Marco Polo dá “tapa na cara” do Presidente do Flamengo.

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Foto: Divulgação

COSME
RIMOLI
: Foi um tapa na cara de quem voltou a vibrar pela Seleção Brasileira.

Demonstração
de quanto a CBF não abre mão do poder.
E,
principalmente, a omissão, covardia dos grandes clubes deste país.
Enquanto
o mundo do futebol se preparava para uma dose de democracia, por imposição dos
ajustes à Lei do Profut, com a participação dos clubes das Séries A e B na
eleição para a presidência da CBF, veio a absurda manobra.
Se a
CBF mantivesse a mesma fórmula de votação, o poder saltaria das Federações para
os clubes. Afinal, são 27 Federações e 40 clubes. Os clubes, razão da
existência das Federações e da CBF, teriam a capacidade de escolher o
mandatário no futebol brasileiro.
Só que
Marco Polo del Nero tomou uma decisão surpreendente.
Decidiu
que os votos das Federações passariam a ter peso três na eleição. Os dos clubes
da Série A, dois. E um para as equipes da Série B. Ou seja, unidas as
Federações chegam 81 votos contra 60 dos clubes.
A
decisão foi maquiavélica.
Manteve
o poder nas mãos da CBF.
A
fórmula primária será mantida.
O
poder do grupo de Marco Polo será mantido indefinidamente.
Ele dá
força, elege os presidentes das Federações que são fiéis.
Contribui
financeiramente.
Mantém
os Campeonatos Estaduais.
Paga,
com o dinheiro da CBF, salários.
Lógico
que, em troca, tem seus votos em qualquer eleição.
Torna
impossível um candidato lançado por um clube vencer.
Ou até
mesmo concorrer.
Uma
cláusula escandalosa e abusiva foi mantida.

pode concorrer à presidência da CBF quem tiver o apoio por escrito de cinco
clubes. E oito federações! A chance é nula de surgirem oito presidentes de
Federações rebeldes. Marco Polo del Nero enterrou o sonho do deputado federal
do PT e seu inimigo número um, Andrés Sanchez, de concorrer.
Além
disso, para agradar ainda mais as federações, não serão mais cinco
vice-presidentes da CBF. Mas oito. Ou seja, todos afinados com Marco Polo e com
direito a voto. É algo estarrecedor! Del Nero conseguiu ficar ainda mais forte
e tornou a entidade menos democrática. Um retrocesso assustador.
Mas a
culpa não é de Marco Polo.
Mas da
cumplicidade covarde dos clubes.
Eles
tinham dois representantes no Comitê de Reforma da CBF.
O
presidente Leco, do São Paulo.
E
Carlos Eduardo Pereira, do Botafogo.
Eles
não foram sequer avisados da reunião de ontem.
A CBF
fez o que quis.
E os
clubes seguem calados, desunidos.
Os
inúmeros empréstimos que fizeram à entidade os calam.
Assim
como o medo de represálias.
O
máximo que fazem é desabafar na imprensa.
“Não
gostei. Acho que os clubes foram traídos. Como clube, me senti assim. Tínhamos
40 votos e as Federações 27. Em um passe de mágica, passaram a ter 81 contra
60. Eu não gosto de mandracaria. Acho que não dá para reverter. Não acho
ilegal. Mas acho que foi incorreto”, disse o presidente do Santos, Modesto
Roma.
“Sou
a favor de pesos iguais para todo mundo. O Flamengo sempre firmou a posição a
favor de votos iguais para todo mundo. Esse foi o espírito do Profut”,
avisou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.
“A
matemática está errada. Federações com clubes na Série A têm de ter um peso
maior. Não pode os dez clubes principais do Brasil, que representam maior a
receita, terem menos pesos que cinco federações de estados que nunca
participaram do futebol brasileiro”, desabafou o presidente do Atlético
Mineiro, Daniel Nepomuceno.
O
secretário-geral da CBF, Walter Feldman, foi hábil ao defender a manobra
absolutista. “Não vejo motivo para os clubes serem contra. As federações
estaduais representam 1.117 clubes ativos no país, 700 equipes profissionais.
Se não criássemos esses pesos, colocaríamos a elite para comandar o futebol.
Seria uma falha do ponto de vista democrático.”
Tudo
envolvendo o Profut foi vergonhoso.
A
deposta presidente Dilma Rousseff resolveu usar a popularidade do futebol. E
usou de maneira triste o dinheiro público. Pegou R$ 4 bilhões de dívidas dos
clubes em impostos e dívidas trabalhistas e dividiu o pagamento em 20 anos. 240
meses. Um acinte. Por que a presidenta não fez o mesmo com empresas que são
processadas e fechadas pelas mesmas dívidas?
Esses
R$ 4 bilhões de dívidas nasceram em administrações incompetentes,
irresponsáveis e muitas vezes corruptas dos clubes. Mas Dilma e seus inúmeros
assessores não quiseram nem saber. Deram esse parcelamento constrangedor.
Exigiu
apenas que as gestões dos clubes fossem mais transparentes.
E a
CBF mais democrática.
Sonhava
também com todos investindo no futebol feminino.
Nos
outros esportes.
Os
clubes mudaram seus estatutos para ter esse benefício.
Com
exceção de alguns, como o Palmeiras.
Quis
ter o direito de gastar com o futebol quanto quiser.
Resultado
do populismo de Dilma?
Ninguém
quer saber de formar times de mulheres.
Marta
não lutou pela cidadania sueca à toa.
Os
esportes ‘amadores’ seguem largados.
E a
CBF está mais fechada, mais autoritária do que nunca.
Em um
esquema de votação claramente viciado.
Que
tira qualquer possibilidade dos clubes chegarem ao poder.
De
quem é a culpa?
Da
desunião, da covardia dos dirigentes dos grandes clubes.
Essa
paralisia mental, bovina, não começou hoje.
Por
isso João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo del Nero
não tiveram qualquer dificuldade para comandar o futebol brasileiro. A seu bel
prazer. E criaram capitanias hereditárias.
Por
isso é preciso separar.
A
Seleção Brasileira está sob o comando, mas não é a CBF.
Caso
contrário, ninguém teria coragem de aplaudir o time de Tite…

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