Hooliganismo de gravata.

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Foto: Divulgação

FALANDO DE FLAMENGO: Por Sorín

Em
meio aos 700 debates sobre se o Jogo de Torcida Única resolve o problema da
violência e é capaz de trazer a paz ao Oriente Médio. No fervilhar de toda a
bulha sobre a (des)organização da semifinal do Carioqueta, que nem está tão
bagunçada assim, afinal só não se sabe direito como (com que torcida), onde
(talvez Juiz de Fora) e com quem (se o Vasco joga ou não) será disputada a
partida, rolou uma reunião na FERJ e a turma do hooliganismo de gravata saiu de
lá com a tabela do Brasileirão de #201SETE (já posso sentir o cheiro) esboçada.
Causa
até surpresa que esse povo consiga se reunir e organizar alguma coisa. Tudo bem
que a gente sabe que esse esboço não vale de muito se o objetivo for realmente
saber quando o seu time vai jogar, já que todo ano, quem freqüenta o site da
segunda entidade máxima do futebol tupiniquim (a primeira é o Eurico) sabe
muito bem que rola uma enxurrada de asteriscos durante toda a temporada. O
estagiário que cuida da planilha deve dar plantão 24 horas no gabinete. É um
tal de “a partida x foi transferida para o dia tal; a partida y, que havia sido
adiada na planilha anterior, volta para sua data original, porém não se sabe
onde; a partida z talvez não seja realizada, mas na verdade a gente ainda não
sabe direito…” E por aí vai.
Enquanto
a tal “tabela básica” saiu e todos nós ficamos nos deleitando. Lendo, relendo e
já começando a traçar nossas projeções infalíveis e matematicamente eficazes de
conquistar logo uns 20 pontos nas três primeiras rodadas pra garantir o título
com umas 42 semanas de antecedência, dois detalhes chamaram atenção nas
decisões tomadas em tal reunião.
Em
2018 não pode ter campo de grama sintética. Ahnnnn!!!??? Eu fico imaginando na
hora que alguém levantou a voz e colocou essa proposta em votação. Mais que
isso, gostaria muito de ver a cara do representante do Atlético Paranaense
nessa hora. Era papo do sujeito levantar, dar um porradão na mesa e gritar:
“Isso aí é comigo? Qual foi?”. É uma cara de pau das mais talhadas em madeira
que já se viu. Pô… Não precisa ir muito longe. No ano passado o “gramado” da
Arena da Ilha, então administrada pelo Botafogo, foi alvo de duras críticas
vindas de atletas de tudo quanto é time. Por algumas colocações, a sensação de
quem jogava lá era que a disputa se dava em um pântano ou similar. E isso pode?
Se alguém não cuidar do gramado e o treco for que nem a lua pode?
A
outra medida, que afeta diretamente o Flamengo, é sobre o veto da venda de
mandos de campo para fora do estado domiciliar do clube. Tudo bem que a Smurfada
perde o freio total nessa questão, e seria capaz de vender a Ceia de Natal da
família para o Oiapoque e ainda mudar a data do nascimento de Cristo se o saco
de dinheiro fosse vistoso. Mas daí seria a hora do Tio Bandeira levantar,
esmurrar o proponente e gritar um sonoro “Epa… Caudiquê a implicância com as
minhas planilhas?”
O
bagulho vai ser um golpe duro nas projeções financeiras tendo em vista a
conquista do Itauzão de #201SETE… Crááááássss…. Crááááássss… Um instante. “Xeu”
varrer esses cacos que me arrebentaram as vidraças do Boteco outra vez. Eh, eh,
eh… Agora sem brincadeira. Será que esse povo não pode ter um mínimo de
parcimônia na porra da vida? Ou pode fazer o que quiser e fazer o campeonato
virar uma balbúrdia de mudanças, rasgando o Estatuto (ahahahaha) do Torcedor
dia sim e o outro também, ou tem que radicalizar e engessar o troço todo?
Não
dava mesmo pra estabelecer um limite de… Sei lá… Uns três “vendáveis” por
agremiação e que deveriam ser programados com antecedência mínima de uns 40
dias antes da partida? Democratizava o campeonato para os torcedores que moram
longe das principais praças de disputa, tornava os tais jogos até mais
atraentes no quesito bilheteria, por não haver um excesso de vendas (perdão,
Smurfada), os clubes grandes poderiam fazer com racionalidade ações para bombar
os tais planos ST nos estados escolhidos… E me parece que todos sairiam
ganhando.
Mas
não dá, né? A CBF acha que torna o Campeonato Brasileiro mais pomposo com
medidas tipo aquela do protocolo de entrada em campo com a droga da musiquinha
insuportável no último volume; permitindo que os estados decretem Jogo de
Torcida Única, e outras ações/concessões “jeniais” desse naipe.
Já que
vale tudo… Tio Bandeira podia ter entrado de sola e dizer que não achava legal
pra competição contar com clubes rebaixados 
duas ou mais vezes. Eh, eh, eh… Só pra espezinhar o Euricão da Massa e
deixar o cara dar os faniquitos contumazes. Ou então fazer uma proposta de que
alguns times (não quero citar nomes) que não pagaram descensos para séries
subalternas do futebol tupiniquim fossem impedidos de disputar a Série A. Vai
que cola…

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