Abandonado, Maraca rende R$ 2 milhões em 3 meses a Odebrecht.

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MARCELO D?SANTS

ESPN: Vasco
e Flamengo vão pagar pouco menos de R$ 400 mil para jogar a semifinal do
Carioca no Maracanã, bem abaixo do pedido inicial da Odebrecht que foi de R$
700 mil. Ainda assim, bastante lucrativo para a concessão. Em três meses, o
estádio mais emblemático do Brasil, mesmo fechado e sem manutenção, rendeu aos
cofres da empresa cerca de R$ 1,8 milhão com apenas dois jogos realizados.

Tudo
isso sem qualquer gasto com manutenção. Até a grama do estádio foi recuperada
pelos times do Rio, neste caso, o Flamengo, que desembolsou mais de R$ 1,4
milhão para jogar a estreia da Libertadores. Duas outras partidas poderiam ter
sido realizadas no estádio se a empresa tivesse aceitado reduzir o aluguel.
Para o último Flamengo e Vasco, a concessão cobrou R$ 500 mil e afugentou os
times para Brasília. O mesmo ocorreu com o Fla-Flu, quando cobraram um pouco
mais, R$ 600 mil, e o jogo acabou acontecendo em Cariacica, no Espírito Santo.
Dessa vez, engessados pelo regulamento da Ferj que prevê as semifinais e finais
acontecendo na capital, os clubes não tiveram muita escolha.
À
Odebrecht só resta aguardar e lucrar dando o seu preço. Enquanto arrecada quase
R$ 2 milhões com aluguéis sem que precise gastar com a manutenção do estádio,
apenas aguarda receber o pagamento pela venda do estádio aos franceses. Na
transação, além do valor cobrado pelo estádio em si, cerca de R$ 30 milhões, a
Lagardère ainda vai pagar as três parcelas que a concessão deve ao Governo do
Rio, num total de R$ 18 milhões. Some-se a este custo, os reparos que o estádio
requer.
Um
cenário bastante cômodo para uma empresa que vende um negócio suspeito de ter
sido adquirido na base da propina e cuja reforma, da qual também se beneficiou,
também foi feita sob polpudas cobranças de propina e superfaturamento, como
acusa o Ministério Público.
O Blog
vem questionando o MP do Rio nas duas últimas semanas sobre a validade do
processo de venda do estádio. Embora tenha ações condenando a licitação e a
reforma, o órgão nada faz para impedir a venda do objeto de corrupção. Nenhuma
ação foi aberta até agora para impedir este processo.
Some-se
ao estado de omissão, neste caso, de cumplicidade, o Governo do Rio. Luiz
Fernando Pezão tem tudo nas mãos para consertar o rumo da história do Maracanã
e do Rio. Mas não o faz. Por que será?
O Blog
procurou a Odebrecht para saber quanto a concessionária tem gastado mensalmente
para manter o estádio e quantos funcionários o Maracanã tem atualmente. A
empresa não quis informar.

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