Perón minimiza tamanho das torcidas, mas destaca paixão.

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Foto: Divulgação

PERON
NA ARQUIBANCADA
: “Se torcida ganhasse jogo a china será a campeão de todas as
Copas do Mundo”. Lembro da frase em todas as oportunidades em que acaba sendo
divulgada uma pesquisa que tenta mensurar qual o tamanho de cada torcida – a
mais recente delas foi realizada pelo Datafolha e informa qual seria a
distribuição das torcidas na cidade de São Paulo (1º Corinthians, 36%; 2º
Nenhum clube, 24%; 3º São Paulo, 19%, 4º Palmeiras, 12%, 5º Santos, 5% e 6º
Flamengo, 25).

Não
discuto os números apurados, muito menos a idoneidade dos institutos que fazem
esses levantamentos, mas será que apenas a resposta instantânea da pergunta
“qual é o time de futebol de sua preferência?” é o suficiente para se saber se
o pesquisado é realmente torcedor de um time? Há uma enorme diferença entre
responder qual o time de sua preferência e torcer realmente por um clube.
Fico
imaginando se fosse possível terminar realmente qual é o número de torcedores
que acompanham realmente um time, independente da fase do clube. Por exemplo,
se o dito simpatizante não saber 11 jogadores do elenco atual do clube, ele
pode ser chamado de tudo menos de torcedor. O torcedor mesmo é aquele que opina
sobre a escalação, pensa no esquema para a próxima partida e pede a entrada de
algum determinado atleta em campo quando o time não está tendo um bom
desempenho em campo. Também só deve ser considerado torcedor aquele que sabe
quais os campeonatos que o clube está disputando no momento e qual foi o último
título importante que a equipe de sua preferência conquistou.
Se o
perguntado não tiver nenhuma aventura, inventado uma mentirinha ou uma história
extraordinária para ver algum jogo sem nenhuma importância – em finais qualquer
um vai – do seu time, também não deve ser considerado torcedor. Ainda no
assunto, só é torcedor realmente de um clube aquele que acorda mais feliz – ou
tem um dia perdido – após o resultado de seu time.

detalhes da história de um clube que só torcedor mesmo sabe e ele gosta de
contar. Além disso, só quem tem paixão mesmo consegue acreditar – discute e
tenta provar de todas as maneiras – que aquele jogador mediano é melhor do que
o grande craque do adversário. Outra característica apenas do torcedor de fato
e não simpatizante é que além do grande rival, a imprensa é a grande inimiga
por todos os problemas que o time passa.
O
torcedor que deveria contar nas pesquisas é aquele que entra no
GLOBOESPORTE.COM e vai logo para a página do seu time – se sobrar algum tempo
ele passa pelo noticiário, principalmente se os rivais estão em crise ou perderam
o último jogo. Ele também sempre arruma um jeito de ajudar o clube. Vai aos
estádios, compra a camisa do clube, já é – ou pensa ser – sócio-torcedor e faz
de tudo para que suas crias se transformem sendo torcedores de seu clube, ou
seja, que seu clube tenha sempre torcedores apaixonados. Qual filho não tem
grandes lembranças ao lado do pai na arquibancada?
Uma
coisa que nenhuma pesquisa vai conseguir mensurar é o amor do torcedor tem pelo
seu clube. Será que o torcedor da Portuguesa, que continua indo ao estádio
agora com o time na Série A2 do Campeonato Paulista e na Série D do Brasileiro,
tem menos paixão do que um corintiano?
Pesquisa
que revela o tamanho do número de simpatizantes – não torcedores realmente –
pode até servir como assunto em reuniões de amigos. Mas elas não levam em
consideração que todo torcedor é egoísta e solitário. Ele tem absoluta certeza
que ama uma camisa mais do que todos os outros que gritam o nome do seu time.
Seria o torcedor mais realizado do planeta se apenas eu pudesse gritar gol no
momento em que o meu time balançasse a rede do adversário.
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pitacos: @humbertoperon

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