Botafogo lucraria mais com Flamengo no Engenhão que com Caixa.

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Torcida do Flamengo no Engenhão com bandeiras de Zico e Ronaldinho – Foto: Divulgação

UOL: A
insatisfação com o Flamengo é tanta que o Botafogo prefere abrir mão de ganhar
dinheiro ao ceder o Estádio Nilton Santos (Engenhão) ao maior rival. Com a
ausência do Maracanã, o Alvinegro teve grande oportunidade para lucrar com os
jogos dos demais cariocas, mas isso não vem ocorrendo.

No ano
passado, antes de tomar a Arena da Ilha do Botafogo, o Flamengo tinha planos de
alugar o Engenhão para alguns jogos e chegou a cogitar o pagamento de R$ 300
mil por partida. Normalmente, cada clube tem entre três e quatro duelos mensais
como mandante. Assim, o Alvinegro abriu mão de cerca de R$ 1 milhão por mês.
O
valor é considerável para o Botafogo, que encaminhou parceria com a Caixa Econômica
Federal por R$ 10 milhões. Assim, a oferta do Flamengo para utilizar o Engenhão
poderia ser até mesmo maior que a principal receita do Alvinegro com
patrocínios.
Os
clubes voltaram a se envolver em polêmica na última quarta-feira (1). Isso
porque a final da Taça Guanabara, entre Flamengo e Fluminense, foi marcada para
o Engenhão mesmo com a discordância do Botafogo, que queria o jogo no Maracanã.
A
decisão da Ferj contrariou o Alvinegro, que deixou a reunião após o Tricolor
ser sorteado como mandante do clássico. Isso impediu que o Rubro-negro tivesse
torcida única no Nilton Santos, o que já deixou o clube de General Severiano
satisfeito.
“O
Botafogo não é prejudicado. A nossa posição é a de não liberar o estádio para
clubes com os quais não mantemos relações comerciais. Estamos subordinados ao
regulamento e à justiça”, disse o presidente Carlos Eduardo Pereira.
Apesar
de contrariado, o Botafogo vai lucrar com a final da Taça Guanabara. Além do
aluguel de R$ 200 mil, o Alvinegro ficará com a verba de bares, camarotes e
estacionamento.
Segundo
apuração do UOL Esporte, a diretoria do Flamengo trata o imbróglio com o
Botafogo como uma “briga de um lado só”. Os cartolas rubro-negros
acreditam que o Alvinegro tenta se colocar como inimigo do clube da Gávea na
expectativa de contar com a simpatia de parte mais radical da torcida. Algumas
tentativas de diálogo ocorrem, mas a resistência aparentemente está
consolidada.
Procurado
pela reportagem para falar sobre o assunto, o presidente Eduardo Bandeira de
Mello adotou tom conciliador em um momento delicado do futebol carioca.
“Nunca
hostilizamos o Botafogo e achamos que os dirigentes devem se entender. O
respeito é fundamental até como forma de dar exemplo aos torcedores e promover
a paz nos estádios. Só jogaremos no Engenhão desta vez porque o regulamento do
Campeonato Carioca assim determina. Zelaremos fielmente pela integridade do
equipamento, como fazemos com qualquer estádio público ou privado”,
afirmou, acrescentando.
“Sempre
respeitaremos a posição do Botafogo, como concessionário de um estádio público,
de fazer o que achar conveniente dentro dos limites do contrato de concessão.
Como clube cidadão, temos a obrigação de defender os direitos e deveres do
concessionário e do concedente, que é o representante dos contribuintes
municipais”, completou.
A mais
recente rivalidade entre Botafogo e Flamengo teve início após piada do Porta
dos Fundos gravada na Gávea. O vídeo contava com o lançamento da camisa oficial
do Rubro-negro e ironizava a quantidade de patrocinadores do Alvinegro na
época. O caso segue na Justiça.
O
segundo ato foi a contratação de Willian Arão. Após se destacar na Série B, o
volante ignorou uma cláusula de renovação automática por mais um ano com o
Botafogo e decidiu ir para o Flamengo. O Alvinegro luta para ser ressarcido,
mas perdeu nas três instâncias no Rio de Janeiro e, agora, recorrerá no pleno,
em Brasília. O imbróglio continua e não tem prazo para terminar.

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