As preocupações que tiram o sono do Flamengo.

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Miguel Trauco e Márcio Araújo em Fluminense x Flamengo – Foto: Nelson Perez

MÁRIO
MAGALHÃES
: Antes que alguém diga que o Flamengo não perde o sono com fantasmas,
eu me adianto a responder: pois deveria.

Muitos
rubro-negros perdem, eu entre eles.
O
empate ontem em 1 a 1 com os reservas do Fluminense não é grave, a considerar o
Campeonato Estadual, onde a vaga na reta derradeira está assegurada.
É
gravíssimo, contudo, pelas preocupações que surgiram ou se renovaram.
Jogamos
com seis ou, incluindo o Márcio Araújo, sete dos titulares que deverão ir a
campo pela Libertadores na semana que vem.
O que
interessa, no final das contas, é a Libertadores. Ao menos para quem pensa
grande. Disputa-se com disposição o Cariocão (o Carioca mais equipes do Grande
Rio e do interior), mas este é secundário.
Se der
mole para o Atlético-PR, o rubro-negro visitante não perdoará.
O
Flamengo jogou duas vezes na Libertadores deste ano. Nas duas, muito bem. Mas
fora de casa desperdiçou tantas chances que perdeu. Se a fase de grupos
terminasse hoje, estaria eliminado. É o terceiro colocado no grupo 4.
Classificam-se duas equipes para as oitavas.
O time
tem elenco capaz de ir adiante e lutar pelo título.
Só que
precisa evoluir, sobretudo tecnicamente. Foi o que evidenciou a partida do
domingo.
O
Muralha mantém a dificuldade de sair do gol.
Acho
que de fato o Pará não viu o adversário se aproximando, mas não pode executar
movimentos de arte marcial como o que lhe custou a expulsão.
O
Rafael Vaz pode ter alguma qualidade, vai que faz um gol decisivo, no entanto
carece das características adequadas a uma equipe disposta a cultivar a bola no
pé. Para ter posse, recomenda-se contar com quem saiba passar. O Vaz errou
demais ontem, como já vinha errando. Ele multiplica o risco.
O
Márcio Araújo é caso complexo. O Rômulo tem mais técnica do que ele. Não a
mesma garra. Discordo de quem considera o Márcio Araújo um volante obtuso. É
medíocre, mediano. Ontem ele se perdeu num passe tolo que poderia ter custado
caro. Sua disposição honra a camisa. Não é, contudo, o meia defensivo para o
estilo de jogo que o Zé Ricardo defende. Porém, prefiro um jogador mais ou
menos que dá o sangue a um melhorzinho que não se empenha tanto. Que tal uma
injeção de sangue no Rômulo?
Os
três atacantes que enfrentaram o Fluminense são banco. O mais badalado é o
Berrío. Carismático, arranca aplausos da torcida. O que não apaga a triste
evidência de que ele e a bola não têm intimidade um com o outro. O que lhe
sobra de velocidade falta em habilidade. Tomara que, num lance de sorte,
acerte.

O
elenco permite avançar na Libertadores, mas não é a maravilha com que alguns se
iludem.
Chegando
ao mata-mata, o Flamengo tem tudo para crescer.
Numa
orquestra, se um violinista erra, compromete o conjunto.
No
futebol também é assim. O time pode estar redondo, mas fracassar por erros
individuais (os gols perdidos em Santiago são exemplo).
É hora
de afinar a equipe, em busca de um sono mais tranquilo.

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