Técnico do Flamengo diz que política o afasta da Seleção Brasileira.

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José Neto, técnico de basquete do Flamengo – Foto: Divulgação

BALA
NA CESTA
: Atual tetracampeão do NBB, o Flamengo sacramentou nesta quarta-feira
no ginásio do Tijuca, Rio de Janeiro, mais uma vez a primeira posição da fase
de classificação do campeonato. Com uma atuação coletiva soberba, o rubro-negro
fez 108-74 contra o Minas, chegou a 21 vitórias em 27 jogos e terá o mando de
quadra até o final dos playoffs, onde buscará um inédito quinto título nacional
consecutivo.

No
final da partida conversei com o técnico José Neto sobre isso, mas também sobre
os rumores que circulam no basquete brasileiro de que ele, assistente técnico
da seleção há mais de uma década e multicampeão com o Flamengo, não será o
técnico da seleção brasileira. O nome mais cogitado é o de Guerrinha, treinador
de Mogi e que participou de forma ativa da campanha do recém-eleito presidente
da Confederação Guy Peixoto. Foi a primeira vez que Neto falou sobre o tema.
BALA NA CESTA: Quão importante para o
Flamengo é conseguir mais uma vez o mando de quadra nos playoffs do NBB? Nos
últimos anos o seu time se acostumou a jogar quase sempre com o mando de quadra
e tem ajudado na conquista dos títulos.
JOSÉ
NETO: É importante, e o mérito total é deles, atletas. Eles compreenderam
completamente a maneira de jogar, o nosso propósito, a metodologia. Esta
temporada foi muito difícil pra gente. Tivemos novos atletas, lesões,
problemas, mas a dignidade e o caráter que este elenco possui merecem ser
exaltadas. Fico muito orgulhoso de fazer parte de um grupo de seres humanos tão
especial. Estou contente porque precisávamos dessa vitória para atingir o
primeiro lugar e estou muito feliz.
BNC: Neto, este é um assunto quase que
inevitável. Recentemente começaram alguns rumores sobre o novo técnico da
seleção brasileira e inacreditavelmente seu nome não tem sido nem cogitado. Não
há nada confirmado, mas o barulho é grande e você sabe disso. Já escrevi que acho
isso um absurdo, por tudo o que você tem feito, primeiro como assistente há
mais de uma década na equipe nacional e sobretudo com conquistas relevantes no
Flamengo, mas queria ouvir de você o seu sentimento em um momento como este.
NETO:
Olha, Fábio, é a primeira vez que vou falar neste assunto, hein. Durante este
tempo todo de seleção, desde 2004 até hoje como assistente, eu construí um
patrimônio com o meu trabalho. Já é o terceiro presidente da CBB, já que antes
do Guy Peixoto vieram o Grego e o Carlos Nunes, já passaram três técnicos, o
Lula Ferreira, o Moncho Monsalve e depois o Rubén Magnano, e posso dizer que
neste período todo eu construí muitas coisas com o meu trabalho. É por isso que
fiquei este tempo todo na seleção. Só por isso e nada mais. Eu sou muito ruim
de fazer política. Por isso invisto muito em construir o meu patrimônio única e
exclusivamente através do meu trabalho, do meu dia a dia. Vai acontecer o que
tiver que acontecer. Isso é uma coisa que não depende de mim, que não posso
controlar. É uma coisa inclusive que eu falo muito com os jogadores: “Vamos
focar naquilo que depende da gente”. Acho que fazer o melhor para o basquete
brasileiro, seja na seleção ou seja no meu clube, é uma missão que eu tenho
para retribuir a esta modalidade tudo aquilo que ela me deu. Estou bastante
tranquilo quanto a isso. É uma decisão que vai ser tomada pelo bem do basquete
brasileiro, tenho certeza disso. Então, tal qual aconteceu nas outras vezes em
que o presidente da CBB mudou, eu não vou ficar me preocupando muito com isso.
Preciso focar no meu trabalho com o meu clube, o Flamengo.
BNC: Neto, eu sei, mas é tudo um pouco
diferente agora, não? Você está se preparando para assumir uma seleção
brasileira há 12 anos, que como você disse é o tempo em que é assistente da
equipe nacional, tem ganho tudo pelo Flamengo e é reconhecido por atletas,
torcedores e crítica. É diferente das últimas vezes, não?
NETO:
Olha, eu aprendi muito com os técnicos que passaram pela seleção e dos quais me
orgulho de ter sido assistente. Com Lula, Moncho e depois com o Magnano.
Aprendi muito com todos eles e o reflexo disso é o que está acontecendo com o
Flamengo. Cheguei aqui muito contestado, como um treinador que nunca tinha tido
uma conquista de expressão, e estamos dando resultado. Isso mostra um pouco da
capacidade de armazenar aquilo que você vai aprendendo. Não só na seleção
adulta, mas também na seleção de base, por onde passei. No clube trabalhei com
atletas experiente, renomados, outros que estão na NBA (Cristiano Felício),
campeão olímpico (Walter Herrmann), outros na Europa (Vitor Benite) e isso tudo
vai dando uma bagagem para utilizar no momento certo. Meu foco é o Flamengo,
Fábio. O dia que surgir a oportunidade de um dia ir para a seleção eu vou
pensar com muito carinho.
BNC: Você já consegue relaxar em quadra,
ou seja, aproveitar, apreciar o jogo? Ou como técnico, com o seu nível de
exigência, isso é impossível?
NETO:
É impossível. Tenho tentado ficar mais calmo, mas tranquilo, de forma alguma.
Juro que eu tento, mas eu não consigo. Cada lance é importante. E eu cobro isso
do jogador. Se eu cobro do cara que cada lance é importante, eu preciso mostrar
isso para ele do lado de fora da quadra. Não dá pra ser relaxado em um lance e
tenso em outro. Eu vivo cada momento intensamente. Preciso ter um pouco mais de
controle, saber apreciar o jogo, mas isso é natural de quem quer vencer e
conquistar cada vez mais com este clube.

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