Atlético-PR receberia 4% do Flamengo se avaliassem a audiência.

43
Torcida do Flamengo comemorando título de campeão da Copa do Brasil 2013 – Foto: Gilvan de Souza

RODRIGO
MATTOS
: Após fechar contratos com mais de vinte clubes para o Brasileiro-2019,
a Globo tem como desafio acertar acordos de TV Aberta e de pay-per-view com os
times que estão com o Esporte Interativo. E, nesta negociação, o Atlético-PR
tornou-se o maior obstáculo para a emissora, pois articulou para que os times
atuem em grupo e tem questionado o sistema de pay-per-view. Se o grupo não
assinar o ppv, pode tornar o pacote pouco atrativo para a Globo e seus
assinantes.

No ano
passado, a emissora global acertou contrato com mais de vinte clubes para a TV
fechada do Brasileiro da Série A, além da TV aberta e ppv. Já  o Esporte Interativo assinou com outras 15
agremiações só para o canal a cabo – eles poderiam negociar as outras
plataformas com a Globo.
Na TV
aberta, Atlético-PR, Coritiba, Santos, Bahia e provavelmente o Palmeiras (o
alviverde ainda não confirmou), que formam o novo grupo, devem ter uma
negociação mais fácil, já que as cotas são divididas com critérios iguais para
todos. A questão é o ppv, onde há discordância forte.
A
Globo determinou que a divisão é pelo número de assinantes que declaram torcer
para cada clube em um critério de pesquisa. Mas garantiu um mínimo para o Flamengo de 18,5% do total a ser
distribuído, e cota similar para o Corinthians, mesmo que eles não atinjam esse
percentual (há outra versão de que a garantia é em número absoluto de dinheiro
correspondente a esse percentual, mas é fato que ela existe). Os dirigentes do
Atlético-PR fizeram a conta e viram que o clube carioca ganharia R$ 6,4
milhões, contra R$ 300 mil do Furacão por jogo, e consideram a vantagem
exagerada.
A
posição radical dos paranaenses é de que, com esse modelo, não assina até
porque sua perda financeira não será grande e pode criar um canal de streaming.
O Atlético-PR entende que a Globo tem que usar o percentual que ela tem direito
para melhorar a oferta para os clubes do Esporte Interativo. Isso porque a
emissora fica com 62% do total arrecadado com o ppv, e os clubes ficam com 38%.
Os times têm um mínimo garantido que será de R$ 700 milhões em 2019, ano do
início do novo contrato.
A
Globo argumenta que já mudou a distribuição das outras cotas para tornar tudo
mais igual. E que o critério do ppv tem que ser mantido porque é justo por ser
medido de acordo com a participação de cada torcida. Além disso, alega que não
dá para ter um salto radical do modelo antigo para o modelo inglês que é com
critério igual para todos. Além disso, por lá não há ppv.
Outro
argumento do Atlético-PR é de que o custo da Globo para operar o ppv é bem
baixo, isto é, não se justifica ela ficar com pouco menos de dois terços da
renda do ppv, o que chegará a R$ 1,1 bilhão só com o canal pago. A emissora, em
contrapartida, alega que a despesa operacional é alta, sim, com pagamento a
operadoras, em material jornalístico para o canal e na produção das
transmissões.
O
grupo de clubes tem a intenção de contratar uma empresa ou um executivo somente
para discutir os contratos com a Globo. A emissora estava um pouco confusa
porque esses times, inicialmente, estavam conversando em separado e juntos ao
mesmo tempo. E, por exemplo, clubes como o Bahia teriam bem maior perda
financeira sem o ppv já que tem maior participação de torcedores. Agora, o
clubes unificaram o grupo e devem falar em uma voz.
Já é a
segunda vez que o Atlético-PR adota posição forte e atrapalha os planos da
Globo. A emissora ofereceu uma cota de R$ 1 milhão para o clube e para o
Coritiba pelo Estadual, o que foi recusado. Deste episódio resultou na
tramissão online do clássico que gerou uma adiamento de jogo e uma grande
discussão sobre o assunto. Apesar das divergências, as duas partes continuam
conversando para tentar chegar um acordo.

COMENTÁRIOS: