Flamengo mostra soberânia sobre o Corinthians em audiência.

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Escudo do Flamengo no gramado do Maracanã – Foto: Gilvan de Souza

BLOG TEORIA DOS JOGOS: INTRODUÇÃO

Desde
que a questão das audiências televisivas ganhou destaque, questiona-se a
respeito de quem teria os melhores números nacionalmente. Até bem pouco, correr
atrás deste tipo de informação era impossível: antes de 2013, praticamente só
se divulgavam as audiências da cidade de São Paulo. De quatro anos pra cá –
período em que o Blog Teoria dos Jogos passou a monitorar tais estatísticas – o
Rio ganhou igual destaque. O problema era saber o que se passava país
adentro.  Mas desde julho passado, a
Kantar Ibope Media – empresa responsável pela mensuração das audiências
televisivas – começou a publicar seu top-10 semanal. E assim, tornou-se
possível ter ao menos uma ideia das audiências não apenas nas duas principais
metrópoles.
Por se
tratar de um trabalho de tabulação exaustivo, esta coluna focará na comparação
exclusiva dos números relacionados a Flamengo e Corinthians. Não sem antes
deixar bem claras as limitações do modelo. Em primeiro lugar, não estão
contemplados todos os jogos destas equipes, apenas aqueles que deram audiência
suficiente para integrarem o top-10 semanal da TV Globo. Por isto a quantidade
muito maior de partidas às quartas, dados seus números tradicionalmente
superiores. Isto faz também com que alguns clubes estejam presentes no
levantamento de carona em audiências proporcionadas por “puxadores de
audiência” nacionais.
Especificamente
no tocante a Mengão e Timão, é impossível não considerar a questão da fase dos
times, principalmente pelo recorte (iniciado em 04/07/2016) não ser benéfico
aos paulistas. Ele exclui, por exemplo, toda a participação alvinegra na
Libertadores 2016. A partir desta data, o Flamengo lutou pelo título brasileiro
e disputa a competição continental em 2017, enquanto o Corinthians vem tendo
papel secundário em torneios de caráter nacional.
Ainda
assim, a análise dos números é válida. Ela torna possível avaliar o impacto da
veiculação de clássicos como o Fla x Flu ou Corinthians x Santos fora de suas
praças de origem. Descobrir a afeição em capitais de maioria rubro-negra –
casos de Manaus, Brasília e Vitória – ou corintiana (Campinas). E avaliar a
relação distanciada de metrópoles como Goiânia, Recife, Curitiba ou Salvador.
Boas ou más fases tendem a ter maior efeito nas cidades-sede, se dissipando e
fazendo menos diferença em outras capitais do país.
CARACTERÍSTICAS
REGIONAIS E ESPECIFICIDADES
Antes,
uma breve pincelada nas características deste levantamento, bem como da demanda
por jogos de futebol na TV Globo. O monitoramento Kantar/Ibope contempla quinze
regiões metropolitanas, sendo elas São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Belo
Horizonte, Campinas, Curitiba, Brasília (DF), Florianópolis, Fortaleza,
Goiânia, Manaus, Porto Alegre (POA), Recife, Salvador e Vitória. A amostra
iniciada em julho não contempla os números do último final de semana.
Enquanto
em algumas regiões a Globo tem enorme facilidade em angariar boas audiências
com futebol (ex: Belém, Florianópolis, Manaus e Porto Alegre), em outras,
números satisfatórios são uma verdadeira prova de fogo – casos de Curitiba,
Goiânia e Salvador.
Uma
separação importante é expor as audiências por dia de semana – quais sejam, às
quartas e domingos. Isto porque os números variam de maneira representativa,
sendo muito maiores em jogos durante a semana. Prova disto são as poucas
partidas dominicais que compuseram o top-10 de audiências.
AS AUDIÊNCIAS DO FLAMENGO
Sem
maiores divagações, vamos ao levantamento das audiências relativas ao Flamengo
no período entre julho/2016 e março 2017:

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Até
pela já citada boa fase que vem atravessando, o Rubro-Negro foi o clube que
mais emplacou partidas no top-10 de audiências semanais da Globo: doze. Foram
dez às quartas feiras (contra Santos, Palmeiras, Ponte e América/MG pelo
Brasileirão; Figueirense (2) e Palestino (2), pela Copa Sul Americana; San
Lorenzo e Universidad, pela Libertadores) e duas aos domingos (Internacional,
pelo Brasileirão, e Fluminense, pelo Carioca 2017).
Duas
praças não tinham partidas do Flamengo compondo seu top-10: São Paulo e
Campinas – esta última, praticamente um espelho da capital. Outras cidades com
pouca penetração rubro-negra foram Porto Alegre (2 jogos), Belo Horizonte (3),
Curitiba e Recife (4). Em direção oposta, Brasília e Manaus assistiram às
mesmas doze partidas veiculadas no Rio. Vitória, tradicional espelho carioca,
estranhamente optou por Palmeiras x São Paulo na noite em que o Fla media forças
com a Ponte Preta. Entre as praças que mais o acompanharam, Belém (11),
Salvador (10), Florianópolis e Goiânia (9).
AS AUDIÊNCIAS DOS CORINTHIANS

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O
Corinthians compôs as dez maiores audiências globais em nove oportunidades,
sendo oito quartas-feiras. Os embates foram contra Atlético/PR, Coritiba e
Figueirense (Brasileirão), Fluminense (2), Cruzeiro (2) e Brusque (Copa do
Brasil, a última já pela edição 2017). Já o único domingo trouxe à tela o
clássico diante do Santos, válido pelo Brasileirão passado.
Antes
de se ater à comparação das audiências em si, o Corinthians ficou bem atrás do
Flamengo no número de jogos veiculados na maioria das praças. Fora Campinas,
quem mais o acompanhou foram Curitiba (seis), Porto Alegre e Belo Horizonte
(cinco oportunidades). As demais metrópoles ficam entre três e nenhum
televisionamento corintiano – casos de Rio de Janeiro, Manaus e Vitória.
AUDIÊNCIAS
COMPARATIVAS – FLA X COR
As
maiores médias do Flamengo ocorreram em praças que em nenhum momento optaram
pelo Corinthians. E elas foram robustas: 31,5 pontos (às quartas) e 30,3 pontos
(domingos) em Manaus – cidade onde o Flamengo se sai melhor. 30,2 pontos (Q) e
28,8 (D) no Rio. E 28 pontos (Q) + 29,8 (D) em Vitória. Em suas praças
exclusivas, o Corinthians marcou 24,2 (Q) e 24,1 (D) em Sampa, enquanto
Campinas apresentou 23,4 pontos às quartas e 26,7 aos domingos, num caso pouco
comum de melhoria aos finais de semana.
Em
Brasília e Belém, o Flamengo se saiu muito melhor. Na capital federal, a bem da
verdade, a vitória foi de goleada: médias de 27,1 (Q) e 25,1 pontos (D), contra
apenas 18,2 (Q) e 17,9 (D) dos paulistas em seus dois únicos jogos
televisionados por lá. Já em Belém, o Fla venceu marcando 27,3 (Q) e 26,5 (Q)
contra 24,9 (Q) e 21 (D) dos rivais interestaduais.
Em
Belo Horizonte, vitória rubro-negra com menos folga: 22,1 (Q) com 19,2 (D)
contra 21,6 (Q) e 16,5 (D). Mas pesa a favor do Corinthians o fato de ter
encarado um time local por duas ocasiões: o Cruzeiro, pelas quartas-de-final da
Copa do Brasil. Ou seja, o grosso das audiências que inflaram seus números em
BH se deu por conta da preferência do telespectador pela Raposa.
Em
Fortaleza, outra superioridade carioca com margem mediana: 21,4 pontos (Q) e
19,9 (D) contra 20,1 (Q) e 16,6 (D) do Corinthians. O mesmo aconteceu em
Goiânia, a quinta capital de supremacia flamenguista: 18,3 (Q) + 20 (D) contra
17,2 (Q) + 16,8 do time paulista. O Recife foi a sexta: 19,2 pontos do Fla
contra 18 do único jogo do Corinthians às quartas. Domingo houve apenas um jogo
rubro negro, nenhum alvinegro.
Em
Curitiba e Salvador, o melhor desempenho se mostrou indefinido. Na capital
paranaense, o Flamengo foi melhor às quartas (20,6 a 18,6 pontos), dia que
concentra o grosso das partidas presentes no ranking. Mas no único embate
dominical de ambos, deu Corinthians: 16,7 pontos num Santos x Corinthians,
contra 14 pontos daquele Internacional x Flamengo. O mesmo acontece em terras
soteropolitanas, com cariocas levemente superiores às quartas (21,2 a 21) e
paulistas se saindo melhor no mesmo clássico (19,2 a 15,6), em detrimento do
Inter x Fla.
Outra
capital de supremacia indefinida é Porto Alegre – apesar de os números novamente
apontarem para um desempenho superior do Flamengo. De novo melhor às quartas, o
Fla teve em seu benefício a escassez de ser veiculado apenas na chamativa
partida diante do Palmeiras. O Corinthians teve quatro jogos em POA, sendo
alguns de bem pouco apelo. Mais: o jogo dominical do Rubro Negro foi contra o
Internacional, enquanto o do Corinthians foi contra o Santos. E o clássico
paulista nem ficou tão abaixo.
Por
fim, a cidade em que o Corinthians se saiu melhor foi Florianópolis. Às
quartas, venceu por 29,4 pontos contra 28,2 dos oito jogos do Flamengo na
cidade. Só que a única partida do Corinthians foi contra o catarinense Brusque,
o que presumiria um benefício. Isto se o Flamengo não tivesse, por duas
oportunidade, encarado o localíssimo Figueirense pela Copa Sul Americana. Aos
domingos, um jogo pra cada lado e nova vitória corintiana por 16,2 a 15,6.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Apesar
das limitações do modelo – tanto melhor se contemplasse a totalidade das
partidas, e não apenas as de melhor audiência – as tabelas não deixam de ser
esclarecedoras. Principalmente em tempos em que reformula-se o rateio do
dinheiro da TV aberta: a partir de 2019, se dará uma partilha 40% igualitária e
60% por performance (metade televisiva, metade por desempenho esportivo).
Seja
por conta das fases distintas ou não, resta claro que, nos últimos meses, o
Flamengo vem se saindo bem melhor do que o Corinthians em termos nacionais.
Algo que, em breve, se refletirá no montante a adentrar os cofres de cada
clube. Historicamente, Fla e Corinthians vieram equiparados pela Rede Globo na
condição de detentores da maior fatia, em igualdade de condições. Muito por
conta dos números nacionais de audiência do Flamengo,  aqui verificados. E também pela hegemonia
corintiana nos mercados mais valorizados pela publicidade nacional: a cidade e
o estado de São Paulo.
PS: Em breve apresentaremos as
audiências locais das regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre e
Recife – as que melhor permitem comparações entre os clubes das respectivas
cidades.
Um
grande abraço e saudações!
E-mail
da coluna: teoriadosjogos@globo.com
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