Clubes confirmam desunião em movimento contra a CBF.

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Sede da CBF – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

BLOG
DO PERRONE
: Marco Polo Del Nero deve ter soltado rojões na última sexta ao
saber que apenas seis clubes compareceram à reunião em São Paulo para discutir
o que fazer diante da mudança no estatuto da CBF. A alteração deu peso maior ao
voto das federações em relação às agremiações, sem que os times fossem
convocados para a assembleia responsável pela decisão.

Nem os
paulistas apareceram no encontro, apesar de São Paulo ter sido escolhida
justamente para tentar atrair os quatro grandes do Estado.
Com o
baixo quórum, os dirigentes comprovaram a fama de desunidos e ainda escolheram
partir para um campo de batalha no qual a confederação se sente à vontade: o
Congresso Nacional.
Como
mostrou o blog do Rodrigo Mattos, Flamengo, Fluminense, Bahia, Atlético-PR,
Coritiba e Atlético-MG, foram os únicos a comparecer à reunião em São Paulo.
Eles decidiram consultar parlamentares com quem têm proximidade para saber se a
CBF descumpriu a Lei Pelé ao convocar a assembleia de mudança do estatuto sem a
presença dos clubes.
Responderam
com tiro de chumbinho ao disparo de canhão da CBF. E ainda escolheram instalar
sua trincheira num local em que a confederação está acostumada a se articular e
sair ilesa. Três CPIs estão aí para provar.
Pelo
menos os seis decidiram agir. Tiveram postura melhor do que a dos que não foram
e nem mandaram representantes, principalmente os paulistas. O santista Modesto
Roma Júnior trabalhou na articulação de uma reunião para discutir o tema, mas
estava na Europa no dia escolhido. O são-paulino Leco, candidato à reeleição,
explica que tinha compromissos de campanha. O palmeirense Maurício Gagliotte
não respondeu ao blog sobre a ausência por meio de sua assessoria de imprensa
até a publicação deste post. E o corintiano Roberto de Andrade não foi
localizado.
Seja
qual for a explicação, os cartolas dos principais clubes paulistas terão de
conviver com a desconfiança de que não apareceram porque estão alinhados com
Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF e que já foi aceito por eles como
líder em outra disputa, com a Conmebol.
Esvaziando
o movimento criado para tentar encarar a CBF, os paulistas simbolizam a
desunião dos clubes brasileiros, criticada por alguns cartolas, como Romildo
Bolzan, do Grêmio.
Enquanto
os clubes demonstram cada vez mais fragilidade, a única medida prática foi tomada
por Otávio Leite (PSDB-RJ). O deputado pede que o Ministério Público tome
medidas para anular a assembleia da CBF. Ele sustenta que o Profut, projeto do
qual foi relator, fez alteração na Lei Pelé que obriga a confederação a
convocar os times da primeira e da segunda divisão para suas assembleias.
O
Profut, aliás, deu poder de voto às equipes da Série B. Antes só os clubes da
elite votavam e seus votos tinham o mesmo peso das federações, maioria no
colégio eleitoral. Para manter o domínio das entidades estaduais, a CBF deu
peso três ao voto delas, dois ao dos times da Série A e um ao das equipes da
segunda divisão. Del Nero apostou na desunião dos clubes e ganhou mais uma.

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