Na Coreia, Diego Maurício relembra vida no Flamengo.

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Diego Maurício comemorando gol pelo Flamengo – Foto: Alex Carvalho

ESPN: Começar
uma carreira no futebol profissional não é nada fácil. Ainda mais quando você
logo de cara tem a missão de substituir um grande ídolo do Flamengo. Em 2010,
Diego Maurício viveu essa situação no Campeonato Brasileiro em pleno Maracanã.

Ele
estava para viajar com a equipe de juniores para a Taça BH quando Adriano
Imperador sentiu uma lesão durante aquela semana e ficou de fora do jogo contra
o Grêmio Prudente.
“Como
era destaque da base fui chamado às pressas para compor elenco. Ia ficar no
banco e viajar para Minas Gerais na segunda-feira”, disse o atacante,
atualmente no Gangwon, da Coreia do Sul, ao ESPN.com.br.
Os
planos do garoto não se realizaram, mas pelo melhor dos motivos. O duelo estava
empatado, quando o técnico Rogério Lourenço colocou Diego Maurício para jogar. 

“Eu sofri um pênalti e dei um passe para o gol. Ganhamos do Grêmio
Prudente no Maracanã por 3 a 1”.

“Fui
para o vestiário todo receoso e perguntei quando iria para Taça BH. Mas o
diretor Isaias Tinoco me falou: ‘Diego, esquece. Você virou profissional e não
desce mais aos juniores’. Fiquei feliz demais depois disso”.
Com a
atuação, ele ganhou espaço no elenco rubro-negro, sendo escalado pelo técnico
Vanderlei Luxemburgo na reta final do Nacional, ajudando o Flamengo a escapar
do rebaixamento.
Foi
neste período que o jovem ganhou o apelido que o acompanha até hoje.
“Essa
história do Drogbinha surgiu pela semelhança que tinha na estatura e cabelo
parecido com o Drogba. Sempre pedi para as pessoas pararem com isso, mas falam
até hoje. Não tem como tirar. Queria jogar 10% do que ele jogava que estava bom
(risos). Foi entre os amigos que começaram a me chamar assim e a torcida
abraçou”.
No ano
seguinte, o atacante viveria seu momento mais feliz com o Flamengo entrando
novamente na vaga de um grande nome do futebol. Ele foi decisivo na semifinal
da Taça Rio contra o Fluminense, quando as equipes empataram por 1 a 1 no tempo
normal.
“Eu
substitui o Ronaldinho Gaúcho que estava suspenso. A gente fez um grande jogo e
vencemos nos pênaltis. Eu fui o último batedor. Classificamos para final e
fomos campeões invictos”.
“Eu
tenho o Ronaldinho como um amigo e um cara super do bem. Um cara que sempre foi
meu ídolo e joguei junto. É um craque mundial. Além disso, uma pessoa do bem e
espetacular. Respeita muito o próximo”.
“A
responsabilidade no Flamengo já vem quando você começa a vestir esse manto.
Consegui jogar lá e foi demais”.
Seleção e volta ao mundo
Diego
Mauricio começou no futebol em um clube do bairro Marechal Miranda, no Rio de
Janeiro. Depois de passar seis meses no Vasco, ele foi para o Flamengo, aos
nove anos.
Destaque
nas categorias de base da Gávea, o garoto enfrentou várias dificuldades para
conseguir vencer no futebol.
“Às
vezes tinha que pedir para o motorista para passar por baixo da catraca do ônibus
para poder ir treinar. São coisas que te ajudam a progredir. Hoje, com uma
situação melhor e a família bem a gente lembra disso. Não podemos nunca nos
esquecer de onde viemos”.
Com as
boas atuações pelo clube rubro-negro, o atacante serviu a seleção brasileira
sub-17 e sub-20, quando foi campeão do Sul-Americano de 2011.
“Eu
nem esperava. Primeiro, a gente sonha em chegar ao profissional, dar uma vida
melhor para nossa família. Quando vem a seleção é bom demais”.
“No
Sul-Americano Sub-20 contra o Uruguai algumas pessoas da CBF nos prometeram que
se fossemos campões cada um ia ganhar um carro zero. A gente entrou mais
motivado ainda (risos). Depois de umas semanas nos ganhamos”.
Após
ser vendido para o Alania (Rússia), em 2013, ele passou por Sport, Vitória de
Setúbal, Bragantino, Al-Qadisiya (Emirados Árabes Unidos) e Shijiazhuang Ever
Bright (China).
“As
maiores dificuldades que tive foram com a adaptação. Vivi a vida toda no
Flamengo e no Rio de Janeiro e foi difícil ir para outros lugares. Tive que
aprender outras culturas, línguas e maneira de encarar a vida, mas graças a
deus coisas deram certo”.
Neste
ano, Diego Maurício acertou com o Gangwon, da Coreia do Sul. O jogador revelado
pelo Flamengo espera fazer muitos gols pelo novo clube.
“Estou
aprendendo. É uma nova equipe. A cultura é bem diferente, mas estou aprendendo.
Já me acostumei com fuso-horário porque joguei na China”.
“Foi
um povo que me recebeu muito bem. Não tenho dúvida que posso fazer um grande
ano por aqui. Ainda vou descobrir umas coisas desse pais, outro país asiático.
Vai ser muito bom para mim”.

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