Flamengo reclama de custos do Maraca para enfrentar Atlético-PR.

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Foto: Getty Images

EPOCA
EC
: O Flamengo se aproximou de um novo acordo com a Odebrecht, administradora
do Maracanã, para jogar no estádio seu segundo jogo da Copa Libertadores,
contra o Atlético-PR. Pode ser o último – ao menos no que depender de Eduardo
Bandeira de Mello, presidente flamenguista, caso a empreiteira não mude de
postura. O clube enfrentou nessa negociação o mesmo problema que já tinha
encarado antes da primeira partida, na semana passada, diante do San Lorenzo: a
construtora cobra valores abusivos pelo aluguel.

Vamos
recapitular. A Odebrecht não quer mais administrar o Maracanã, o governo do Rio
de Janeiro ainda não encontrou uma solução para a saída da empreiteira do
negócio, e o estádio foi abandonado. Na expectativa pelo público e renda
típicos da Libertadores, o Flamengo topou, para a primeira partida, gastar R$
1,7 milhão para recuperar o estádio – o valor incluiu R$ 1,35 milhão em contas
de luz atrasadas, o reparo do gramado, entre outros serviços que originalmente
cabiam à empreiteira, não aos clubes.
Uma
vez que o Maracanã tem novamente condições de jogo, era de esperar que a
Odebrecht cobrasse aluguéis mais baixos nos jogos seguintes. Mas não. A
construtora passou a cobrar valores muito mais altos que de costume para,
deliberadamente, afastar o futebol do estádio. Para o clássico entre Vasco e
Botafogo, pela segunda etapa do Campeonato Carioca, a Odebrecht quis R$ 1,3
milhão. Os times jogaram no estádio Nilton Santos. Para o clássico entre
Flamengo e Vasco, também pelo Carioca, a construtora exigiu R$ 500 mil. O jogo
vai para o Mané Garrincha, em Brasília.
Bandeira
de Mello não fala em valores, pois há cláusula de confidencialidade entre Flamengo
e Odebrecht no acordo que tange o jogo contra o Atlético-PR a ser realizado no
Maracanã, mas os números são mais altos do que em outros tempos. Em 2014,
quando o time também disputou a Libertadores, os aluguéis cobrados pela
construtora para o uso do Maracanã foram de R$ 262 mil, R$ 279 mil e R$ 447
mil, respectivamente para os jogos contra Emelec, Bolívar e León. Todos muito
abaixo dos valores exigidos pela empresa em 2017.
Se o
contexto continuar como está, aumenta a possibilidade de o Flamengo jogar o
restante de suas partidas da Libertadores e do Carioca longe do Maracanã. O
presidente rubro-negro, em contato com ÉPOCA, afirma que só continuará no
estádio comandado pela Odebrecht “com um acordo razoável”. 

“Podemos até
negociar, desde que em condições que sejam boas para todos os lados”, diz
Bandeira de Mello. 

Não será o melhor cenário para o Flamengo no aspecto
financeiro, tampouco no esportivo. Nem será o uso adequado para o Maracanã, um
estádio público que fora reformado para a Copa do Mundo por R$ 1,3 bilhão. Mas
é o cenário em que a Odebrecht e o governo do Rio de Janeiro jogaram o estádio,
os clubes e o futebol em 2017.

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