Criador da Copa União diz que Flamengo foi campeão: ‘Sem dúvida’

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Zico segura a taça da Copa União de 1987 (Foto: Reprodução/ Twitter)

FOX
SPORTS
: O ano de 1987 ainda não acabou. Pelo menos, no futebol. A disputa da
Copa União, competição que envolveu os 13 principais times do Brasil e mais 3
convidados, e teve o Flamengo como campeão e o Inter-RS como vice-campeão está
distante do final. Nesta terça-feira (18 de abril), o Superior Tribunal Federal
(STF) indeferiu, por 3 votos a 1, o recurso impetrado pelo Flamengo. O clube
carioca contestava a decisão da Justiça que apontava o Sport como único campeão
brasileiro de 1987.

São
mais de 30 anos de discussão nos tribunais. A competição foi disputada por São
Paulo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Vasco, Fluminense, Flamengo, Botafogo,
Bahia, Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio e Internacional, fundadores do Clube dos
13, mais Goiás, Santa Cruz e Coritiba.
A CBF,
à época, não organizou a competição e coube aos clubes assumir este papel com
poucos meses e conhecimento para isso. Foi neste momento que João Henrique
Areias, formado em marketing, entrou em campo para viabilizar o Brasileirão
buscando patrocinadores e acordos com a televisão para a transmissão da Copa
União.
Em
entrevista exclusiva ao FOX Sports, o executivo da Copa União traz detalhes do
modelo de gestão e critica a indicação do Sport como único campeão brasileiro
de 1987.
Fox Sports: Afinal de contas, qual time é
o campeão brasileiro de 1987?


João
Henrique: Flamengo, sem dúvida nenhuma. Basta olhar para quem disputou o Módulo
Verde. Se alguém disser que este não é o Campeonato Brasileiro da Primeira
Divisão só pode ser doente. Aliás, nosso país está cheio de doentes. A
competição era uma liga independente e a CBF, quando viu que estava dando
certo, resolveu criar o Módulo Amarelo. Ela criou um novo regulamento com
previsão de cruzamento entre os primeiros colocados. Os clubes se recusaram a
assinar e pediram ao Eurico Miranda para comunicar que o Clube dos 13 não
aprovava o novo regulamento. No entanto, ele foi à CBF e assinou o novo
regulamento alegando que se não o fizesse isso comprometeria os clubes. Depois
desta atitude, o Clube dos 13 se recusou a aceitar o cruzamento final.
FS: Esta disputa judicial apaga o brilho
da competição?


JH:
Não apaga porque o campeonato foi muito bonito, feito com os maiores clubes do
país e com uma média de torcedores muito alta. O problema que fica é como se faltasse
organização dos clubes. Acho que o mais justo seria os dois clubes serem
declarados campeões.
FS: Por que o modelo não seguiu em 1988?

JH: O
Clube dos 13 tinha recurso para organizar mais quatro edições, mas quando o
Ricardo Teixeira assumiu ele convidou o Eurico Miranda para diretor de
competições. Os clubes aceitaram a mudança e recuaram. Foi mais uma decisão
política, pois os clubes precisam dar satisfação interna aos conselhos e isso
gera medo de desfiliação.
FS: Os clubes não são fortes suficientes
para organizar uma competição? Eles vão viver dependendo das Federações e
Confederações?


JH:
Depois de alguns anos e da Copa João Havelange, em 2000, cheguei à conclusão
que os clubes não têm competência profissional para organizar uma competição.
Eles precisam criar uma liga para comandar, o que é permitido em lei. Dar aos
profissionais este poder de organização. Tivemos esta chance em 1987 e não
seguimos, algo que a Europa faz. Os clubes são muito desorganizados. A Primeira
Liga fica em qual endereço? Organizado por amadores não traz credibilidade.
FS: O futebol brasileiro é rentável?

JH:
Sim, mas desde que profissionalize. O Flamengo demonstra isso com administração
profissional, mesmo em um ambiente político amador, com pressão a todo instante.
O problema maior é o calendário atual. O Campeonato Brasileiro tinha que ser
jogado só no fim de semana. As férias tinham que passar para o meio do ano,
quando acontecem grandes competições de seleções. Isso atrapalha as arenas, por
exemplo.
FS: Neste momento de crise econômica no
Brasil, de escândalos políticos, o investimento diminui. É possível retomar o
cenário positivo?


JH: O
Flamengo está mostrando que é possível, o Palmeiras também indicando que este
modelo profissional é possível. O futebol precisa ter transparência e
profissionalismo. O Brasil tem 200 milhões de clientes fieis às marcas, que são
os clubes. O torcedor não muda de clube de futebol.

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