Análise: O novo golpe da CBF.

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Foto: Rafael Ribeiro/CBF

LANCE:
Foi maquiavélica a mudança do estatuto da CBF aprovada nesta quinta pelas 27
federações em Assembleia Geral. Sem participação dos clubes e a pretexto de
enquadrar a entidade nos termos da lei do Profut, os lobos da confederação
aplicaram mais um golpe contra o futebol brasileiro. Com uma manobra esperta,
mas de legalidade discutível, Del Nero e seu aspone-mor, Walter Feldman,
zombaram do espírito e da tradição legislativa brasileira.

Para
se enquadrar à nova lei, os 40 clubes das séries A e B foram incluídos no
colégio eleitoral da ​CBF. Mas os que fazem verdadeiramente o nosso Fut seguem
sem poder de decisão, já que o novo estatuto estabelece pesos diferentes para
cada eleitor. Assim, cada voto de federação valerá por três, os clubes da Séria
A terão peso dois e os da série B voto unitário. No computo geral, se todas as
federações ficarem de um lado e os clubes do outro, o placar favorável às
entidades será de 81 a 60.
Mas a
manobra não parou por aí. A cláusula de barreira do estatuto atual foi mantida
exigindo apoio formal de pelo menos oito federações e cinco clube para que uma
candidatura seja lançada à presidência da entidade. Isso inviabiliza o
surgimento de uma oposição consistente e confirma os clubes no papel de simples
cordeirinhos da nova fábula maligna da CBF.
Ou
seja, tentaram dar ares de democracia a um sistema que  segue viciado. Mesmo que todos os 40 maiores
clubes se unam para indicar um candidato, este não poderá ser inscrito sem a
anuência dos aliados de Del Nero.
É
pública a relação promíscua entre as federações e a CBF. São usuais os mimos
que, seguindo os passos de Ricardo Teixeira e Marin, Del Nero distribui aos
cartolas. Mas as mesadas oficiais às entidades, os convites para viagens e
outras mordomias menos institucionais têm um preço. E é deste conluio que
continuarão a sair as decisões que estruturam – ou desestruturam – o nosso fut,
como o calendário inadequado, preferido das federações.
​A
farsa desta quinta foi mais uma derrota para os que lutam pela moralização,
pela transparência e a profissionalização do nosso fut.

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