Isso não é punição.

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Foto: Divulgação

FALANDO DE FLAMENGO: Por Marcella Mello

Hoje
eu preferia escrever sobre um pós jogo, mas diante da partida morna de ontem,
apesar da classificação, eu optei por falar sobre um tema que vem me
incomodando ultimamente.
Torcida
única. O Futebol é um esporte nacional e desde sempre somos referência no
assunto. Exportamos o que temos de melhor para o mundo. O futebol é e sempre
foi nosso de raiz. Ver a mácula que se forma nas notícias pelo mundo quando o
tema é o futebol Brasileiro é um retrocesso.
Falamos
tanto na modernização do futebol, no novo momento, no aumento do ticket médio
dos ingressos, na mudança de público, em novas arenas, e tantos outros
indicadores que nos mostram a nova realidade, e estamos debatendo sobre
violência e torcida única?
Não me
parece coerente. Estamos agindo de maneira ultrapassada e direcionando a culpa
de maneira equivocada.
Se
temos pessoas violentas no ambiente do futebol, e culpa não é do futebol. Isso
já foi debatido lá atrás nos anos 80 e 90, quando grandes tragédias aconteceram
com torcidas em estádios ultrapassados em várias partes do mundo. Tudo isso foi
analisado e o assunto muito debatido.
A
Inglaterra que é um grande exemplo a ser lembrado quando se fala em violência
em estádios, e uma forte atuação foi providencial para resolver a causa na
raiz.  Em um grande trabalho realizado
foi identificado que era necessário mudar a qualidade de instalações e acomodações,
e isso foi feito. Todos os estádios foram modernizados, e isso já é realidade
no mundo inteiro. Mas além disso uma politica preventiva de violência foi
implementada, torcedores violentos são identificados e retirados de estádios.
São banidos. É preciso mapear essas pessoas que estão lá com outro propósito
que não é acompanhar o espetáculo. É preciso ter um trabalho de parceria entre
clubes e secretaria de segurança, com objetivo de identificar e tirar do mapa
do futebol, aqueles que ali estão para vandalizar.
O
mesmo cidadão violento que atua desta forma no entorno dos estádios, certamente
leva uma vida nos mesmos moldes. Então o problema não está no futebol. Apontar
para politica de torcida única como solução, é levantar a bandeira de
incapacidade de lidar com a violência que é questão de segurança pública.
Os
clássicos são a tradição no futebol, é o que move e fomenta a paixão de
torcedores no mundo inteiro. E além disso, proibir que torcedores adversários
se encontrem dentro do estádio, não inibe que a violência aconteça nos
arredores. Vai acontecer.
O grande
problema no Brasil é a certeza da impunidade aliada a penas ridículas previstas
no Estatuto do Torcedor. Assistimos cenas lamentáveis de guerra onde marginais
atuam e saem sem culpa no cartório. Isso não quer dizer que em outros lugares
não aconteça, acontece também, com a diferença que a lei é aplicada e os
culpados punidos.
De que
adianta dizer que baniu a torcida “x” ou “y” do estádio? Se os membros e
fundadores mudam sua bandeira e seguem firme no seu propósito de violência?
Isso
não é punição. É uma medida inócua.
Temos
que nos unir, torcedores, clubes, e sociedade no geral, e cobrar dos
governantes e Federações medidas de segurança que funcionem, cobrar leis duras
e seu cumprimento de fato. A violência no futebol, é a mesma violência que
existe no dia a dia e tem que ser combatida.
Acabar
com o espetáculo não põe fim à violência. Essa medida é interessante somente
para aquele que por falta de competência não consegue administrar a segurança
da população. O cara violento que causa confusão em estádios e arredores, este
não é torcedor, este é bandido, e bandido é de responsabilidade da secretaria
de segurança.
Do
jeito que caminhamos, o torcedor está fadado a ser refém do sofá, da televisão
e do bom e velho rádio. É o fim do futebol.

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