quando desciam na estação de trem do
bairro da Zona Norte. A polícia ainda busca os responsáveis.  

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