Globo ofereceu um quarto da cota do Madureira pelo Atletiba.

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Foto: GERALDO BUBNIAK/GAZETA PRESS

RODRIGO
MATTOS
: A origem da confusão que gerou o cancelamento do clássico Atletiba foi
o fato de os dois grandes do Paraná terem se recusado a assinar um contrato com
a Globo pelo Estadual. Isso ocorreu porque a oferta da emissora foi de R$ 1
milhão de cota para cada um de Atlético-PR e Coritiba. Entre outros times de
menor expressão, o Madureira ganha R$ 4 milhões líquidos pelo Estadual do Rio.

A
negociação do contrato ocorreu em janeiro de 2017. A Globo ofereceu um total de
R$ 6 milhões pelo contrato do Paranaense, sendo um terço para os dois grandes
clubes. Quando Coritiba e Atlético-PR recusaram, a Globo fechou o restante do
Paranaense com os outros dez times por R$ 4 milhões.
”Sei
que o Carioca é um campeonato que vale mais do que o Paranaense. Mas se você
for ver é 1/20 em relação ao valor do Carioca”, comentou o presidente do
Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, ao ser informado
que o contrato do Estadual do Rio de Janeiro vale R$ 120 milhões.
Por
meio de arbitral, a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) é
quem decide a distribuição das cotas do Rio de Janeiro. Esta destinou cotas de
R$ 4,5 milhões brutos (R$ 4 milhões líquidos) para os quatro clubes mais bem
posicionados depois dos grandes no Estadual de 2016, Boavista, Bangu, Madureira
e Volta Redonda. Cada um levará esse valor como cota, e todos são aliados da
Ferj.
Depois
de recusar a oferta da Globo, Atlético-PR e Coritiba procuraram alternativas
para arrecadar mais com o Paranaense. ”Tentamos fazer um sistema de
pay-per-view para os nossos sócios. Pensamos em fazer uma concorrência para a
TV Fechada que tivesse Sportv, Esporte Interativo. Foi negociado um acordo com
a Record para a TV Aberta”, explicou Petraglia.
Mas,
ao mesmo tempo que os clubes traçavam a estratégia, a Globo fechou um acordo
com a federação paranaense sem avisar para os direitos dos outros dez clubes.
Na prática, isso inviabilizava qualquer projeto dos dois grandes visto que eles
só teriam direito a um jogo, Atlético-PR e Coritiba.  ”Ficamos impedidos de vender a maioria dos
jogos do Estadual.”
Pela
legislação brasileira, os clubes têm a prerrogativa de negociar seus direitos
de imagens. Só é possível transmitir uma partida se houver contrato ou
autorização dos dois times. Restava assim o Atletiba, jogo de maior valor do
Estadual.
A
versão da Globo é de que ela tentou viabilizar a transmissão de um campeonato
paranaense sem os dois grandes. Tanto que tem transmitido em TV Aberta os
jogos. A argumentação da emissora é de ser normal uma das partes não aceitar um
acordo, e tentar vender de outra forma seus direitos.
Petraglia,
no entanto, reclama do modelo. ”Não temos que negociar pela federação. Estamos
querendo fazer a negociação diretamente pelos clubes. Porque eu teria de
negociar para pagar comissão para a federação?”, argumentou o dirigente
atleticano. Pela legislação brasileira, a federação paranaense não tem nenhum
direito sobre o direito de televisionamento dos clubes.
Petraglia
não sabe qual o desenrolar do imbróglio jurídico iniciado com a não realização
do clássico. A dupla Atletiba pretende levar o caso ao tribunal de justiça
desportiva do Paraná, e depois recorrer ao STJD (Superior Tribunal de Justiça
Desportiva) se perderem. Em reunião na CBF, nesta segunda, o presidente do
Coritiba, Rogério Barcelar, deve levar a questão à a confederação.
Ao
lembrar da proibição de realizar a transmissão, Petraglia dá uma definição
sobre a justificativa da federação paranaense de que os profissionais da
transmissão não estavam credenciados: ”É ridículo.”

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