Clubes brasileiros se unem e reclamam de catimba na Libertadores.

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Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

MARCEL
RIZZO
: Em encontros, formais e informais, sobre o que poderia melhorar na
Libertadores, clubes brasileiros fizeram um pedido específico à cúpula da
Conmebol: que a entidade se esforçasse em coibir a catimba, ou a enrolação,
tradicional de times que disputam o torneio e que resultam na perda de tempo de
jogo.

A
orientação, então, foi repassada aos árbitros: adicionar tempo extra em cima do
tempo extra já notificado ao quarto árbitro, principalmente no segundo tempo,
sempre que identificado que deliberadamente jogadores, membros da comissão
técnica e até gandulas evitaram que a partida prosseguisse.
Os
minutos a mais que o Palmeiras teve em dois jogos em casa na Libertadores, que
ocasionaram vitórias ao final  e que
renderam polêmicas, já estão na conta dessa orientação. Na quarta, os
brasileiros bateram o Peñarol (URU) por 3 a 2 com gol aos 56 minutos da etapa
final. Houve reclamação dos uruguaios e da imprensa local sobre a decisão do
árbitro equatoriano Roddy Zambrano de levar o jogo além dos cinco minutos de
acréscimo que havia informado inicialmente.
A
reclamação dos clubes brasileiros apontou que os dez minutos finais de um jogo
da Libertadores praticamente inexistem quando há um clube a ser beneficiado com
o resultado do placar no momento. Houve três exemplos de ceras não tradicionais
relatados que ocorrem com frequência:
1 –
Time prepara a substituição, mas informa ao quarto árbitro o número errado do
jogador que vai sair. O quarto árbitro, então, levanta a placa, o atleta errado
começa a sair, mas então o treinador avisa que não é aquele que deveria ser
substituído. Até o número certo aparecer, e o jogador correto sair de campo,
alguns minutos são perdidos.
2 –
Expulsão de membros do banco de reservas para tomar tempo. Normalmente não é o
treinador, mas um médico, massagista ou preparador físico que toma alguma
atitude passível de expulsão, como reclamação acintosa, e faz o árbitro correr
até o banco para expulsá-lo. Quase sempre o advertido ainda demora a deixar o
campo, o que gera mais minutos perdidos. Na vitória palmeirense, o técnico do
Peñarol, Leonardo Ramos, chutou uma bola para longe e acabou expulso durante os
acréscimos.
3 –
Quando o time que quer fazer a cera está em casa, gandulas fazem as bolas
sumirem na reposição de laterais e tiros de meta. Há casos em que os gandulas
são expulsos, o que gera ainda mais tempo perdido.
Na
orientação, se os árbitros identificarem casos assim, é para se acrescentar
tempo após os 45 minutos regulamentares, além dos motivos tradicionais para
acréscimo como substituições, cartões, e ceras mais comuns como demora para
bater um lateral ou tiro de meta. Se o jogo já estiver no acréscimo, é para se
dar ainda mais tempo, sempre avisando ao quarto árbitro.
Em
casos de lesões, existe a preocupação sempre com a saúde do jogador, por isso a
dificuldade maior em identificar a cera. De qualquer maneira, o árbitro é
orientado a também acrescentar tempo em casos de necessidade de atendimento em
campo ou se há demora para a maca retirar o atleta para a lateral do campo.
O que
menos deve ser ver nessa Libertadores, após as orientações, é árbitro dando um
minuto de acréscimo no primeiro tempo, e três no segundo, algo que se tornou
usual mundo afora.

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