Proposta da Caixa ao Flamengo foi superior a do Corinthians.

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Atacante Paolo Guerrero comemorando gol pelo Flamengo contra o Corinthians – Foto: Rodrigo Coca / Flamengo

EPOCA
EC:
A Caixa Econômica Federal mudou seu investimento no futebol em 2017. Numa
ponta, o banco estatal propôs um valor menor ao Corinthians, a quem mais
destinou dinheiro desde que começou a investir na modalidade. Outros clubes que
já eram patrocinados nas últimas temporadas, sem reajuste, também tiveram seus
patrocínios desidratados pela inflação. Na outra ponta, a empresa assinou
acordos com novos clubes e aumentou o valor investido no todo.

A
proposta que está na mesa de dirigentes corintianos é de R$ 18 milhões pelo
período que vai de maio a dezembro, portanto oito meses. O valor é
proporcionalmente inferior aos R$ 30 milhões que o clube recebeu na temporada
anterior, num contrato que começou em maio de 2016 e se estende até abril de
2017. A Caixa também impôs que o contrato termine em dezembro, de modo a
padronizar com os demais clubes do país, e prometeu um adicional de R$ 1,5
milhão caso o Corinthians vença o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil.
O
Vasco é outra pendência. A oferta que tem em mãos é de R$ 11 milhões, com R$ 1
milhão possível em caso de título do Brasileiro, uma vez que já foi eliminado
da Copa do Brasil, pelos oito meses entre maio e dezembro. No ano passado, como
estava na Série B, a diretoria vascaína fechou por R$ 9 milhões – R$ 7,5
milhões fixos e R$ 2 milhões condicionados ao acesso à primeira divisão, como
aconteceu de fato. O time cruzmaltino tem oscilado dentro do orçamento do banco
por causa do rebaixamento, uma exceção.
Pode
parecer que o patrocínio corintiano será o único reduzido pela Caixa em 2017,
mas todo mundo tem perdido um pouquinho de dinheiro toda temporada. A
explicação tem a ver com a inflação. Tomemos o Flamengo como exemplo. O clube
carioca recebeu R$ 25 milhões da estatal em 2016. Como a inflação foi de 6,3%
no ano, o patrocínio da Caixa precisaria ser reajustado para R$ 26,5 milhões em
2017 apenas para corrigir a desvalorização da moeda. Não aconteceu. Na
realidade, não aconteceu nenhuma vez, com clube nenhum, desde que o banco
começou a gastar com futebol em 2013.
Enquanto
desidrata patrocínios existentes, a Caixa inclui novos na lista. A partir de
2017 serão patrocinados Atlético-MG, Cruzeiro, Santos e Botafogo, apenas para
citar alguns dos mais populares, clubes que não contaram com a verba pública
por todo o 2016. Hoje são mais de 22 patrocínios a clubes, fora verbas para
três competições. Se ainda fechar com Corinthians por R$ 18 milhões e Vasco por
R$ 11 milhões, como propôs, a Caixa chegará a R$ 169 milhões gastos. É mais do
que os R$ 144 milhões de 2016.
A Caixa
conseguiu colocar em prática seu novo posicionamento, em partes, graças à
promessa de premiações em caso de títulos. Todos os clubes têm um valor fixo,
garantido, e outro variável. O Santos só vai receber R$ 16 milhões se for
campeão da Copa do Brasil, do Campeonato Brasileiro, da Copa Libertadores e do
Mundial de Clubes da Fifa. Se não for nada disso, embolsa R$ 11 milhões. Isso
vale para todos. ÉPOCA não conseguiu confirmar esse mecanismo nos casos de
Atlético-GO, ABC, CRB e Londrina (confira todos os valores abaixo).

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