Para Lagardère, Flamengo não vive sem o Maracanã.

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Ricardo Borges/Folhapress

PVC:
Maracanã S.A., controlada pela Odebrecht, reabrirá o maior do mundo no dia 8 de
março, para a estreia do Flamengo na Libertadores. Depois, sinaliza que pode
liberar o campo para as finais do estadual do Rio. É pouco. Às vezes, parece
que a Odebrecht faz um favor ao abrir o estádio. Não faz.

O
contrato lhe dá o direito de exploração, mas a licitação original obrigava a
ter acordo com dois clubes de futebol. Hoje, tem só com o Fluminense e não o
está cumprindo. O Flu não joga lá desde 15 de novembro.
O
Maracanã continua às baratas, enquanto não se decide se será vendido pela
Odebrecht para a Lagardère ou para o consórcio CSM/GL Events.
Na
terça-feira, circulou a informação de que a GL Events tinha saído da concorrência.
Não é verdade. Na quinta, houve reunião da Odebrecht com GL Events, CSM e
Flamengo. Houve progressos e o encontro só não foi mais produtivo, porque o
assunto é muito complexo.
Na
concorrência inicial, a Odebrecht se comprometeu a desembolsar R$ 600 milhões
em melhorias, mas o valor precisa ser revisto, por causa do impedimento da
demolição do Júlio Delamare e do Museu do Índio.
Estima-se
hoje em R$ 150 milhões. Só que Odebrecht e governo nunca põem o valor no papel.
A GL
Events pede que sejam colocadas as condições às claras. A Lagardère está
composta com a Food Team, que tem como sócio um dos netos de Emílio Odebrecht,
Emílio Odebrecht Peltier de Queiroz. Também com a Binarios, de dois
ex-diretores da empreiteira.
Está
claro que a Lagardère é a preferida da Odebrecht. Ser favorita não pode
significar ser favorecida.
Há uma
série de incertezas sobre a viabilidade econômica. Além disso, o fato de o
governo permitir a revenda da concessão pode permitir discussões jurídicas. Há
também vícios na licitação original denunciados na Lava Jato. Por tudo isso, a
negociação tem de ser detalhada.
A
única saída indiscutível seria realizar outra licitação. Aceitar todas as
condições sem discutir um plano de viabilidade significa a chance de quebrar o
estádio daqui a dois anos. Pode ficar ainda pior do que já está.
O
Flamengo diz que não jogará no Maracanã, se a Lagardère ganhar a concorrência.
Gente da Lagardère interpreta a opção do Flamengo abrir sua participação na
Libertadores no Maraca como prova de que não vive sem o estádio.
Não é
isso. O Flamengo procura alternativas provisórias enquanto não tem a
definitiva. Há estudos sobre terrenos para construção de um novo palco em
Niterói e na Barra da Tijuca. Mesmo com o Flamengo, o Maracanã tem riscos. Sem
os clubes, muito mais.
De todas
as novas arenas do Brasil, uma que tem dado lucro é o Allianz Parque. Está
muito abaixo de seu potencial, sem inaugurar o museu do Palmeiras nem os
restaurantes, mas as contas do clube no ano passado indicam que a receita
proveniente do estádio foi de R$ 163 milhões, contra R$ 85 milhões do contrato
de TV.
Tem a
ver com a bilheteria no dia do jogo e com a venda dos naming rights.
Mais
um sinal de que o Maracanã precisa do futebol. Ele foi construído para isso.
Mas o
futebol brasileiro também precisa do Maracanã de volta. Urgentemente.

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