O mais puro Imperador.

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Adriano Imperador em sua apresentação no Flamengo – Foto: Alex Carvalho

RICA
PERRONE:
Hoje é dia de verdade. Dia de subir o morro pra encontrar quem cresceu
comigo. Dia de meter gol no rival e mostrar os músculos pra mais tarde. Dia de
chorar feito moleque num corpo de gladiador.

Dia de
cometer burrices imperdoáveis em meio a conquistas geniais. Dia de andar
descalço na favela tendo aos seus pés uma mansão em Milão.
É dia
de estacionar a BMW na comunidade pra empinar pipa na laje. Dia de ser herói
com a 9 da seleção e jogar bilhar no boteco pra comemorar no outro dia.
Dia de
ser gente como a gente, mesmo sendo um super herói trapalhão.
De
trocar o amigo ator pelo amigo frentista do posto de gasolina que foi criado
com você. Dia de recusar entrevista pra Globo porque tá com sono.
Dia de
chorar a morte do pai. Dia de encher a casa de mulher. Mas mulheres de verdade,
do dia a dia, não as da revista. Mulheres da Vila Cruzeiro, por exemplo.
Dia de
ser o ídolo que fez tudo pra dar errado e deu certo. Dia de ser o herói de uma
nação. O mais favelado da “favela” rubro negra. O estereótipo perfeito do que
um dia foi “mulambo” por ofensa.
Adriano
é o carioca. É o povo do Rio em forma humana, descalço e louco pra sorrir a
toa, mesmo metendo a marra por instinto.
Hoje,
aos 35, comemora uma vida cheia de altos e baixos mas com todos os erros e
acertos de quem corre o risco de ser quem de fato é. Nosso Imperador não pode
usar ouro, roupa chique, sapato italiano e nem passar o domingo sóbrio.
Imperador
do Flamengo? Não. Adriano é o jogador que nós seríamos.
O
nosso erro possível. O inatingível mais real que já tivemos.
Erre
sempre, Adriano. Nós amamos você assim, todo errado. Afinal, nossa vida não é
como a do instagram.
Abs

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