Diegos, Souza e Ribas, são trunfos de Tite para mudar o jogo.

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Foto: Divulgação

ANDRÉ
ROCHA
: Um Diego, o Souza, não é centroavante no Sport, embora já tenha atuado
como referência na frente no próprio time pernambucano, no Vasco e em outros
clubes. O outro, o Ribas, por suas características, obrigou o técnico Zé
Ricardo a desfazer no Flamengo o 4-1-4-1, sistema de sua preferência e também o
de Tite, e deixar o meia mais centralizado e adiantado num 4-2-3-1.

Se
Tite sempre afirma que procura escolher os jogadores com o pensamento de que
eles cumpram na seleção as funções que exercem nos clubes, a convocação da
dupla para as vagas dos lesionados Gabriel Jesus e Lucas Lima – este também em
má fase –  seria uma incoerência, certo?
Pode
ser. E quase invariavelmente há polêmicas e divergências a cada lista
divulgada. Mas está claro que Tite os trata como reservas. E a ideia é
utilizá-los para mudar o jogo, se for preciso.
Porque
Gabriel Jesus até sabe fazer trabalho de pivô – e estava aprimorando no ataque
posicional de Pep Guardiola no Manchester City. Mas na seleção sua principal
virtude era aproveitar os espaços às costas da defesa e usar sua velocidade e
rapidez de raciocínio e execução.
Roberto
Firmino, o provável substituto para os jogos contra Uruguai e Paraguai, segue a
mesma linha e não vem sendo tão efetivo nas finalizações pelo Liverpool. Então,
se precisar de presença física na área e faro de gol, Tite conta com Diego
Souza, um dos artilheiros do Brasileiro do ano passado com 14 gols.
O
mesmo vale para o Diego do Flamengo, que não se enquadra nas características de
meio-campista que Tite aprecia como os centrais da linha de quatro à frente do
volante mais fixo. Não é reposição a Renato Augusto, o mais cerebral.
O meia
rubro-negro é jogador de condução de bola e finalização. Não passe e controle.
E sofre diante de marcações mais compactas e estreitas, porque precisa dominar,
girar para depois decidir o que fazer com a bola. Por isso teve dificuldades na
Europa nos últimos anos. Tite alega que ele entrou bem diante da Colômbia, mas
era o segundo tempo de um amistoso festivo.
Ainda
assim, se ele precisar em um momento de sufoco, de um meia que pise na área
adversária e acrescente presença física e contundência, Diego tem muito
acrescentar. Já marcou dez gols em 24 jogos pelo Flamengo.
Convocar
os dois depois do amistoso no Engenhão contra a Colômbia serve também e
principalmente como um aviso importante. Palavras do próprio treinador na
coletiva depois da divulgação dos nomes: 

”Então quero passar uma mensagem aos
atletas: prepare-se, jogue muito nos seus clubes, tenham um bom preparamento
físico. Atleta de alto nível a exigência é essa. Precisamos disso. Aí está a
oportunidade. Diego no lugar do Gabriel é a oportunidade”.

É o
remédio que Tite enxerga para evitar acomodação e grupo fechado, problemas
brasileiros na preparação desde o último título mundial em 2002. Agora não tem
Copa das Federações, ou das Ilusões, para vencer e se considerar preparado para
o Mundial. É uma vantagem.
A
outra é manter todos focados e atentos. Os Diegos aproveitaram suas chances e
entraram no radar.

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