CUIDAR: O trunfo do Flamengo para a prevenção lesões.

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Foto: Divulgação

GARRAFÃO RUBRO-NEGRO: Por Rafael Rezende

A
sigla, por si só, já é autoexplicativa. Mas ao olhar o nome inteiro, é possível
entender porque o Flamengo investiu no Centro Unificado de Identificação e
Desenvolvimento de Atletas de Rendimento. Inaugurado em dezembro de 2015, o
projeto completou um ano recentemente e tem sido um sucesso na Gávea.
Para
entender melhor do que se trata, o GRN conversou exclusivamente com Izabel
Miranda, responsável por administrar todo o processo de trabalho. A
profissional detalhou como funciona.
– O
CUIDAR é o centro que foi criado para prevenir as lesões e, principalmente, o
excesso de treinamentos, além de melhorar o desempenho. A gente só consegue
fazer isso com a presença do fisioterapeuta, médico, nutricionista, preparador
físico e psicólogo. Também temos um consultório científico que faz a mediação
dessas informações para dar suporte às decisões internas. É um projeto a longo
prazo e atende as equipes de ponta, digo, as principais. Queremos formar
atletas para chegar no alto rendimento. A estrutura foi montada para atendermos
tudo e identificarmos o real talento com o intuito de trabalhar visando a
evolução – explicou e exemplificou.
Com
larga experiência no programa, por conta de sua passagem pelo Minas Tênis
Clube, a Coordenadora revelou a metodologia e fez um balanço geral.
– Nós
começamos o ano fazendo a avaliação da pré-temporada. Esse, talvez, é o carro
chefe do CUIDAR, o acompanhamento do estado atual do atleta. Como ele chega
aqui fisicamente, psicologicamente e em termos nutricionais, por meio do
percentual de gordura. Precisamos checar a saúde mesmo. Realizamos uma bateria
de testes para, a partir disso, começarmos o treinamento. Temos um planejamento
montado para todos e vamos direcionar as atividades em busca da melhora da
performance. Na base, vamos observar a evolução em quatro aspectos:
comportamental, físico, tático e técnico. O diferencial é esse. Começaremos com
trabalhos preventivos para evitar um afastamento. E o maior objetivo é preparar
meninos e meninas das categorias inferiores para serem submetidos a maiores
cargas sem o risco de comprometer nada. O pensamento é no futuro. Quatro anos é
o prazo mínimo para a formação, o máximo é dez. Vamos apresentar, em breve, uma
novidade: a integração das escolas com o esporte. A meta é estar presente na
vida do esportista desde cedo. Iremos verificar o rendimento escolar, que é um
pilar importante. O Flamengo pensa assim, e vamos montar um programa especial,
dando oportunidades para estagiários, pedagogos e professores – destrinchou.
O
basquete faz parte do processo e é peça fundamental na engrenagem. Devido a
unificação dos esportes olímpicos, funcionários, agora, vivem o mesmo dia a
dia. Questionada sobre o tema, Izabel destacou a importância.
– Nós
trabalhamos com a perspectiva de abordagem multidiscpilinar, que por si só,
valida o que fazemos. Existem programas internos com o técnico, que é o líder,
mas tem uma equipe por trás. Mais para frente, teremos encontros mensais ou
quinzenais, de olho no direcionamento de treinos. Certamente, o número de
lesões irá diminuir. Isso (união de profissionais) já está sendo um
diferencial. Muitos atletas estão procurando o clube por conhecimento do
investimento que vem sendo feito. Toda vez que chega alguém novo para conhecer
a estrutura, como foi o caso do Hakeem Rollins, a gente sente uma confiança. O
Flamengo tem a preocupação de apresentar um panorama favorável. Os pais do
pessoal da base que vêm aqui, ficam encantados com o centro. Eu, como mãe, iria
gostar se meu filho viesse para cá – abordou.
A
gerente esmiuçou a organização, apontou acertos e mostrou inovações.

Quando Póvoa e Vido me convidaram, a gente já tinha um planejamento
pré-estabelecido. Nesse tempo, cumprimos tudo e entregamos um pouco além do que
esperávamos. Eu achava que seria mais difícil. O Fla é uma grande força, mas
nada é fácil. Mudar a forma de pensar dos profissionais é complicado. Hoje,
após um ano, vejo a equipe organizada no atendimento ao atleta. O conceito do
CUIDAR é fornecer serviços ao esporte. Houve uma melhoria no acompanhamento
geral e na aproximação com os pais. Falta muita coisa à frente, temos um longo
caminho. Aqui, às vezes, o menos é mais. O simples se torna efetivo. Fizemos
setecentas avaliações, isso nunca tinha acontecido. É uma mudança significativa,
e estamos salvando vidas e fornecendo uma linha de trabalho. Vou adiantar até
uma informação: fechamos uma parceria de troca de conhecimentos. Vamos mandar
21 funcionários nossos para Colorado Springs, durante uma semana, para novas
experiências. Quatro gestores também irão à Londres para um encontro. Esses
dois acontecimentos são frutos da negociação excelente que o clube fez com os
dois comitês (americano e britânico). Creio que servimos de exemplo pela
seriedade – concluiu sua fala.
Rafael
Bernardelli, multicampeão com o FlaBasquete, passou a integrar a base de
sustentação do Centro. Em papo rápido, o preparador físico deu sua opinião com
argumentos relevantes.
– O
CUIDAR é importante porque dá uma estrutura altamente qualificada para atletas
e técnicos de esportes olímpicos trabalharem. As informações científicas ajudam
a diminuir o indíce de lesão e, com isso, o departamento médico fica mais
vazio. O método é simples e multidisciplinar. Fazemos uma avaliação completa
com cada um e formatamos o perfil. Assim, fica mais fácil identificar o ponto
negativo que pode ser melhorado – disse.
O
escolhido para encerrar foi Marcelo Vido que, de forma sucinta e objetiva,
complementou.

Hoje, o esporte é de rendimento. É preciso enfatizar que, ciência, conhecimento
e tecnologia precisam caminhar juntos. Não da para desassociar o crescimento
sem os pilares. E, claro, nós temos como prioridade de importância o desempenho
escolar dos nossos atletas. O Flamengo quer continuar sendo referência em todas
as áreas – finalizou.

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