Duelo entre Flamengo e Vasco teve três momentos distintos.

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GLOBO
ESPORTE
: A chuva, o apagão, o cata-cavaco invertido do árbitro Luis Antonio
Silva dos Santos, o pênalti mal marcado no fim. O Clássico dos Milhões teve
cenas dignas de um episódio antigo do Canal 100. No campo, na disputa de bola,
ele pode ser dividido em três diferentes atos que explicam a alternância de
Flamengo e Vasco durante partida, traduzida, no fim das contas, no 2 a 2 no
placar.
Da preparação
pormenorizada de Milton Mendes para o Vasco, passando pela reação implacável do
Flamengo após a expulsão de Luis Fabiano, finalizando no bem-sucedido abafa
cruz-maltino, assim se desenrolou a batalha tática no Estádio Mané Garrincha:
Primeiro ato: o nó tático do Vasco
Logo
após a vitória sobre o Madureira, Milton Mendes afirmou que começaria naquela
noite de quinta-feira a analisar o Flamengo para elaborar uma estratégia. O
estudo deu certo. O Vasco entrou em campo atento, cumprindo à risca o plano
traçado pelo treinador: marcar individualmente laterais rubro-negros, explorar
contra-ataques e esperar o momento certo para pressionar.

Soubemos neutralizá-los, usamos a velocidade, a arma que tínhamos treinado.
Tentamos esse cenário (nos treinos), e aconteceu realmente. Dentro disso
tínhamos planejado esse jogo, e em alguns momentos executamos – explicou o
treinador vascaíno.

Equipes no início do jogo: Vasco se preocupou em marcar laterais do Flamengo (Foto: GloboEsporte.com)
O gol
do Vasco saiu num lance treinado, segundo Milton. Pressionar Réver era a
estratégia, e Luis Fabiano executou perfeitamente, ao desarmar o zagueiro e
acionar Nenê para o cruzamento do gol de Pikachu. Naquele momento, o Vasco
tomava conta do jogo, trocava passes com facilidade e não era ameaçado.
O
Rubro-Negro, por sua vez, parecia não conseguir ditar sua habitual ideia de
jogo. Não trocava passes e errava. Tinha menos posse de bola do que de costume.
O meio de campo proporcionava espaços para o Vasco avançar, e os pontas pouco
apareciam. Zé Ricardo reconheceu o começo de jogo complicado. Após o apagão de
luz que deixou o estádio no escuro por alguns minutos, o Fla até ”acordou” e
quase empatou no fim da etapa, com boa jogada de Pará pela direita. Mas Damião
não chegou na bola.
Segundo ato: a expulsão de Luis Fabiano
O
Rubro-Negro melhorou mais na partida após Luis Fabiano ser expulso, aos oito
minutos do segundo tempo. Ali, o Vasco demorou para se recompor. Nenê ficou
isolado como atacante. O Flamengo foi implacável. Em 10 minutos, virou o jogo.
Com um
a mais, o Flamengo fez valer a vantagem em espaço com rapidez. Voltou a
acelerar também pelos lados do campo, explorando melhor as laterais. Os
jogadores do meio enfim conseguiram ser mais efetivos na saída. Com a confiança
em alta outra vez, parecia ter decidido o jogo do Mané Garrincha. A torcida,
empolgada, chegou a gritar olé.

Após expulsão, Fla acertou a troca de passes e foi para cima; Vasco se defendeu em 2 linhas (Foto: GloboEsporte.com)
Terceiro ato: o abafa cruz-maltino
Atrás
no placar e com um jogador a menos, o Vasco tinha poucas perspectivas na
partida. Mas a última mexida de Milton Mendes funcionou. Ao colocar Thalles no
lugar de Jean, ele empurrou o time para a frente e apostou numa pressão. O
centroavante fez companhia a Nenê no ataque, Escudero e Manga abriram pelas
pontas, e Douglas, incansável no meio-campo, foi o responsável pela contenção.
O
Flamengo tinha bastante campo para contra-atacar, mas não conseguiu. Pelo
contrário, se retraiu e viu o Vasco conseguir uma improvável pressão nos
minutos finais. Zé Ricardo colocou Marcelo Cirino no lugar de Berrío, mas o
atacante, sem jogar desde o início de fevereiro, cometeu duas faltas de frente
para a área. O jovem Paquetá substituiu Mancuello, correndo mais que o
argentino. Apesar da insistência vascaína, tudo levava a crer que o resultado
seria mantido.
Antes
do pênalti mal marcado convertido por Nenê, o Cruz-Maltino havia acertado o
travessão num chute de Douglas e quase empatado numa cabeçada de Jomar. O
empate, num lance equivocado (a bola bateu na barriga de Renê), premiou a
ousadia de Milton Mendes e castigou o recuo do lado rubro-negro no fim. 

Cirino entra, Paquetá mais veloz: Milton faz linha com quatro atacantes e vai para cima (Foto: GloboEsporte.com)

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