Campeonato Paulista é o estadual com mais chances de zebra.

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Ale Cabral/Agif/Folhapress

PVC: Dos
quinze Campeonatos Paulistas deste século, apenas três terminaram com os quatro
grandes clubes nas quatro primeiras colocações. A história permite observar os
jogos deste final de semana, projetar os do próximo, e perguntar qual é o
gigante mais propenso a ser eliminado por uma zebra.

É
diferente a situação dos outros estaduais. Desde 2001, o Rio teve um intruso entre
os quatro mais bem classificados nove vezes, de quinze campeonatos. Em São
Paulo, doze. A distância parece pequena, mas desde 2010, o Paulista registrou
Santo André, Guarani, Ituano e Audax finalistas. No Rio, só em 2011 e 2014 um
pequeno avançou para a semifinal.
Verdade
que ser pequenino e chegar à finalíssima foi sinal de fiasco no ano seguinte
para o Santo André, o Guarani e o Audax, rebaixados doze meses depois da
decisão.
O
Paulista melhorou em comparação com anos anteriores, pela redução do número de
participantes. Mas é assustador o diagnóstico dos treinadores de que a parte
tática melhorou mais do que a qualidade técnica. Também é ridícula a mudança de
Linense x São Paulo para o Morumbi.
Apesar
de se dizer que não vale nada, o Paulista revelou jogadores para os grandes.
William Pottker jogou pelo Linense dois anos atrás. Vai para o Internacional,
no segundo semestre. Tchê Tchê foi destaque do Audax e está no Palmeiras, Yuri
também saiu de Osasco para o Santos.
Neste
ano, é mais difícil encontrar a novidade. Talvez o centroavante Henan, do Santo
André, autor de seis gols nos últimos quatro jogos. Na carência de
centroavantes do país, Henan, de 29 anos, está muito mais para Hernane Brocador
do que para Gabriel Jesus.
Só que
melhorar o campeonato não acontece da noite para o dia. Há décadas, diz-se que
o torcedor prefere Corinthians x Vasco a Corinthians x Botafogo de Ribeirão. Em
duas décadas, o futebol brasileiro conseguiu tirar relevância do Vasco e
diminuir o número de clássicos aos quais você tem de assistir, mesmo no
Brasileirão.
Nem
transformamos o Brasileiro no campeonato fabuloso que tem vocação para ser e
ainda passamos duas décadas dizendo que o estadual não vale nada.
O que
vale sempre é o clube.
Se o
Corinthians está em campo, vale muito. Se o São Paulo enfrenta o Linense neste
domingo, tem de haver 40 mil espectadores. Quando o Palmeiras entrar em campo
contra o Novorizontino, o estádio tem de estar lotado. Não por ser Paulistão ou
Paulistinha. Porque se trata do Corinthians, do Palmeiras, do Santos, do São
Paulo…
O
Paulista ao menos tem o elemento surpresa. Nesta edição, mais enxuta na fase de
classificação e por isso com mais partidas decisivas a partir das
quartas-de-final, a chance de a zebra repetir-se diminui. Há jogos de ida e
volta, em vez de eliminatória em um só jogo, como quando o Corinthians foi
eliminado pelo Audax, em 2016, ou o São Paulo pela Penapolense, em 2014.
Mesmo
assim, é mais difícil cravar que os quatro grandes disputarão as finais em São
Paulo do que dizer que Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco ocuparão as
quatro primeiras posições do Rio. Ou que Real Madrid e Barcelona dividirão as
duas primeiras colocações na Espanha.

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