Torcida única. Retrocesso no futebol carioca.

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Foto: Divulgação

FALANDO DE FLAMENGO: Por Felipe Foureaux

Se me
perguntasse, há 7 anos atrás, se eu concordaria com torcida única em um
clássico, seria direto: Não. Hoje, com meus filhos de 6 anos indo ao estádio, a
minha resposta também é não. Mas confesso que com um receio enorme.
Tive o
prazer de ler o artigo da Marcella no Falando de Flamengo e falei pra mim
mesmo: não tem nada nesse texto que eu não concorde. Hoje, pela manhã, li o
artigo do Carlos Mansur e concordei com cada palavra escrita. Percebi, então,
que um texto não contradiz o outro, mas o complementa.
Não
existe dúvidas que a responsabilidade de segurança não só de torcedores, mas de
qualquer cidadão, é do Estado. Mas também não existe dúvidas que, hoje, o
Estado falha muito em sua atuação. Dessa forma, ficamos reféns a cada disputa
entre vândalos organizados. Você me dirá: Tem que prender esses bandidos. Mas a
pergunta do momento é: Você levará seus filhos ao estádio enquanto eles não
estão presos?
Nunca
apoiarei um FLAxFLU só com uma torcida. Um Flamengo e Vasco só com vascaínos ou
rubro-negros. Mas hoje, eu, que me considero um homem de bem, me sinto cerceado
do direito de levar meus filhos em clássicos. Isso é certo? Essa discussão,
pode não parecer, tem dois lados. Por mais absurdo e revoltante que um lado se
apresente.
Talvez,
realmente, apenas a possibilidade de termos um clássico carioca com torcida
única nos indigne de tal forma que possamos sair do comodismo de aceitar a
violência que somos submetidos a cada jogo e que nos acostumamos a achar que é
normal. Talvez saiamos do lugar comum e passemos a reagir de maneira não
natural ao absurdo que é não saber se voltamos de um estádio em um clássico
decisivo.
Não é
o ideal. Aliás, ideal é uma palavra antagônica ao ato de instituir torcida
única em clássicos. Mas exigir que as pessoas e os órgãos que deveriam coibir a
violência, prender os vândalos travestidos de torcedores e gerar o sentimento
de segurança que merecemos ao ir aos jogos está, hoje, fora de cogitação.
Então,
o que fazer? Ajudem-me a responder essa pergunta apenas com soluções reais e
não utópicas para os dias de hoje. Eu, infelizmente, terminarei essa coluna sem
poder responder. E me sinto muito incomodado com isso.

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