Para Cosme Rimoli, Tite quer Diego (Flamengo) na Copa da Rússia.

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Meia Diego Ribas, do Flamengo, na Seleção Brasileira – Foto: Otto Greule Jr/Getty Images

COSME RIMOLI: Tite deixou bem claro na
convocação que acaba de fazer. Nada de testes, experiências. Embora o Brasil
esteja a apenas uma vitória para a Copa da Rússia, o treinador segue fiel à sua
linha de raciocínio. Transformar cada jogo em uma decisão, dar o devido valor
ao cargo que sempre sonhou. E para isso, quer acumular dois novos triunfos.
Contra o Uruguai, em Montevidéu, dia 23 e diante do Paraguai, no Itaquerão, dia
28.

O treinador não poderia ser mais direto. Com
a ausência de Gabriel Jesus, contundido, optou por Diego Souza, do Sport
Recife. E que os números apontam como o mais efetivo deste país. Em gols e
assistências.
Diego Souza poderá chegar para ficar no
grupo.
Não ficar com a vaga de Gabriel Jesus,
lógico, mas de Roberto Firmino.
A sua convocação quebra um tabu de 16 anos.
Desde 2001, quando Leão chamou Leomar,
jogadores de times nordestinos não eram chamados para Eliminatórias da Copa. O
atacante do Sport está muito orgulhoso por ter sido lembrado por Tite. E
garante que aproveitará a chance.
E Tite, mais uma vez, evidenciou não pensar
em Lucas do PSG.
Sua instabilidade e falta de personalidade,
quando foi convocado no passado, desestimulam o comandante brasileiro.
Tite foi oportunista em relação a Lucas Lima.
Jogador em franca decadência técnica. Não está justificando uma vaga na Seleção
Brasileira. Para não ficar escancarada a opção por tirá-lo do grupo, o
treinador reiterou o fato dele estar voltando de um estiramento no ligamento
colateral do joelho esquerda. O meia está praticamente recuperado e pode até
atuar amanhã no clássico contra o Corinthians.
Mas o técnico do Brasil fez, de maneira
sutil, algo que desejava. Chamou Diego do Flamengo. Justificou as ótimas
atuações recentes e o fato de o jogador haver treinado nas férias. Tem
potencial para ficar de vez com a vaga do depressivo Lucas Lima.
E também descartou Oscar, o jogador mais caro
da história do futebol chinês. Contratado por R$ 208 milhões pelo Shanghai
SIPG. Para Tite, há muito tempo o meia não vem mostrando a intensidade, a
volúpia que tanto deseja nos seus atletas.
O treinador não precisou inventar desculpa
para tirar Alex Muralha dos dois jogos. Finalmente, o técnico se rendeu ao
excelente futebol de Enderson, goleiro do Benfica. Ele vive uma fase fabulosa.
Considerado pela imprensa europeia como um dos melhores do mundo. Deveria ser
titular da Seleção. Mas Tite seguirá dando apoio a Alisson, reserva na Roma.
Seguirá dono da posição. E a Weverton, que está muito bem no Atlético
Paranaense. Continuará como segundo goleiro. Enderson começará sua trajetória
como terceiro goleiro da Seleção, mas a tendência é que acabe como titular.
Tite chamou o que considerou o melhor por um
motivo simples.
Quer garantir logo a classificação do Brasil
para o Mundial.
E, a partir daí, usar todo o tempo no
planejamento até a Rússia.
Partir para amistosos com grandes seleções
europeias e asiáticas.
Comparar de verdade o potencial brasileiro.
Por isso, a necessidade de acabar com
qualquer suspense.
Ele quer vencer o Uruguai em Montevidéu.
Acabar com a pressão da classificação.
E se impor contra os instáveis paraguaios no
Itaquerão.
Tendo como meta a supremacia no continente.
Alisson, Daniel Alves, Miranda, Marquinhos e
Marcelo; Fernandinho; Paulinho, Renato Augusto, Philippe Coutinho e Neymar;
Diego Souza (Firmino). Essa é a escalação que Tite usará como base nesses dois
jogos das Eliminatórias.
“É um momento de confirmação e depois de
evolução. São poucos jogos, muito pouco tempo dentro da seleção. Nesse processo
todo de evolução é algo de equipe. Então quero passar uma mensagem aos atletas:
Prepare-se, jogue muito nos seus clubes, tenham um bom preparamento físico.
Atleta de alto nível a exigência é essa. Precisamos disso. Aí está a
oportunidade. Diego [Souza] no lugar do Gabriel [Jesus] é a oportunidade.”
Tite não está para brincadeira.
Tanto que deseja a confirmação do potencial
brasileiro contra o Uruguai, em plena Montevidéu.
“Talvez a equipe que mais tempo esteja
junto é o Tabarez com a seleção uruguaia. Tem uma mística, entrosamento de
trabalho, respeito a uma história de Uruguai. Agora, tem também as nossas
ambições e objetivos. Um jogo e da primeira e segunda colocada. Um nível alto de
qualidade. A gente sabe que jogar no estádio Centenário tem um clima de muito
apoio. Assim como eles sentem quando vem jogar aqui.”
O Uruguai tem uma campanha bipolar nas
Eliminatórias. Atuando em casa é um time. Tanto que conseguiu seis vitórias em
Montevidéu. E apenas uma fora, em La Paz, contra a Bolívia. Perdeu três jogos e
empatou duas partidas longe dos seus domínios.
O treinador quer essa vitória, esse confronto
diante da vibrante torcida uruguaia. Assim como derrotar os paraguaios no
Itaquerão, estádio que conhece muito bem, com os títulos que conseguiu pelo
Corinthians.
“Não consigo diferenciar o pessoal do
profissional. Quando deu essa possibilidade, tem um cunho de emoção forte. Sou
muito grato a um clube que me projetou e me proporcionou a estar técnico da
Seleção. Foi o Grêmio, o Palmeiras, não pude dirigir nenhum clube do Rio. No
Atlético-MG foram erros e aprendizados. E quando vem do meu último clube, tem
um aspecto emocional envolvendo. A sensibilidade fica mais aflorada. Fica como
um pedido de carinho à seleção brasileira. Entendendo os outros torcedores, não
serei menos respeitoso ao São Paulo, Palmeiras ou Santos. O meu passado meu
orgulho. Não é discurso de pastor, é de quem é humano e tem razão e emoção com
as coisas.”
O treinador quis a partida em São Paulo.
Para tentar conquistar o torcedor mais
exigente do país.
E acostumado a vaiar a Seleção Brasileira.
Tite terá outro adversário. A falta de ritmo.
Depois de seis vitórias seguidas nas Eliminatórias, o time ficou quatro meses
sem atuar. Ele terá de enfrentar essa parada obrigatória. Por isso quer os
jogadores no melhor de sua forma. Daí destacar o fato de Diego ter treinado nas
férias.
Depois desses confrontos restarão quatro
jogos pelas Eliminatórias.
O treinador foi sincero.
Disse não ter a avaliação definitiva de, no
caso de o Brasil se classificar antecipadamente, aproveitar o restante das
Eliminatórias para testes. Ou manterá o mesmo grupo. Para chegar o mais forte e
entrosado possível na Copa da Rússia.
Uma coisa está clara.
Tite quer já a vaga para a Copa.
Uruguaios e paraguaios que se preparem…

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