Mudanças na CBF ocorreram sem aviso aos Clubes.

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Foto: Andressa Anholete/AFP

FOLHA
DE SÃO PAULO
: Nesta quinta-feira (23), a Confederação Brasileira de Futebol
(CBF) promoveu medida que manteve a concentração do poder decisório das
federações nas eleições presidenciais da entidade, quebrando expectativa dos
clubes de ganhar mais influência no processo.

A
decisão foi tomada em assembleia realizada pela manhã, sobre a qual clubes
procurados pela Folha disseram que não foram avisados. Dirigentes de 13 das 20
equipes da Série A do Campeonato Brasileiro confirmaram que não sabiam do
encontro, nem da decisão que diminuiu o poder do voto das equipes dos times da
elite.
A
assembleia desta quinta confirmou a inclusão dos 20 clubes da Série B na
eleição, prevista em lei. Os outros 20 times da Série A já tinham assentos no
colégio eleitoral da entidade.
A
partir de agora, 40 clubes e 27 federações votam.
Apesar
da ampliação da participação das equipes, a CBF acertou com os presidentes de
federações que participaram do encontro a inclusão de um artigo que muda o peso
dos votos.
Pela
nova regra, o voto de cada uma das 27 federações terá peso três. Já os times da
Série A do Brasileiro terão peso dois em cada voto. Os clubes da Série B, por
sua vez, ficaram com peso um.
Assim,
as federações permanecerão como maioria. No total, os cartolas estaduais terão
81 votos contra 60 dos clubes. Até o pleito de 2014, quando o atual presidente
Marco Polo Del Nero foi eleito, a escolha do presidente tinha 47 votos (27 de
federações e 20 de clubes da primeira divisão, sem distinção de peso entidades
e equipes).
“Não
fomos convidados para discutir essa ideia. Sou favorável a votos dos clubes com
pesos iguais”, disse Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo.
“A
medida deveria ter sido discutida antes conosco. É complicado e não é o que
estava combinado. E foi do jeito certo na eleição do coronel Nunes”,
completou Modesto Roma, presidente do Santos.
“Não
sabia da assembleia e, se você quer que eu entre no mérito, não estou de
acordo. O processo foi feito de forma para que federações continuassem a ter
mais influência”, afirmou Eurico Miranda, presidente do Vasco.
Por
lei, a CBF era obrigada a incluir os times da Série B na eleição. Na escolha do
paraense Antonio Carlos Nunes, o coronel Nunes, como vice, já houve
participação desses times no final de 2015.
“Vejo
com bons olhos a inclusão da Série B. É bom para a democracia. É um avanço, mas
acredito que para termos uma democracia maior os votos dos clubes deveriam ter
peso igual”, afirmou Alencar Magalhães, presidente do América-MG, que
disputará a Série B em 2017.
LIMITE PARA CHAPA
A CBF
manteve regra que obriga o candidato ao comando da entidade ter o apoio de oito
presidentes de federações e cinco clubes para lançar uma chapa para a escolha
do presidente. A cláusula praticamente inviabiliza uma candidatura de oposição.
O
próximo pleito da entidade será em 2018. Marco Polo del Nero deverá tentar a
reeleição. O cartola é acusado pelo FBI de se beneficiar do esquema de propina
na venda de direitos de torneios no exterior e no país.
A
maioria das federações depende da ajuda de custo da CBF para sobreviver. A
entidade comandada por Del Nero repassa cerca de R$ 50 mil mensais para cada
uma delas.

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