A Baranga deu fuga.

18
Berrio, Damião, Arão e Márcio Araújo comemorando gol do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

FUTEBOLZINHO:
Por Arthur Muhlenberg

O
Flamengo x Vasca da Taça Rio já começou todo errado com o Flamengo dando a
saída pra trás. Não posso conceber nada mais simbólico do atraso trazido pelas
federações ao futebol do que o Flamengo, que se notabilizou pelo moto Vencer,
Vencer, Vencer, tocando a primeira bola do jogo pra trás no cemitério
clandestino onde os mão grande enterraram um bilhão de reais por motivo de Copa
do Mundo. Só mesmo nesse freak-show chamado Campeonato Carioca.
E
quando começa assim, meus amigos, não tem jeito de acabar bem. Apesar do mau
augúrio o show tem que continuar e o Flamengo partiu pra cima da baranga. Que,
como sempre, reclamou, deu unhada, fez teatro e chorou à beça, lançando mão de
todos os recursos estranhos ao futebol, esporte que vem perdendo prestígio dia
a dia em São Janu, hoje um mero valhacouto de ex-jogadores em atividade.
Bonitão,
com dinheiro, todo bem vestido, exercendo um domínio absoluto e incontestável
dentro das quatro linhas o que poderia fazer o Flamengo em tal situação? Tomar
um gol da vasca, é lógico. E cá pra nós, estava escrito há mais ou menos uns
dez mil anos que um dia o Flamengo tomaria um gol de Pikachu. Podia ter sido
pelo Payssandu, mas foi pela vasca. Do destino ninguém escapa e o Flamengo, de
sua sina onomástica, muito menos.
Como
sói acontecer nos jogos do vice, assim que a baranga marcou seu gol safado
acabou a luz no estádio. Ah, esses times pequenos e seus costumes bárbaros.
Ficou tudo apagadão, quer dizer, quase tudo, uns palhaços ligaram os celulares
e proporcionaram, nas palavras do esteta Luís Roberto, “uma linda imagem no
Mané Garrincha”. E ainda bem que o jogo era televisionado para todo o Brasil,
porque muita gente só percebeu naquela hora, que Brasília estava coberta pelas
trevas. Que fase, jogador.
A luz
acabou voltando, e apesar da contrariedade dos vascaínos, que pediam há horas o
término da partida, o Flamengo foi se arrumando. Mais organizado e com a camisa
mais maneira, o Flamengo não encontrou dificuldades para ir ocupando os
espaços, girando a bola e fazendo valer a superior categoria de seu elenco.
Aliás, me permitam agradecer extemporaneamente ao Botafogo, em especial à sua
diretoria, que deu mole e deixou um craque excepcional como William Arão VIR DE
GRAÇA PRO FLAMENGO. Continuem assim, seus manés.
E foi
justo o Arão, pivô de todo o faniquito alvinegro, quem fez o gol de empate e
colocou o clássico dos milhões dentro de uma perspectiva mais realista. Vocês
sabem que cada gol do Arão, seja lá em quem for, é uma faca cravada no peito
dos chorões. Fato que só aumenta nossa admiração por esse grande jogador que
ESCOLHEU O FLAMENGO para brilhar. Depois do nosso empate o jogo seguiu o curso
natural das coisas e logo, logo o Mengão virou o placar com um golaço de
Berrío.
Foi a
senha para que a vasca intensificasse o espetáculo de indisciplina,
insubordinação e antidesportividade que já vinha dando. A baranga apitou o jogo
todo, os come-e-dorme da camisa feiona se jogavam no chão, rolavam pelo gramado
simulando amputações sem anestesia, reclamavam de cada falta, de cada lateral,
como se fossem um golpe parlamentar de estado sustentado pela mídia golpista. A
timinhagem sãojanuaresca comia solta até a hora em que baixou uma Maria Padilha
no 9 dos caras. Que saiu peitando o juiz até ser brindado com o cartão vermelho
e sair correndo de campo. Dizem que deu fuga só pra aproveitar os chuveiros com
água corrente do Mané Garrincha. Apesar de tremendamente deseducativa foi uma
cena fa-bu-lo-sa.
Aí foi
a hora do Mengão, que não é de ferro, dar seu mole também. Teve duzentas e
oitenta e sete chances de matar o jogo, mas ficou de palhaçadinhas. Inclusive o
moleque Paquetá, é importante destacar, deu uma humilhada lá num pobre-diabo do
vice, que foi tão maneira quanto improdutiva. Futebol tem dessas coisas e quem
não faz leva mesmo. Ainda mais em um dia em que nosso piloso goleiro estava de
chico. Saiu errado do gol várias vezes, deu bicudas sem qualquer direção pra se
livrar da bola e acabou sendo castigado.
O
castigo foi coletivo, porque o árbitro marcou um pênalti do tipo nota de 3
dólares, absolutamente inexistente e todo o time foi penalizado. Mas nem perco
meu tempo falando desse rapaz que apitou o jogo. Já foi devidamente comprovado
que o Índio é incapaz de uma honestidade. Apesar do que pregam muitos
religiosos, pênalti roubado entra, sim. E a vasca empatou roubado, conquistando
um dos seus melhores resultados no ano. Palmas para seus atletas e
para-atletas, que lutam, nem sempre em igualdade de condições, para que o
sofrimento nunca acabe por lá.
O
carioca não vale nada, mas é claro que não podemos ficar satisfeitos com um
resultado construído artificialmente. Ficamos putos, muito putos. Quase um
minuto inteirinho putão da vida. Mas já passou. E, vamos falar sinceramente, do
ponto de vista moral a nossa invencibilidade já era, empatar com a baranga é
mesmo o fim da picada. Já tem uns jihadistas pregando que o Flamengo entregue
as paçoca e as cocada na quarta pro Voltaço, só pra desajudar um pouco o vil
bacalhau. Nem sei o que dizer sobre tal absurdo, mas a ideia parece ser
sensacional.
Mengão
Sempre

COMENTÁRIOS: