Quem não tem estrelas ataca com trabalhadores.

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Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

FOLHA DE
SÃO PAULO
: Por Juca Kfouri

A
SELEÇÃO brasileira de 1970 tinha Carlos Alberto Torres, Gérson, Tostão, Pelé e
Rivellino e foi esplendorosa.
A de
2006 tinha o “quarteto mágico”, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e
Kaká, além de Roberto Carlos, e levou inesquecível baile de uma estrela só,
Zinedine Zidane.
O
Flamengo de 1981 com Leandro, Júnior, Andrade, Adílio e Zico era um espetáculo,
mas o de 1995, com o “ataque dos sonhos”, Romário, Edmundo e Sávio
redundou em tremendo fiasco.
Às
vezes um time de operário dá melhores resultados ou alguém apostaria que uma
defesa com Cássio, Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos, com Ralf de
cabeça de área, seria campeã mundial de clubes de 2012?
Em
1984/85, a “SeleCorinthians” com Carlos, Édson, De Léon, Juninho,
Wladimir, Dunga, Zenon, Serginho Chulapa, Casagrande, não deu liga.
Assim
é e sempre foi no futebol.
Mais
estrelado que o Cruzeiro, sem trocadilhos, de Raul, Piazza, Zé Carlos, Dirceus
Lopes e Tostão só mesmo o Santos de Gylmar, Mauro Ramos de Oliveira, Zito,
Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Duas constelações pra lá de
bem-sucedidas.
Tudo
isso para dizer que temos de tudo nos quatro grandes paulistas neste início de
temporada.
As
estrelas alviverdes, os operários corintianos, o equilíbrio santista e o trio
tricolor Rogério Ceni&Cueva&Pratto disposto a fazer barulho.
Qual
time irá mais longe?
Se for
para apostar no óbvio, não há dúvida, a aposta é o Palmeiras, agora que Borja chegou
para completar o que pode perfeitamente vir a ser uma terceira Academia.
O
azarão é o Alvinegro paulistano com um grupo coeso, aparentemente disposto a
morrer em campo e cujo maior destaque é o goleiro, único remanescente do
bicampeonato do Mundial de Clubes Fifa.
Já o
Alvinegro santista está pronto e quem dele duvidar no atual panorama do nosso
futebol quebrará a cara, porque sabe o que quer e não precisa ter pressa.
Finalmente,
o São Paulo. Falta muito? Falta. Mas já apresenta claramente uma ideia de jogo
e a ideia é boa. Está tomando todos os gols que pode tomar em fins de jogos
agora para não tomá-los adiante.
E o
adiante não é a sequência do Paulistinha.
Nada
que aconteça nele é decisivo para coisa alguma e tamanha obviedade não pode se
limitar ao discurso do bom senso, mas precisa ser exercitado pela cartolagem
sempre disposta a sucumbir diante da pressão tresloucada de torcedores que
entendem tanto de futebol quanto de plantação de ovo.
AINDA O CENTENÁRIO
Raras
leitoras e raros leitores querem saber as seleções da coluna para o portentoso
caderno sobre os 100 anos do Dérbi.
A do
Corinthians, sempre lembrando que me limito aos que vi jogar: Gylmar, Zé Maria,
Gamarra, Amaral e Roberto Belangero; Dino Sani, Rivellino e Sócrates; Cláudio,
Ronaldo e Tévez, com Tite como técnico.
A do
Palmeiras: Marcos, Djalma Santos, Luís Pereira, Djalma Dias e Roberto Carlos;
Dudu, Ademir da Guia e Rivaldo; Julinho, Artime e Djalminha, sob Vanderlei
Luxemburgo.
A
seleção mista: Gylmar, Djalma Santos, Luís Pereira, Gamarra e Roberto Carlos;
Dino Sani, Rivellino e Sócrates; Cláudio, Ronaldo e Rivaldo, com Tite de
treinador.

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