CEP do Flamengo previne o time de lesões.

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Fred Manhães, Marcio Tannure e Daniel Gonçalves – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
O
GLOBO
: Em um ano, o CEP Fla estabeleceu procedimentos que preveniram o time de
lesões. O protocolo é baseado nas cinco etapas de recuperação, para não liberar
o jogador para campo antes da hora, “no olho”, como acontecia antes.
Para melhorar o método, os treinamentos são individualizados.

Criamos alguns critérios para passar de uma etapa a outra, por isso não damos
prazo. Tem atletas que podem cumprir em prazo menor e não tem porque segurar. E
se demorar um tempo a mais não nos preocupa, porque não abrimos mão de que
cumpra todas as etapas — explicou Marcio Tannure, há 15 anos no clube.
Para
ele, em um ano foi corrigido o grande problema no departamento médico.

Queremos criar uma linguagem comum, vemos em outros clubes multidisciplinar e
não transdisciplinar. Esse era um dos grandes problemas que detectamos no
Flamengo, que era principalmente de comunicação. A gente trabalha em conjunto.
Todos sabem o que acontece em cada área. Tem fase que fisioterapeuta e
preparador físico participam ao mesmo tempo. Temos tido sucesso, os números
mostram, mas temos sempre que melhorar porque buscamos a excelência – completou.
As
reuniões diárias contam com todos os profissionais. Eles reúnem informações e
debatem os trabalhos com os jogadores. A cada etapa cumprida, a orientação pode
mudar, por isso não há prazo.

Temos reuniões diárias para saber que fase está cada atleta. Isso é feito por
avaliações, percepções que a gente tem. Por isso é difícil falar em tempo. Cada
atleta reage em velocidade diferente. Não tem data. Primordial é cumprir cada
fase inteira, para não reincidir – explica Fred Manhães.
Este
ano, o Flamengo recolheu atletas como Réver, Rômulo, Everton para treinamentos
específicos. Mesmo sem lesões, o clube detectou desgaste e recolocou os
jogadores em treinamentos para corrigir os problemas. Diferentemente das cinco
fases, esse procedimento não é para atletas machucados e requer menos tempo,
pois é complementar.
– A
gente consegue detectar o desgaste do atleta em função do treinamento. Mas tem
lesões imprevisíveis. Algum sinal de alerta, a gente reúne todas as áreas,
todos são escutados, e pensamos em custo-benefício. Poupar em um momento ou
expor e poder ficar sem ele por mais tempo? Algumas dessas decisões são
preventivas. Fazemos uma investigação sobre a carga de treinamento. Se tiver
algum desequilíbrio isso vai ser corrigido. Tem que tratar a consequência e a
causa. O atleta pode ser retirado do treino ou ter treino especifico – detalha
Tannure.
Em uma
fase mais aguda de treinamento, o critério da liberação é por exame de imagem,
a ultrassonografia. Além disso, a prevenção se dá com termografia, utilizada
para ver a fadiga. É uma câmera usada na indústria para ver se há dutos com
temperatura elevada, e foi importado para área clínica para detectar aumento da
temperatura local que indicaria um processo inflamatório.
– Essa
avaliação é feita no pós-jogo sempre, ou na fase de recuperação – lembra Daniel
Gonçalves.
O
preparador pega a partir da fase três e para passar da fase quatro para a cinco
o jogador precisa atingir 90% do que já produziu. O trabalho diário é dosar
para não exceder a carga de treino nem diminuí-la demais, para não
“destreinar” o atleta.
– Uma
coisa é lesão, quando tem as fases de um a cinco. Mas o atleta não lesionado
também tem etapas a cumprir em função do padrão de desempenho. Quando está
abaixo, podemos ter intervenções individualizadas. Se está tendo fadiga
exagerada, desempenho abaixo, déficit muscular, faz um programa e avalia a
conduta, com cálculo de risco, se vale a pena tirar de sessões de treinos e
jogos para ter ganho na frente. Não tem um protocolo estabelecido. Tem o quanto
pode tirar do atleta e em relação ao controle de carga. Isso auxilia que
tenhamos menos lesão. Se ele sobretreina pode ter lesão, e sub-treino o deixa
abaixo do potencial. A faixa é pequena. Sao controles diários para trinta e
poucos atletas – conta o preparador físico.

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