Apesar de erros bizarros, Federações só pensam no poder.

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Faixa no Mané Garrincha pedido paz aos torcedores de Flamengo e Vasco – Foto: Gilvan de Souza

RODRIGO
MATTOS
: Na semana em que as federações estaduais aumentaram seu poder, os
Estaduais organizados por elas exibiram erros bizarros de arbitragem. As
competições ainda tiveram desfalques importantes por jogadores estarem com as
seleções e horário esdrúxulos de jogos. Ou seja, a CBF e a federações
fortaleceram um sistema que se mostra decadente.

No
clássico carioca, disputado em Brasília, o árbitro Luis Antônio Silva Santos,
Índio, e seu auxiliar marcaram um pênalti para o Vasco após suposta mão do
lateral René. O problema é que a bola bateu claramente em parte debaixo de sua
barriga. De frente para o lance, o meia Nenê disse ter visto pênalti e bateu
para empatar.
Antes,
o mesmo juiz protagonizou cena de cinema ao se desequilibrar após tomar uma
barrigada de Luis Fabiano, a quem expulsou corretamente. É absurdo achar que um
jogador pode encostar e tentar intimidar um árbitro e continuar em campo. A sua
reação ao lance ao cair para trás pareceu exagerada. A anulação de um gol do
Fla por impedimento, segundo o analista Salvio Espínola, da ESPN, foi correta
já que Damião tentou disputar a bola.
No
Morumbi, o árbitro Vinicius Furlan ignorou um entrada dura de Wellington Nem em
Arana que deveria ter resultado em cartão vermelho. Quase no final do jogo, ele
expulsou o mesmo jogador por supostamente atingir um rival sendo que seu braço
não tem nenhuma ação violenta contra o corintiano. Houve ainda questionamento
são-paulino sobre uma expulsão de Pablo que fez falta para amarelo e foi
perdoado.
Foram
atuações horrorosas dos dois árbitros nos clássicos, mas estão longe de ser
exceção. Para lembrar os casos mais graves, o corintiano Gabriel foi expulso no
clássico com o Palmeiras porque o juiz Thiago Peixoto confundiu ele com Maycon.
No Sul, um árbitro deu um pênalti contra o Inter após a bola bater no corpo do
colorado Junio.
Esses
são só os exemplos mais clamorosos de erros de arbitragem em competições que
literalmente se arrastam neste primeiro semestre em uma maioria de jogos
desinteressantes. No Rio, por exemplo, Flamengo e Fluminense, já classificou às
semifinais, estão jogando só para cumprir tabela.

Quando
há clássicos, além dos erros, ainda há desfalques já que os Estaduais continuam
em datas Fifa. O Flamengo jogou sem Guerrero, Diego e Trauco, o Vasco sem
Martín Silva. O São Paulo não tinha Cueva e Pratto, o Corinthians, Romero.
Pior,
a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) ainda marcou um
clássico entre Fluminense e Botafogo que começou enquanto ainda havia bola
rolando na partida das eliminatórias entre Brasil e Uruguai. Sim, um Engenhão
esvaziado tinha um jogo simultâneo, por alguns minutos, ao da seleção.
É
neste cenário que a CBF e as federações articularam as manobra que lhes deu
mais poder na eleição na entidade e tirou peso do votos dos clubes. Os dois
fatos estão associados. Ao manter as federações poderosas, a confederação
descarta qualquer mudança no calendário que dá 18 datas para os Estaduais e
essas bizarrices vistas em 2017.
Ao
mesmo tempo, a confederação posterga a implantação do árbitro eletrônico que
poderia minimizar esses erros, alegando falta de dinheiro. Nada de
profissionalização também. Ora, se a CBF e as federações não querem investir em
arbitragem, por que não deixar que os clubes o façam organizando os próprios
campeonatos? Não, o objetivo é perpetuar um sistema que impõe jogos
desinteressante, falhas gritantes na organização dos campeonatos, tudo sob a
mão firme de quem não perde nada com isso.

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