André Rocha detona o Botafogo por postura contra o Flamengo.

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Presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira – Foto: Luciano Belford/SSPress

ANDRÉ
ROCHA
: Este que escreve mora na cidade do Rio de Janeiro desde que nasceu, com
um breve hiato de seis meses em outro município do estado. Conhece o subúrbio,
as zonas sul e oeste e alguma coisa da baixada fluminense.

Fã de
futebol acima de qualquer clube, já foi a jogos no Maracanã, nas Laranjeiras,
na Gávea, em São Januário…até em Marechal Hermes, quando o Botafogo jogou por
lá. Conhece a cultura, a contracultura e a anarquia carioca. Já andou, por
coincidência, em ônibus e trens com torcidas organizadas de todos os clubes
grandes. Conhece pessoalmente ou ”de vista” alguns membros.
Por
isso tudo pode afirmar com segurança: Fla-Flu decidindo a Taça Guanabara com
torcida única em Engenho de Dentro é uma insanidade! A cidade inteira está em
risco, principalmente num cenário de crise geral, inclusive na segurança
pública. Mesmo com o interesse cada vez menor do carioca pelo futebol e pelo
cada vez mais esquálido Campeonato Estadual.
Ainda
pior sem o Maracanã, símbolo maior e casa dos grandes duelos. Sempre com o
estádio disponível para as torcidas. Com lados das arquibancadas definidos,
inclusive. É da cultura carioca.
Infelizmente,
a tendência é que os bandidos – e não há outro termo a ser usado – de sempre
vão usar a proibição, ou a exclusividade, ou o acesso à torcida rival
circulando pelas ruas como pretexto para os confrontos em vários pontos da
cidade. Avenida Brasil, Vila Isabel, Baixada, estações de trem, entorno do
Estádio Nilton Santos…Inclusive com emboscadas e encontros marcados pela
internet.
Esta
medida só faz sentido para a PM, que se isenta da responsabilidade no local do
jogo e para a emissora de TV que detém os direitos da partida e quer imagens do
estádio cheio mas sem chances de tumulto. Uma paz fictícia.
Também
para a direção do Botafogo, que administra o estádio e transformou o rival
Flamengo em inimigo para fazer média com os fãs mais radicais e ”vingar” a
perda na Justiça do volante Willian Arão. Lamenta o torcedor do clube
assassinado, mas alimenta o clima hostil e perde oportunidades de arrecadação
numa gestão que se propõe a ser profissional – e de fato é em outros aspectos.
Mais
um elemento para o contexto que pode ser explosivo e atingir o cidadão que nada
tem a ver com a final do primeiro turno do Carioca. À dupla Fla-Flu cabe
definir em conjunto o que fazer, mas, acima de tudo, organizar uma campanha de
paz na cidade e não só no estádio. Mostrar que estão juntos e a rivalidade
ficará apenas no campo. Quebrar a corrente de ódio e incompetência.
Porque
o Rio de Janeiro está a perigo. E este que escreve só espera estar errado.

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