Rica exalta postura do Fluminense por exigir torcida do Flamengo.

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Torcida do Flamengo no Engenhão (Nilton Santos) – Foto: Cris Dissat/Fim de Jogo

RICA PERRONE: Como você qualifica alguém como
“grande” no que faz? Para um clube de futebol ou uma escola de samba logo
atrela-se a títulos, e basta. Como se bastasse.

Nesta sexta-feira 3 Fluminense e Portela
fizeram por onde carimbar seus nomes na história sem conquistar um campeonato.
Na verdade domingo os dois podem acabar campeões, mas isso também não é o mais
importante.
Tanto não é que falamos de dois incontestáveis
gigantes que viveram série C e mais de 30 anos de fila, respectivamente. Ou
seja, nunca foram só títulos.
A Portela chamou o Império Serrano, vizinho,
para desfilar com ela. Afinal, são do mesmo bairro, viva a “comunidade”!
E o Fluminense abriu mão do mando de campo de
torcida única para brigar pelo direito de ter ali a torcida do Flamengo, que
amanhã será a dela, evidentemente.
Mas não é qualquer um que consegue enxergar
que os papeis mudam mas o erro permanece atingindo a todos. É preciso ser maior
do que a conquista. Falamos de Fluminense e Portela, ambos maiores do que os
canecos conquistados e/ou em disputa.
Haverá, é claro, aquele torcedor mais doente
que acredita que “o Flamengo não faria então tem que jogar com torcida única e
bla bla bla…”, e eu até meus 15 anos pensaria parecido. Depois disso já acho
caso de paixão descontrolada mesmo.
Hoje, o Flamengo. Amanhã, você. Então, a
briga não é pela torcida do Flamengo ou do Fluminense, mas pelo direito de
preservar as tradições e não fazer mais alguma coisa do nosso futebol se perder
com o tempo.
A torcida única é o atestado de incompetência
do estado e nós não podemos concordar com isso. São 30, 40 os marginais. Não
existe qualquer lógica em punir 40 milhões por eles.
Hoje o futebol respirou aliviado. O
Fluminense soube ser maior do que um campeão, e a Portela explicou com uma
atitude simples porque JAMAIS escolas de samba podem ser torcidas organizadas.
Abs

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