Ézio e Gaúcho, os artilheiros raiz de Flamengo x Fluminense.

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Gaúcho marca mais um: goleador do Fla e campeão da
Copa do Brasil, Carioca e Brasileiro (Reprodução)

GLOBO
ESPORTE
: Como dizem por aí: você, rubro-negro, você, tricolor, diria não a
esses homens da charge de Mario Alberto? Ézio e Gaúcho já não estão mais entre
nós, mas pertencem ao imaginário de torcedores rubro-negros e tricolores do fim
dos anos 1980 e do início dos anos 1990. Os dois faleceram de câncer. Super
Ézio foi antes, aos 45 anos, em 12 de novembro de 2011. O atacante campeão
brasileiro em 1992 faleceu em 17 de março de 2016. São símbolos de tempos que
não voltam mais.

O
GloboEsporte.com lembra um pouco dos jogadores de personalidades tão distintas,
mas que traduzem bem a brincadeira que ganha a internet. Nutellas jamais. Ézio
e Gaúcho eram artilheiros raiz, mas não eram só folclore. Longe disso. A média
de gols é impressionante – Ézio marcou 119 vezes em 236 partidas. Gaúcho, 98
gols em 199 jogos. Ou seja, os dois faziam um gol a cada dois jogos. Os
presidentes Abad e Bandeira lembram bem.
Bandeira:
“Lembro de Piá cruzando, Gaúcho lá em cima e era saco”

Gaúcho era irreverente, né. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente quando
fizemos homenagem a aniversariantes, ele fazia 50 anos, ganhou camisa com
número 50. Infelizmente ele faleceu. Mas a lembrança está na cabeça dos
rubro-negros – recordou Bandeira, colocando Gaúcho entre os melhores
cabeceadores que já viu no Fla. – Não sei se foi o melhor, mas quando me lembro
dele, lembro de Piá cruzando, Gaúcho lá em cima e era saco.
Abad:
“Super Ézio era meu ídolo”
– Tem
Fla-Flus inesquecíveis com Ézio. Tem um 4 a 1 que fez três gols (Nota: na
verdade o clássico foi 4 a 2). Ele fez muitos gols pelo clube, tem presença
maciça em Fla-Flus. Jogador que admirava muito, era meu ídolo. Não era maior
centroavante em técnica que o Fluminense já teve, mas era jogador de muita
garra, muita dedicação, e em Fla-Flu não tem nem o que dizer. Jogador que mora
no meu coração. Fiquei muito triste pelo falecimento dele. Espero que o
espírito dele encarne amanhã no Henrique Dourado para ele fazer gol no Flamengo
também.
Gaúcho ator
O
vascaíno Chico Anysio teve que aturar Gaúcho tirando onda na “Escolinha do
Professor Raimundo”, na TV. Foi logo depois da vitória rubro-negra sobre o
Vasco em 1991. Os jogadores do Flamengo no dia anterior foram assistir um
espetáculo do comediante, e Gaúcho combinou que se fizesse o gol ia imitar o
“seu Boneco”, personagem interpretado por Lug de Paula, filho de
Chico. Mas a gozação maior foi do amigo inseparável Renato.

Gaúcho não poderia ter encontrado um personagem tão parecido com ele. Barrigudo
e sem qualquer mobilidade. Se ele é o “Boneco”, sou o professor
Raimundo – disse o sempre criativo e modesto Renato Gaúcho, hoje técnico do
Grêmio.
Super-herói e bom moço
De
estilo mais caladão, Ézio assumiu o apelido colocado pelo narrador da TV
Bandeirantes, Januário de Oliveira. O “Super Ézio” virou nome e
sobrenome do atacante, que não era, digamos, tão fanfarrão quanto Gaúcho, era o
jogador boa praça.
– Ézio
não tinha estilo brincalhão, mas muito simpático. Sentava, conversava, gostava
de bater papo. Em 30 anos de profissão não lembro de um jogador tão atencioso
quanto ele. Atendia a imprensa onde estivesse, depois de derrota. Não importa a
situação – recorda Cícero Mello, repórter da ESPN.
O namorador
Em
entrevista ao jornal “O Globo”, Gaúcho, ao lado de Renato, não
pensava um segundo antes de responder sobre suposta homossexualidade dos
amigos.
– Os
homens acham que sou gay. As mulheres provam e gostam – disse, que era cliente
assíduo da boate Hippopotamus e considerava a apresentadora Xuxa a mulher mais
bonita do país.
Gaúcho
provocava Renato e dizia que não ia casar, que preferia a vida de solteiro no
Rio, com cerveja, uísque, praia e futebol. O repórter Sergio Américo, com
passagem pela Rádio Tupi, Rádio Globo e Bradesco FM, lembra bem das histórias
de Gaúcho.
– Todo
mundo sabia das noitadas dele, com Renato. Era terrível. Mas depois ele casou
com a atriz Inês Galvão, aí sossegou – contou Sergio Américo, lembrando da
viúva do ex-jogador.
Romântico
Ézio
tinha outro estilo. Mais na dele, mais discreto, ele caiu perdidamente
apaixonado ao conhecer uma bela campeã de bodyboard, Isabela Nogueira. Vizinha
de apartamento, a surfista conquistou o Super Ézio, que se saiu com esta bela
frase de efeito à época.

Hoje, minha solidão dura o tempo que levo para descer do décimo ao primeiro
andar – filosofou o atacante em entrevista.
Artilharia pesada
Os
dois jogadores se enfrentaram algumas vezes. No vácuo da saída de Romário e
Bebeto do futebol brasileiro, os dois dividiram artilharia por três anos.
Gaúcho foi artilheiro em 1990 e 1991, Ézio, de 1992. Na disputa de 1991, Gaúcho
provocava.
– Está
ruim para o lado deles. Sempre fui artilheiro, não vai ser agora que vão me
ultrapassar – dizia.
Ézio,
mais político, saía pela tangente.
– Quem
está fora do campo pode acabar pensando que sou egoísta e que quero concluir as
jogadas sozinho. Acabaria sendo chamado de fominha – ponderava o Super Ézio.
Em
meio a breve seca de gols, Ézio foi até a fonte para voltar a marcar. Viajou
para Ponte de Itabapoana, cidade natal, para banhar-se na cachoeira.

Precisava sair um pouco desse ambiente. Águas da cachoeira foram importantes,
mas o cruzamento do Márcio e a deixada do Renato também – disse, dividindo o
mérito pelo gol com companheiros do Fluminense.

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