Parceria do Flamengo com Comitê é essencial para ginastas.

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Foto: Carol Fontes

GLOBO
ESPORTE
: Finalistas na Olimpíada do Rio, Jade Barbosa, Rebeca Andrade e Flávia
Saraiva retomaram os treinos no Clube de Regatas do Flamengo, na Gávea, Zona do
Sul do Rio de Janeiro, mas ainda não sabem quando irão competir. O moderno
centro de treinamento olímpico, na Barra da Tijuca, que oferece um espaço amplo
para a preparação e recuperação dos atletas, ainda está fechado, e o principal
patrocinador da modalidade não renovou com a Confederação Brasileira de
Ginástica (CBG). Sem um calendário definido e dinheiro para viajar para
competições em ano de Mundial, a crise atinge as principais ginastas do país.
Uma assembleia, marcada para 4 de março, definirá se a Caixa Econômica Federal
renovará com CBG, com quem mantem um patrocínio de 10 anos. As atletas só
voltaram ao trabalho por conta da estrutura oferecida pelo Rubro Negro, que
estendeu o contrato com Jade, Flavinha e Rebeca por mais um ano, visando o
ciclo para os Jogos de Tóquio 2020.

O
ginásio Cláudio Coutinho sofreu uma série de reformas e recebeu 14 novos
aparelhos, como trave de equilíbrio, paralelas assimétricas, cavalo com alças,
argolas com pórtico, pista de corrida, mesa de salto e solo, com um sistema de
transporte embutido e três trampolins. A realidade, no entanto, contrasta com
um futuro de incertezas para as ginastas do país.
Para
Daniele Hypólito, é preciso olhar a situação com carinho e cuidado, mas a
ginasta tem esperanças de que o problema seja solucionado a reunião entre a CBG
e o patrocinador principal. A atleta desistiu da aposentadoria e revelou o
desejo de representar o Brasil em Tóquio 2020, porém, diz que olhará ano por
ano, sem “colocar a carroça na frente dos bois”.

Sabemos que leva um tempinho para renovar um patrocínio e que o contrato
precisa ser bom para as duas partes, ambos têm exigências. Temos esperança e
certeza que a Caixa renovará com a gente e tudo vai entrar nos eixos de novo,
tanto nas competições, como na seleção. Temos de ter paciência. Não podemos
deixar de trabalhar. Temos de estar prontas. Tem sido um início de ano de
negociações, complicado, mas, se você parar e ver a situação de todo o país.
Está igual para todo o mundo, não é só a ginástica. Se todo o brasileiro
desistir porque está em uma situação difícil, o país não anda. O país continua
andando, em frente. Não adianta não se preparar porque está com este pequeno
impasse. É um pequeno obstáculo para começarmos o ano com tudo, competindo e
representando o nosso país da melhor forma. É importante ter carinho e respeito
pelo patrocinador. Ao longo de 10 anos, crescemos como atletas e como pessoas,
tivemos muitas oportunidades durante as viagens e viramos uma família. Tivemos
um crescimento de todas as formas. tenho certeza que vai dar tudo certo, agora
é só aguardar a reunião da Caixa com a CBG para termos o calendário pronto e
certo para começar as competições – comentou Dani.
Uma
das maiores esperanças do Brasil para o futuro, Flavinha contou que o foco é
estar pronta para competir, mesmo sem saber quando. A disputa mais importante
do ano será o Mundial, em outubro, porém, não se sabe como e nem quando será a
seletiva. A pequena notável, que cresceu 7 cm desde o ano passado e agora mede
1,40m, passou a ser treinada depois da Olimpíada pelo mesmo treinador de Rebeca
e Jade, Francisco Porath, e já se considera adaptada. Medalhista de bronze por equipes
e no individual geral do Pan de Toronto 2015, ela volta as suas atenções para
os treino. Prefere não pensar em competições e deixar o quesito a cargo do
técnico.
– A
gente está trabalhando bastante com preparação física, fazendo musculação e
circuito. Neste ano queremos, começar um novo ciclo mais forte, evitando
lesões. O código de pontuação mudou, então, temos de treinar e fazer os
exercícios porque houveram mudanças. Mas, se Deus quiser, eu e a minha equipe
vamos nos adaptar. Tenho treinado ainda o individual geral, mas quero também
tentar uma final de trave e de solo. Estou trabalhado para isso. A equipe está
muito unida, não sabemos ainda quando iremos competir, mas o Chico (treinador)
está por dentro – disse Flavinha.
Francisco
Porath, que integra a equipe de treinadores do Comitê Olímpico do Brasil,
explicou que a parceria do COB com o Flamengo tem sido fundamental para manter
o ritmo das ginastas, contudo, apontou a segurança do ginásio carioca como um
ponto delicado. O espaço é dividido entre as atletas profissionais e crianças
da escolinha de ginástica. Por enquanto, no início de temporada, não há
problema, contudo, frisou a importância da privacidade quando os treinos forem
mais específicos e com um maior grau de dificuldade.
– O
Comitê Olímpico tem uma boa parceria com o Flamengo, as meninas também são
assistidas pelo COB. Como não temos uma seleção definida, estamos dando uma
assistência às meninas. Até a definição de quando elas voltarão ao CT olímpico
e vão competir, elas podem treinar nesta estrutura do Flamengo. As meninas, às
vezes, ficam com receio de treinar com as crianças da escolinha. Quando
aumentarmos a dificuldade, teremos qe buscar uma maior privacidade ou
exclusividade em alguns aparelhos. O centro de treinamento ainda está envolvido
com burocracia, mas é uma questão de tempo voltarmos a treinar lá – contou
Porath.
Em
recuperação de uma artroscopia no joelho direito, Rebeca volta as suas atenções
apenas aos treinos para se adapar o quanto antes ao novo código de pontuação para
as séries.
– É
ruim quando fica mudando toda a hora o que você tem que fazer e se adaptar.
Fazer a adaptação de algo que já fazíamos há quatro anos, então, no começo é
meio chato, mas, é para levantar a ginástica, para s as meninas fazerem coisas
mais difíceis e se arriscarem um pouco mais. Eu acho que o código serve para
mostrar que ginastas podem fazer coisas novas e melhor. Eu não penso muito nas
competições, só estou pensando em ficar preparada. Vai que eles falam que eu
tenho uma competição em um mês? Penso em manter o corpo bem e estar preparada.
Além
de Rebeca, Dani, Jade e Flavinha, as ginastas Julie Kim, Letícia Costa,
Isabelle Cruz, Maria Cecília e Milena Theodoro também renovaram seus contratos
com o Flamengo e participaram do treino. Com destaques da seleção, o time
carioca sagrou-se campeão brasileiro por equipes em 2016.

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