“O Flamengo é o maior time do mundo”, afirma Gamarra.

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Gamarra, ex-zagueiro do Flamengo – Foto: FABIAN GREDILLAS/AFP/Getty Images

UOL: O
ex-zagueiro paraguaio Gamarra deixou sua marca no futebol brasileiro na virada
do século passado, quando defendeu alguns dos clubes mais populares do país –
Corinthians, Flamengo, Palmeiras e Interacional.

Aos 46
anos, ele é hoje supervisor de futebol do Rubio Ñu, um time da primeira divisão
paraguaia, e lembrou em entrevista ao UOL Esporte do período em que viveu no
Rio de Janeiro e testemunhou a administração caótica do rubro-negro da época.
“O
Flamengo é o maior time do mundo, só que a diretoria naquela época era muito
ruim”, disse por telefone o ex-atleta, que conquistou a Copa dos Campeões
e o Campeonato Carioca de 2001. “Tinha briga com todo o mundo, tinha
funcionário que a gente precisava levar um trocado pra voltar de novo no dia
seguinte para trabalhar. Muitos não tinham dinheiro para comprar o boleto da
lotação. Mas é um time grande que tem uma torcida belíssima, então foi uma
experiência muito boa.”
Eleito
o melhor zagueiro da Copa do Mundo de 1998, quando passou o torneio inteiro,
quatro jogos, 383 minutos sem fazer faltas, e campeão brasileiro com o
Corinthians, Gamarra se transferiu ao Atlético de Madri, mas não conseguiu
repetir o sucesso.
Apesar
de lembrar com saudade de seu tempo na capital paulista, Gamarra diz não ter se
arrependido da aventura na Europa – ele já tinha jogado em Portugal antes.
“Eu
nunca me arrependo das decisões que tomo. Achei que era o momento de sair de
novo e ir jogar na Europa. Fiquei com muita saudade porque não é fácil jogar,
ganhar os títulos e ir embora. O Corinthians estava bem organizado,
arrumadinho, era um bom time, mas eu já tinha firmado o compromisso. Era bom
para o Corinthians e bom pra mim.”
Dono
de uma técnica apurada para um zagueiro, Gamarra sempre disse que o segredo
para o sucesso era o bom posicionamento. Mas o que pouca gente suspeita é que o
paraguaio começou sua carreira jogando de volante. O responsável pela mudança
para a posição que o consagraria foi o técnico Paulo Cesar Carpegiani, que
treinou o Cerro Porteño quando Gamarra ainda era uma promessa das categorias de
base.
Procurado
pela reportagem, Carpegiani disse que percebeu naquele volante
“loirinho” todas as qualidades de um ótimo zagueiro.
“Como
volante, o Gamarra me chamou atenção”, disse o treinador. “Tinha
disposição muito grande, mas não tinha a dinâmica de meia. Acabei recuando-o
pra zaga porque eu via característica de recuperação de posse de bola, tempo de
bola, sem fazer falta…  um jogador
clássico. Tinha velocidade também. Depois que abria a passagem, ele era
imbatível. A partir dai ele não voltou para o meio campo, ficou como zagueiro
definitivo.”
Depois
do Corinthians e do Flamengo, Gamarra se transferiu para o Palmeiras, não sem
antes consultar a diretoria alvinegra sobre a possibilidade de voltar ao Parque
São Jorge.
“Eu
tinha conversado com o pessoal do Corinthians, mas nessa época o Corinthians
não precisava de zagueiro. Como não tinha vaga, o Palmeiras estava interessado
e eu não queria ficar parado, resolvi ir”, disse ele. No Parque Antártica,
Gamarra também não conseguiu repetir os mesmos resultados que teve no
arquirrival, embora individualmente tenha sido, aos 34 anos, um dos destaques
de um elenco limitado.
Com
sua ajuda, o Palmeiras conseguiu ficar em quarto lugar no Brasileiro de 2005 e
garantir classificação à Libertadores. “Foi uma época não tão brilhante
para o Palmeiras, mas eu joguei todas as partidas muito bem, então pra mim foi
bom”, disse ele.

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