Pelo Engenhão, Clubes apelam por paz e reconsideração do MP.

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Eurico Miranda, Pedro Abad, Rubens Lopes e Eduardo Bandeira – Foto: Vinicius Castro
GLOBO
ESPORTE
: Depois do anúncio da Ferj de que o clássico entre Flamengo e Vasco
aconteceria em Juiz de Fora e da negativa da prefeitura e da Polícia Militar da
cidade mineira para a realização da semifinal da Taça Guanabara, os clubes e a
Federação se reuniram nesta terça-feira em busca de uma solução. Mas nada de
concreto foi definido sobre o palco da partida. Os representantes dos clubes
decidiram insistir no uso do Estádio Nilton Santos com duas torcidas e vão
aguardar que juiz reconsidere decisão até o último momento. Com isso, o local
de Fluminense x Madureira, a outra semifinal, também segue indefinido.

Todos estão cientes da dificuldade que estamos enfrentando com a decisão
judicial. Um assunto que afeta a todos. Fizemos um reunião com os quatro
grandes clubes, mais o Madureira. Convidamos também representantes das
associações de torcidas organizadas dos quatro grandes clubes. Vieram
representantes de torcidas de Fla e Botafogo. De uma forma unânime, todos
discordam do posicionamento, embora sejam obrigados a cumprir, da torcida
única. Entendendo que dentro do estádio a violência é insignificante, o problema
todo é fora do estádio.
Veja o
que disseram os presidentes de Flamengo, Fluminense e Vasco:
Eduardo Bandeira de Mello (Flamengo)

Todos nós somos absolutamente contrários à implantação da torcida única.
Assinamos um documento pedindo ao juiz, com fundamentos, que reconsidere essa
decisão. Embasado em contatos com o policiamento, entendemos que podemos
realizar o jogo no Engenhão com as torcidas de Fla e Vasco. Agora esse pedido
de reconsideração, na medida em que o fazemos, isso nos dá uma responsabilidade
muito grande. Porque estamos praticamente endossando uma posição de que não
haverá violência como vinha acontecendo

Então estamos aqui unidos para fazer um apelo dramático. Somos adversários no
campo, não somos inimigos, entendemos que um precisa do outro, e que as
torcidas podem conviver em paz. Torcedores de Vasco, Fla, Botafogo, Flu podem
se encontrar fora do estádio sem problemas. Se queremos reverter essa decisão,
isso dá a todos nós a responsabilidade de lutar por isso. Pela paz nos
estádios, pela harmonia. Queremos inaugurar a partir de hoje uma nova era.
Vamos continuar com as brincadeiras, rivalidade saudável, mas sem selvageria.
Defendemos a punição dos criminosos, mas os clubes não têm nenhuma
responsabilidade além dessa que estamos assumindo.
Pedro Abad (Fluminense)

Naturalmente corroboro as palavras do presidente Bandeira, e a partir do
momento que a gente admite que dois seres humanos que torcem por times
diferentes não podem conviver no mesmo lugar, a gente percebe a falência da
sociedade. E o governo, colocando a torcida única, a falência do estado. A
gente tinha zonas mistas até. Se um grupo consegue, não é possível que a gente
não consiga replicar. A punição tem de ser a pessoa física, como o Bandeira
disse. Faço de novo um apelo às autoridades que pensem com carinho na cultura do
futebol. Era comum a gente descer a rampa da arquibancada separados por
pilastras. Fica aqui o apelo que ponham a mão na consciência.
Eurico Miranda (Vasco)

Resumindo e objetivamente é o seguinte, estamos esperando a reversão, ou a
reconsideração de uma decisão que foi tomada em relação à torcida única. O que
está sendo apresentado por parte da PM é que dará total garantia com duas
torcidas. Acho que o magistrado pode reconsiderar e vamos esperar até o último
minuto. Que volte essa época, a convivência. A rivalidade não tem nada a ver
com violência. Eu acho que o futebol não pode prescindir da organizada, mas se
tem meia dúzia infiltrados, que o caso deles não é torcer, é outro caso, que
criminalize, penalize essas pessoas, e a própria torcida organizada expurgue
essas pessoas.
– Que
não acabe a provocação, que não acabe o canto, mas que tenha paz. Para que o
torcedor em geral não seja penalizado. Uma decisão dessas penaliza todos os
torcedores. Como se todo torcedor fosse bandido. Se tem meia dúzia de bandidos,
que se identifique e puna. A torcida tem de expurgar esses elementos. A torcida
tem de fazer sua festa, que faz como ninguém. Isso precisa voltar. Estamos
esperando até o último minuto a reversão, que seria uma reconsideração da
medida que foi tomada. Tenho certeza que isso vai acontecer e sábado estaremos
jogando no Engenhão.

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