Desejo de Éverton Ribeiro representa nova era do Flamengo.

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Éverton Ribeiro, do Al Ahli, interessa ao Flamengo – Foto: Divulgação

O
GLOBO:
Por Marcelo Barreto

Os
quatro principais clubes do Rio decidem neste domingo se, num campeonato tão
desequilibrado entre grandes e pequenos, conseguirão estar todos juntos nas
semifinais. (Vejam bem, estou falando das semifinais do Estadual, porque as da
Taça Rio, se não tiverem um pequeno, valerão apenas para acumular cartões
amarelos.) Flamengo e Fluminense já estão lá, e disputam no clássico de
Cariacica apenas a primeira posição na classificação geral — que vale a vantagem
do empate na fase seguinte e, no entender dos organizadores da partida, R$ 200
pelo tíquete médio. Botafogo e Vasco dependem apenas de si mesmos para se
juntarem a eles. Vamos dar uma passada pela situação de cada um, na ordem da
tabela.
O
Flamengo escalará os titulares no Espírito Santo, o que provoca dois
sobressaltos em seus torcedores: quem goza desse status hoje, Rômulo ou Márcio
Araújo, Mancuello ou Berrío? Os jogos recheados de reservas, que não tiraram a
invencibilidade nem a liderança, fizeram aumentar os pedidos para que os
destaques das últimas edições da Copa São Paulo ganhassem uma chance no time
principal. Pela atuação contra o Volta Redonda, o volante Ronaldo é o nome da
vez. O maior desejo de mudança ainda é na zaga, mas Léo Duarte não chamou tanta
atenção quanto seu companheiro de título.
Durante
a semana, os dois nomes mais falados no Ninho do Urubu não podem ser escalados
no Estadual. Vinicius Júnior, que subiu para o sub-20, porque não está
inscrito. E Éverton Ribeiro, porque ainda não foi contratado. O interesse do
jogador e de seu staff (tem isso hoje em dia) pelo Flamengo são o retrato de um
novo momento do clube: inspirados no sucesso de Diego, eles acreditam que é por
ali que passa o caminho de volta aos holofotes e, quem sabe, à seleção.
Que
diferença para os tempos em que Ronaldo treinou na Gávea e assinou com o
Corinthians…
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O
Fluminense continuará a dar rodagem aos reservas e aos titulares que precisam
de ritmo. Nem o interesse dos Emirados Árabes Unidos em Abel para treinar a
seleção do país abalou a serenidade que reina no clube. Com o time classificado
para as semifinais desde a Taça Guanabara, os torcedores já voltaram o
interesse para a estreia na Sul-Americana, que traz um estímulo extra: entrar
na briga dos mosaicos em competições internacionais com Flamengo e Botafogo.
A
estratégia tricolor para jogar no Maracanã é mais um retrato da atual situação
do estádio: o clube precisou de uma liminar para que o contrato que assinou com
a concessionária seja cumprido, e para se precaver ainda conseguiu aumentar a
multa para R$ 500 mil. A entrevista coletiva convocada pelo presidente Pedro
Abad foi mais uma tentativa de botar pressão numa empresa que faz quase tanta
força para sair quanto fez para entrar no projeto de construção.
“Não
existe plano B”, disse Abad, referindo-se à partida. Parecia estar falando do
próprio Maraca.
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O
Vasco já se livrou da confusão do cartão amarelo. Jomar poderá jogar contra o
Nova Iguaçu, evitando que Julio dos Santos tenha de ser improvisado de novo. A
súmula foi corrigida, a suspensão foi cumprida com a precaução de não escalá-lo
contra o Boavista, ficou no passado, virou folclore. Mas ainda impressiona que
tenha sido um repórter se preparando para a transmissão — William Kayser, do
SporTV — e não o clube nem a federação o primeiro a perceber o equívoco.
Com
ou sem Jomar, que já é um substituto enquanto a zaga titular está entregue ao
departamento médico, o time melhorou sob o comando de Milton Mendes. Primeiro,
porque a última impressão deixada por Cristóvão Borges foi muito ruim. Segundo,
porque o novo treinador costuma mesmo arrumar a casa na chegada. O problema de
Milton é a continuidade — principalmente quando ele se atrapalha com assuntos
fora do campo. No Vasco, por onde já passou como jogador, pode encontrar um
ambiente mais confortável e fazer seu primeiro trabalho mais longo, quem sabe
uma temporada inteira.
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O
Botafogo anda às voltas com mais um problema de logística. Já teve de alternar
os fins de semana da Taça Guanabara com quatro quartas-feiras de decisões na
Libertadores. Agora, se avançar na Taça Rio e no Estadual, terá de viver na
ponte aérea entre Rio, Medellín e Guaiaquil. O time de Jair Ventura merece todo
o crédito por não ter tomado o caminho mais fácil: perder da Portuguesa. Jamais
esperaria algo assim do treinador e do clube. Mas, pelo apoio que ando vendo no
Twitter a decisões como a do Linense, de vender o mando para o São Paulo, não
duvido de que um absurdo desses teria apoio popular.
No
Brasil, é muito comum ver jogadores que não têm compromisso com o jogo e times
que não têm compromisso com o campeonato. Cada um cuida de si, o torcedor apoia
e boa parte da imprensa considera normal. A ética e o sentido de esportividade
ficam para ser admirados nos países europeus.
Que
bom que do lado de cá ainda existe quem faça diferente.

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