Bloco do Flamengo fecha o Carnaval no interior de Alagoas.

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Foto: Denison Roma / GloboEsporte.com

GLOBO
ESPORTE
: Quarta-feira de Cinzas, 9h, temperatura em torno de 35ºC. Depois de
ter curtido os quatros dias de Carnaval, enfim chegou a hora de descansar. Epa,
não é bem assim. Em Marechal Deodoro, cidade do interior de Alagoas, centenas
de pessoas encheram as ruas para desfilar no Bloco Nação Rubro-Negra. Há 15
anos tem sido assim. O bloco tem até narrador vascaíno e torcedores de outros
times. E nada de briga.

Para
agitar a massa, a empolgação fica por conta do locutor José Maia. Figura
folclórica na cidade, Garotinho Maia, como ficou conhecido, diz o que é preciso
para arrastar a multidão.
– É se
fortalecer, a gente que trabalha usando a voz tem que se preparar bastante.
Enquanto, o pessoal brinca de Sábado de Zé Pereira até terça-feira, a gente vai
se preparando, comendo bem, tomando muito líquido, evitando ingerir bebida
gelada para percorrer todo o trajeto do bloco. Não é uma tarefa fácil, mas a
gente se prepara para isso.
Torcedor
do Vasco, Garotinho avisa que o bloco tem espaço para todo mundo. O ponto alto
da festa é a narração do gol do Flamengo, justamente em cima do time dele. O
locutor disse que não acha ruim fazer a festa do rival. É profissional.
– Aqui
tem vários torcedores. Tem do Vasco, tem do Fluminense; faz parte do bloco.
Inclusive, um amigo meu que é torcedor do Fluminense já participou do Bloco do
Flamengo vestindo a camisa do clube dele e segurando a do bloco. Coisa
engraçada. Eu deixo de lado a paixão pelo meu clube e procuro fazer a festa. O
clima de amizade prevalece sobre a rivalidade dos clubes.
Fundado
em 2002, o ‘Bloco do Flamengo’, como ficou conhecido, escolheu o dia da ressaca
do Carnaval para mostrar que nem todo mundo gastou as energias. Foliã de
carteirinha do bloco, a comerciante Jane Monteiro não deixa de participar um
ano sequer. E, na festa, ela ainda usa um adereço bem inusitado.
– Ah,
perco não [o desfile]. Todos os anos tenho que desfilar no bloco do Flamengo.
Já virou tradição. E sempre tenho que trazer um pinico. A cada ano, compro um.
Já tenho até coleção em casa. Apesar de ser são paulina, faço questão de
brincar no bloco do Flamengo. Sou comerciante, patrocino outro bloco, mas faço
questão de desfilar nesse bloco aqui. Os convites que recebo do outro bloco, o
que participo, dei a meu filho. Sou fiel a esse bloco aqui – disse, com muita
empolgação.

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