Palmeiras tenta atrapalhar negociação do Flamengo com E. Ribeiro.

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Everton Ribeiro interessa ao Flamengo – Foto: Doug Patrício

MARCEL
RIZZO
: A disputa que se desenhou entre Flamengo e Palmeiras pelo meia Everton
Ribeiro, do Al-Ahly (Emirados Árabes), estendeu a rivalidade do final de 2016,
quando os times duelaram até as rodadas finais o título brasileiro, vencido
pelos paulistas. Mas destacou também uma estratégia usada no futebol atual em
negociações: reforce seu time, mas também desfalque os rivais.

A
possibilidade de ter Everton Ribeiro, melhor jogador do Brasileiro em 2013 e
2014, anos de títulos do Cruzeiro, atiçou clubes do país. Além de Flamengo e
Palmeiras, o São Paulo e o Cruzeiro demonstraram interesse – há altos valores
envolvidos, mais de R$ 13 milhões, que deixaram qualquer transação em
banho-maria.
A
questão é que hoje os clubes projetam reforçar seu time, mas também olham para
o mercado para evitar que os rivais fiquem mais fortes. O Palmeiras usou essa
estratégia com ao menos dois atletas do atual elenco.
Keno,
destaque do Santa Cruz em 2016, esteve muito perto de fechar com o Santos.
Vice-campeão brasileiro em 2016 e vice da Copa do Brasil em 2015, títulos
levantados pelo Palmeiras, o Santos é um adversário incômodo. Por que, então,
deixar que o adversário se reforce com um talento se você pode ter esse atleta?
Foi o que aconteceu com Keno.
Num
primeiro momento, não se apostaria que Keno chegaria ao Palmeiras com status de
titular – e nem é, atualmente, apesar de Eduardo Baptista preferir ele a Róger
Guedes em diversas partidas. Keno foi um reforço ao elenco, mas muito mais um
desfalque ao rival.
Outro
exemplo foi Raphael Veiga, meia que foi destaque do Coritiba no ano passado. O
Corinthians esteve perto de anunciar a contratação, mas o Palmeiras entrou
forte na briga, e levou o atleta, considerado promessa. Ele não tem sido
utilizado com tanta frequência, como era de se esperar com o elenco estrelado
do Palmeiras. Mas deixou de reforçar o adversário.
Dudu,
em 2015, foi contratado em disputa com Corinthians e São Paulo, mas é um atleta
com perfil diferente de Keno e Veiga. Dudu chegou para primeiro resolver, muito
mais do que simplesmente desfalcar os adversários.
Em
entrevista ao programa Mesa Redonda, da TV Gazeta, no domingo à noite, o
presidente palmeirense, Mauricio Galiotte, descartou Ribeiro alegando ter muita
gente no setor, e citou Dudu, Michel Bastos e Guerra. O perfil de Ribeiro,
realmente, é mais caro e diferente dos de Keno e Veiga, que são apostas e podem
ser enquadrados na estratégia de desfalcar rivais.
Mas o
Palmeiras quis Ribeiro, primeiro por sua qualidade, mas também porque entendeu
que o Flamengo, hoje considerado o principal adversário na Libertadores e pelo bi
do Brasileiro, ficaria forte com ele. Alexandre Mattos, há algumas semanas,
acabou priorizando a negociação com Borja, sonho de consumo do clube, e deixou
espaço para o Flamengo se tornar o favorito para levar o meia que está na
Arábia. Resta saber se a negociação vai para frente, ou não.

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