Contra o Vasco, Flamengo foi o oposto.

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Mancuello durante Vasco x Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

CARLOS
EDUARDO MANSUR
: No terreno das especulações, pode-se recorrer a fatores como o
regulamento do Estadual, o fato de o jogo não ter qualquer transcendência no
destino da competição ou até a vulgarização dos clássicos que se repetem semana
após semana no Rio. É possível que cada uma destas questões, ou mesmo todas
juntas, tenham contribuído para um jogo tão ruim quanto o 0 a 0 de Vasco x
Flamengo na semifinal da Taça Rio. Segue adiante o Vasco, à espera de Botafogo
ou Fluminense.

Nas
circunstâncias, e talvez seja duro admitir, um público de 24 mil pessoas foi
positivamente surpreendente. Clássicos ainda têm apelo, talvez até acima do
campeonato. Não deveriam ser vulgarizados. Nenhum dos 24 mil presentes viveu
uma noite memorável, longe disso. Ou melhor, um 
deles vai recordar este Vasco x Flamengo. O menino vascaíno que, após o
jogo, no colo de Nenê, tirou uma foto com o ídolo.
A
questão é que todas as justificativas do início deste texto têm mais a ver com
aspectos anímicos do jogo, difíceis de medir. O que existe de concreto para se
avaliar é a produção dos times. E ambos têm compromissos mais difíceis pela
frente, que exigirão rendimento melhor. Provavelmente, não será com a postura
conservadora dos 45 minutos finais do jogo, agarrando-se ao empate que o
conduziu à decisão do segundo turno, que o Vasco conseguirá ser campeão carioca
ou, mais adiante, jogar um bom Campeonato Brasileiro.
Da
mesma forma que não será com o rendimento deste sábado, em especial o da
primeira etapa, embora também o da segunda, que o Flamengo conseguirá seguir na
Libertadores. Já na quarta-feira, em jogo realmente decisivo contra o
Atlético-PR, será preciso jogar melhor. E não só melhor do que neste clássico,
mas melhor do que tem exibido.
O
Vasco sabia o que queria no jogo. Desde o início, parecia claro que não se
arriscaria. Tentaria marcar bem e apostar num contra-ataque. Uma arma que,
conforme o passar do jogo, o time foi perdendo. Porque dos quatro homens de
frente, três deles — Nenê, Andrezinho e Muriqui — não eram alternativa de velocidade.
Muriqui, aliás, raramente dava sequência aos lances.
Já o
Flamengo era o oposto. Ultimamente, era o time que queria a bola para trocar
passes, mas tinha dificuldade para construir, numa aparente crise de ideias.
Neste sábado, no primeiro tempo, era difícil saber ao certo a que se propunha.
Não trocava passes, tampouco era incisivo, vertical. Tinha mais a bola, mas
apresentava raras soluções para chegar perto do gol. O que não tem se alterado
neste Flamengo é uma boa organização defensiva.
Enquanto
o Flamengo tinha dificuldade desde a saída de bola para construir e o Vasco
ficava sem válvula de escape para o contragolpe, o primeiro tempo vivia de
bolas longas ou a espera por eventuais lampejos. Aconteceu muito pouca coisa.
Já que
decidira jogar este clássico com sua equipe principal, com o mesmo esquema
tático e sem grandes experiências para o futuro, cabia ao Flamengo tentar ser
mais agressivo no segundo tempo. O empate era do Vasco. Guerrero já arriscara
um chute defendido por Martín Silva quando Zé Ricardo trocou Mancuello, outra
vez em dificuldade como um meia pela direita, por Berrío, que tem exibido mais
força e velocidade, do que lances brilhantes.
A
mexida desequilibrou um lado do campo. Andrezinho cansara e não recompunha
mais. Num lance de Rodinei e outro de Willian Arão, Martín Silva foi obrigado a
fazer duas defesas. Ao menos, havia um jogo.
Mílton
Mendes tentou responder com Kelvin para dar vitalidade ao seu lado esquerdo.
Com um ajuste na marcação vascaína, Berrío perdeu espaço para correr e foi
neutralizado. Na parada técnica do segundo tempo, pareceu ter ficado clara a
ordem para que o Vasco marcasse mais atrás e jogasse a favor do relógio. Nenê
terminaria quase como centroavante, tentando segurar a bola, após a entrada de
Wagner no lugar de Muriqui. O Flamengo parou de ser perigoso. Zé Ricardo fez de
Márcio Araújo um lateral-direito após a lesão de Rodinei, lançando Ronaldo para
iniciar as jogadas. E terminou o jogo com dois centroavantes, com Damião ao
lado de Guerrero. Foi o peruano que teve a última chance, após passe de peito
de Ronaldo. Há um dever de casa para os dois treinadores.

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