Torcida única? Solução para Gre-Nal foi setor misto.

28
Foto: Getty Images

GOAL: Por
Raísa Simplicio | @simpraisa

Depois
da confusão envolvendo torcedores de Flamengo e Botafogo que deixou uma vítima
fatal, no último domingo(12), no entorno do estádio Nilton Santos, onde
aconteceu o duelo entre as duas equipes, a discussão sobre torcida única voltou
a tona no futebol carioca.
Nesta
quarta (15), o Ministério Público do Rio de Janeiro entrou com um pedido na
Justiça para que os clássicos cariocas tenham apenas torcedores de uma equipe
só.
Se o
pedido por aprovado no Juizado do Torcedor e Grandes Eventos, apenas times
mandantes terão os torcedores no estádio. A medida será válida para jogos
disputados entre Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco.
O
presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, se posicionou totalmente
contra essa medida. Para Bandeira, isso seria uma “pá de cal no futebol do
Rio de Janeiro.
“Eu
sou totalmente contrário a essa medida de torcida única, eu acho que isso
descaracteriza o futebol e seria uma pá de cal no futebol Carioca. O ideal é
termos famílias, compostas por torcedores de times diferentes que possam
comparecer ao estádio juntas como sempre foi”.
Bandeira
ainda deixou claro que essa é uma medida que não resolve o problema e que as
confusões continuarão acontecendo se essa medida for tratada como solução.
“Eu
acho que essa medida é uma medida simplista que não resolve o problema e parte
de uma ótica errada. As mortes provavelmente acontecerão longe dos estádios
como acontece quando esses grupos que se denominaram torcedores marcam
encontros para realizar seus conflitos, Flamengo vai ter sempre o interesse de
colaborar com as autoridades, mas essa ótica está errada. Criminoso não tem
CNPJ, criminoso tem CPF”.
Por
outro lado, o Botafogo se posicionou favorável a medida solicitada pelo
Ministério Público como experiência para melhorar a segurança no futebol.
“Apesar
de considerar que no último domingo houve um ponto fora da curva, pois o GEPE
sabe fazer escolta, chegada e saída de organizadas, o Botafogo é favorável a
experiências no sentido de melhorar as condições de segurança do futebol. Esse
tipo de experiência, de torcida única já deu certo em outros estados”,
declarou o clube em nota oficial.
Mas
será que essa afirmação do Botafogo está correta? Clássicos com torcida única é
a realmente a solução e deu certo em outras regiões do futebol brasileiro?
Em
abril do ano passado, a Secretaria Pública de São Paulo determinou que os
clássicos disputados na cidade tivessem apenas torcedores de uma equipe só. No
dia 17 de julho no empate em 1 a 1 entre Corinthians e São Paulo pelo
Campeonato Brasileiro foi relatado um confronto entre torcedores dos dois
times, em Carapicuíba, a 47 km do estádio.
Um dia
antes, no dia 16, Flamengo e Botafogo se enfrentaram também pelo Campeonato
Brasileiro, na Arena da Ilha. Houve confronto entre os torcedores em Bento
Ribeiro, a 20 km do estádio, uma vítima foi espancada até a morte.
Também
em julho de 2016, após a derrota do São Paulo para o Atlético Nacional, no
Morumbi, pela Libertadores da América, uma série de confrontos foi relatada em
torno do estádio, inclusive contra a Polícia Militar. Não era clássico, e a
torcida Tricolor era maioria. De fato, a confusão não teve absolutamente nada a
ver com os poucos torcedores adversários.
Enquanto
isso, o Rio Grande do Sul optou por uma experiência diferente. Em 2015 a dupla
Gre-Nal anunciou um setor para a torcida mista no estádio. Talvez a maior
rivalidade do futebol brasileiro caminhando lado a lado.
Tanto
gremistas quanto colorados, agora, podem assistir aos clássicos juntos. Pais,
mães, filhos, famílias e amigos mesclando o azul, preto, branco e vermelho na
arquibancada. No último GreNal de 2016, inclusive, um torcedor gremista pediu
sua namorada colorada em casamento no intervalo do clássico.
Em
entrevista ao jornal Zero Hora, o titular do Juizado do Torcedor Marco Aurélio
Xavier, afirmou que a torcida única devolveu ao torcedor gaúcho cordialidade e
tolerância.
“A
torcida mista foi um marco muito importante no processo de pacificação dos
estádios, principalmente porque colocou o espaço de rivalidade clubística no
limite correto. Isso significa que deve haver a rivalidade, a torcida, até
mesmo a brincadeira folclórica, mas sempre preservando o mais importante, que é
a boa relação pessoal”.
Os
clássicos com torcida mista no Rio Grande do Sul já aconteceram tanto pelo
Campeonato Brasileiro quanto pelo Campeonato Gaúcho e até hoje nenhuma confusão
foi relatada.

anos os confrontos entre aqueles que se dizem torcedores acontece fora do
estádio e muitas vezes horas antes dos jogos. O fato de ter uma torcida única
influencia bem pouco na segurança. A solução é de fato identificar os
criminosos e impedir não só que frequentem os estádios mas que fiquem impunes,
afinal um criminoso é um criminoso com a camisa de time ou não.

COMENTÁRIOS: