Flamengo alcança excelência no tratamento e prevenção de lesão.

24
Médicos e fisioterapeutas do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

EXTRA
GLOBO
: A partir de 2016, o Flamengo contabiliza mais de 90% de seu elenco à
disposição durante toda a temporada, número que supera o valor mínimo estabelecido
pela Uefa, de 80%. A escassez de lesões e o rodízio de jogadores nas partidas
também em 2017 comprovam o sucesso da metodologia aplicada pelo Centro de
Excelência em Performance do clube aplica há um ano.

Com
uma série de informações e relatórios em mãos, o técnico Zé Ricardo organiza
treinamentos e define com quem pode contar nas partidas. No domingo, não terá
Rômulo, que segue para o CEP para fazer reforço, e volta Márcio Araújo. Nesse
contexto, a comissão determina a brecha para o aproveitamento de jovens e maior
rotatividade do elenco, com o objetivo de tornar homogênea a condição física e
técnica dos atletas em meio a um calendário de jogos apertado e de viagens pelo
país.
— O
que dá mais segurança para o treinador fazer o rodízio é saber que todas as
áreas falam a mesma língua. Não adianta só tecnologia. Não adianta ter uma
Ferrari se você só dirige um Fusca — afirmou Márcio Tannure, coordenador médico
do CEP Fla. Depois de viajar por centros de treinamentos na Inglaterra, o
profissional voltou com o orgulho na bagagem.

Observei essa pesquisa da UEFA para avaliar o nosso resultado. Houve queda
drástica do número de lesões já no ano passado. E desde o início do ano
mantivemos o índice. Comparado a outros times de referência, o Flamengo ficou
bem ranqueado mesmo com muito mais jogos — vibra.
O
trabalho que levou a esse resultado partiu da qualificação dos profissionais do
clube para a utilização de tecnologias que somadas representam um investimento
alto. Após um ano de experiência com total integração entre os setores da
comissão técnica, o Flamengo quer transformar as anotações e observações em um
verdadeiro caderno metodológico para ser, quem sabe, exportado.

Queremos criar um caderno metodológico, com estudo próprio, isso passa por um
processo de educação continuada, com novas praticas para as pessoas entenderem
e saberem onde querem chegar. Isso foi feito com profissionais da base e
profissional — conta Tannure.
Tecnologia e rotina
A
implementação de equipamentos de GPS, variabilidade de frequência, mas
principalmente exercícios para objetivos como equilíbrio muscular e o método
funcional, reeducaram os atletas. Diariamente, no quadro de avisos e por email,
as tarefas individualizadas são detalhadas. A cada treino, Zé Ricardo sabe o
que fazer com o grupo que joga constantemente, com o que espera para entrar e
com o que não é relacionado.
Nesse
contexto, cada atleta entregue ao departamento físico e médico só é devolvido
ao treinador quando está 100%. Dentre os exemplos recentes, Diego é o principal.
Chegou da Europa e teve a estreia adiada para ser totalmente preparado. Quando
entrou, não saiu mais, e sequer sentiu adaptação. O método vale para Ederson e
Conca, os únicos hoje ainda em transição para o campo.
Para
os atletas que tem jogado, o método é diferente. Quem acusa um desconforto ou
tem algum sinal detectado em exame, é entregue ao departamento médico para
corrigir os problemas antes da lesão aparecer. Casos recentes de Berrío,
Gabriel e Rômulo. Tão logo curam a fadiga, voltam sem maiores problemas.
— As
informações fazem a gente chegar a diagnóstico e fornecer o máximo para o
treinador. Isso vai ajudar a tomada de decisão — diz Tannure, cobrando avanço
de todos os clubes nessa direção.
— A
gente no Brasil parou no tempo. Em metodologia e treinamento. O futebol mudou.
Os números mostram intensidade. Tem que mudar o treinamento. Com a evolução nos
últimos dez anos, não pode fazer a mesma coisa. É burrice.

COMENTÁRIOS: