Pioneiro na TV, ex-Presidente sugere ruptura do Flamengo.

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Márcio Braga, ex-Presidente do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

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DO OHATA
: A partir de 2019, só os direitos de TV do Brasileiro representarão
aos cofres dos clubes, por ano, valores próximos a R$ 1,8 bilhão.

Há 40
anos, porém, as agremiações de futebol não recebiam nada (difícil de acreditar,
não?) pelos direitos de transmissão do Nacional. A TV Educativa ia aos
estádios, gravava os jogos e os repassava às outras emissoras de TV, que
comercializavam o produto.
A
”quebra” foi provocada pelo Flamengo, que exigiu pagamento pelos direitos de
TV de um Fla-Flu disputado no aniversário do clube, em 15 de novembro de 77, e
foi criticada por outros clubes, irritou a cúpula da TV Globo, chegou ao
gabinete do então presidente Geisel e acabou na Justiça.
”O
Flamengo não é contra o televisamento dos jogos, pelo contrário, acha até
importante. Mas quer ganhar também”, argumentou, à época, o então presidente
flamenguista, Márcio Braga, segundo registros de jornais.
Para
garantir seus direitos, o Flamengo entrou com pedido de liminar contra a CBD
(Confederação Brasileira de Desportos) e a Abert (Associação Brasileira de
Rádio e Televisão), que proibia a entrada de equipes de TV no Maracanã com
equipamentos de filmagem, e que foi acolhido pela Justiça. O clube exigiu pelo
registro das imagens do Fla-Flu o valor de um milhão e meio de cruzeiros.
O
cartola, por sua ousadia, viu o caso chegar até o gabinete do presidente da
República Ernesto Geisel e viu até seus pares virarem a cara e criticá-lo
publicamente por sua iniciativa. Cartolas do Botafogo, por exemplo, dispararam
contra o Flamengo: ”agiu erradamente”, ”errou na prática” e ”foi
precipitado”.
O
presidente flamenguista levou um ”puxão de orelha” até mesmo de Roberto
Marinho, que o conhecia desde que era menino.
”Às
vésperas do Fla-Flu, estava no Hippopotamus [badalada casa noturna da época],
jantando com o João Carlos Magaldi [diretor de marketing do Flamengo e da
Globo], quando um garçom me chamou”, lembra Marcio Braga. 

”Era o Roberto
Marinho ao telefone, ele me deu um esculacho, perguntou como eu podia fazer
aquilo. Pedi calma, mas respondeu que não conversava com quem o acionava na
Justiça. O pior é que além do Magaldi, havia mais executivos da Globo na diretoria,
como o Walter Clark, então aquela foi uma situação constrangedora.”

Mas,
no fim, as emissoras pagaram para registrar o agora polêmico Fla-Flu e o resto,
como dizem, é história.
”Dez
anos depois daquele episódio, outra ruptura, quando desta vez com o apoio
financeiro da Globo, organizamos a Copa União e vimos o nascimento do Clube dos
13. Décadas depois, ao retornar ao Flamengo, conseguimos verba pública para os
clubes que formam atletas olímpicos, que não recebiam nada”, reflete Márcio
Braga, 80.
”Agora,
com essa alteração de estatuto na CBF, que diminuiu o poder dos clubes, não
tenho dúvida de que está na hora de uma outra ruptura. Está na hora de os
clubes se unirem, e acho que o Flamengo, de novo, deveria estar à frente…”

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