A legitimidade de 1987.

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Foto: Divulgação

CHUTE
CRUZADO
: Pedro Henrique Torre

Chega
a ser curiosa, até infantil a disputa nos tribunais para, teoricamente,
reconhecer o “verdadeiro” campeão brasileiro de 1987. Sim, entre aspas. Afinal,
não há o que contestar. A legitimidade da conquista estaria, sempre, abraçada
ao vencedor da final entre Flamengo e Internacional naquele 13 de dezembro em
um Maracanã abarrotado com 91 mil espectadores. Títulos são conquistados em campo,
não no tapetão. É a única forma de alcançar a legitimidade no futebol.
É essa
legitimidade que permite ao torcedor, orgulhoso, entrar de peito estufado em
discussões e contabilizar suas taças. Emana até certa arrogância diante de
fatos tão claros. Pois há, no universo da bola, uma ordem das coisas. Uma
hierarquia acima de qualquer canetada de juiz. A elite do futebol brasileiro
sempre foi composta pelos grandes clubes. Uma escolha de um tribunal jamais
conseguiria mudar isso da noite para o dia. A convenção dos homens está acima
de qualquer decisão de gabinete.
É uma
elite legítima, alcançada por glórias em campo ao longo dos anos e pela
capacidade de alavancar massas estádios afora. Não arrancada com um fórceps
judicial. Todos sabem no futebol brasileiro qual é a Primeira Divisão nacional.
Assim sabiam em 1987. Como sabem atualmente, trinta anos depois, em 2017.
Diante de uma CBF esfacelada, os clubes de elite, legítimos donos do futebol
brasileiro, tomaram para si as rédeas de seus destinos, instituíram o Clube dos
Treze e mandaram o poder às favas com a Copa União.
Flamengo,
Internacional e todos os outros grandes clubes concordaram em manter a palavra
até o fim. A legitimidade, sabiam, não dependia da CBF, arrependida por recuar
seus tentáculos. Depende do povo, da arquibancada, das ruas. Todos eles sabem
que o tetracampeonato brasileiro rubro-negro aconteceu em 1987.
Rivais
alfinetam e provocam os torcedores do Flamengo simplesmente pela boa e velha
galhofa. Fariam o mesmo com Internacional, Atlético-MG ou São Paulo. Em seu
íntimo, no entanto, sabem que o verdadeiro campeão foi o time comandado por
Zico, Bebeto, Renato Gaúcho e companhia. A legitimidade acompanha a conquista
rubro-negra, não o modo amarelo de Sport e Guarani. Por isso é desnecessário ver
inúmeras administrações do Flamengo submeterem o clube a tolas brigas judiciais
em busca de uma legitimidade que já é incorporada por sua torcida e até mesmo
por rivais.
Parte
da imprensa alimenta a disputa fictícia para seduzir cliques e audiência de uma
Nação. Os números, nestes momentos, contam no bolso. Pois em 1987 jornais,
revistas e tvs declaravam abertamente o tetracampeonato do Flamengo. Ao Sport
resta lançar camisas, gritar, investir no marketing e berrar até perder a voz
em busca de algo que não conseguiu alcançar em 30 anos. Sim, o Supremo Tribunal
Federal decidiu, mesmo com o país em meio ao caos, julgar uma questão que
transcende qualquer tapetão. Qualquer voto de suas excelências. Inútil. A
Primeira Divisão de 1987 teve apenas um campeão. O legítimo.

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