Comentarista diz que Palmeiras não tem Mundial: “Não tem critério.”

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Jornal da época repercutindo vitória do Palmeiras sobre a Juventus em 1951 – Foto: Reprodução

FOX
SPORTS
: A conquista da Copa Rio em 1951 pelo Palmeiras, até hoje rende algumas
boas polêmicas. Em um momento em que a FIFA, entidade máxima do futebol, ainda
não organizava o Mundial de Clubes, o Alviverde bateu a Juventus na final e
leva até hoje com orgulho o título de Campeão Mundial. Independentemente da
oficialização ou não da FIFA, que em documento de 2013 enviado pelo
ex-Secretário-Geral da entidade Jérôme Valcke, ao então Ministro do Esporte,
Aldo Rebelo, reconhecendo o clube como ‘primeiro campeão do mundo, a história
não é lá bem assim, como afirma Rodrigo Bueno, comentarista do FOX Sports.

Naquele
ano, que sucedeu a Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, o eixo América
do Sul-Europa já brigava pela supremacia do futebol. Apesar do fracasso naquele
mundial, após derrota da Seleção Brasileira por 2 a 1 para o Uruguai, em um
Maracanã lotado, o torneio foi um sucesso, e no ano seguinte, em 51, decidiu-se
criar a Copa Rio. A competição reuniria alguns clubes em evidência do momento,
tais como Vasco da Gama, Nacional-URU, Juventus-ITA e Sporting Lisboa-POR, para
decidir aquele que seria o campeão do mundo. Como pontua Rodrigo Bueno, porém,
o torneio teria um caráter mais de amistoso, o que era comum na época.
“A
Copa Rio, que não foi jogada apenas em 1951, foi um torneio internacional que
reuniu clubes de vários países sem um critério bem definido. Assim como a Copa
Rio, aconteceram vários torneios internacionais de bom nível, como a Pequena
Taça do Mundo na Venezuela, ao longo dos tempos. Não creio que esses torneios
tenham um peso de Mundial, pois, mais do que não terem uma chancela oficial da
FIFA, não contam com critérios claros para seus participantes. Não havia ainda
campeões continentais até os anos 50, tudo funcionava na base de convites, e
muitas vezes os melhores times ficavam de fora. Esses torneios têm um certo
caráter festivo, amistoso, são muitas vezes torneios de pré-temporada, de
preparação. A Copa Rio, por exemplo, serviu muito para celebrar o Maracanã
efetivamente terminado, uma vez que na Copa de 1950 ele estreou ainda sem estar
totalmente pronto. E a Copa Rio também serviu para resgatar a autoestima do
futebol brasileiro, só que não teve impacto mundial”, pontuou o comentarista.
Com a
decisão tomada pela FIFA em janeiro, que através do seu atual presidente,
Gianni Infantino, afirmou que a entidade só declara oficialmente campeões do
mundo os clubes que venceram o Mundial de Clubes a partir da edição dos anos
2000, a polêmica voltou a reacender, incluindo também outros clubes brasileiros
como Santos, São Paulo, Grêmio e Flamengo, que foram campeões da também extinta
Copa Intercontinental, que tinha o mesmo objetivo da Copa Rio. Para Bueno,
porém, essa decisão foi tomada por conta de interesses da própria entidade,
inclusive financeiros.
“A
FIFA faz o que lhe cabe, apenas reconhece e autentica torneios e premiações que
ela organiza. Isso serve para tudo. Houve Mundiais de futebol de salão e de
Beach Soccer antes de a Fifa assumir essas modalidades, por exemplo. A FIFA só
conta os Mundiais desde que ela assumiu. A FIFA criou seu prêmio de melhor
jogador do mundo depois da Bola de Ouro, que ela só reconheceu enquanto houve a
fusão dos dois prêmios. O mesmo vale para a Copa Intercontinental, que foi
absorvida pela FIFA. A máxima entidade do futebol, até por razões financeiras,
quer ter o controle de tudo que se refere ao futebol, mas quase nunca ela é
pioneira na organização das disputas. O futebol, aliás, nasceu bem antes da
FIFA”, reiterou Bueno.
Para
Bueno, porém, a paixão que move o futebol vem do torcedor, e por conta disso,
não há barreiras para títulos de campeonatos ou comunicados oficiais que
deslegitimem qualquer conquista.
“Eu
entendo que quem reconhece títulos, conquistas e premiações é o torcedor. Cada
um reconhece o que quiser. Se um torcedor do Palmeiras ou do Fluminense se
sente campeão mundial porque venceu a Copa Rio, é direito dele. Mas não é uma
eventual chancela da Fifa que vai obrigar todo mundo a considerar a mesma
coisa. A oficialização de uma entidade ou até mesmo da Justiça é importante,
mas não é algo fundamental e nem quer dizer que seja algo justo. O título do
Brasileiro de 1987 até hoje gera discussão por conta disso”, completou.

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