Diego Falcão destrincha a preparação do Flamengo.

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Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

GARRAFÃO RUBRO-NEGRO: Por Rafael Rezende

Para
variar, em mais uma temporada regular, a parte física do Flamengo foi destaque.
Isso não é novidade na Gávea, tem acontecido com total frequência e é uma
vantagem relevante em termos de campanha. Responsável por essa área, Diego
Falcão conversou com o GRN e explicou como funciona a preparação, além de dar
detalhes do que vem pela frente. Confira a entrevista completa na íntegra a
seguir.
Avaliação geral
“Nosso
planejamento está totalmente de acordo com o direcionado no começo do
campeonato. Sabíamos que teríamos dificuldades com um grupo de jogadores
reduzidos e atletas novos com realidades completamente diferentes, mas estamos
chegando à fase final dentro das nossas expectativas físicas e técnicas. O
grupo respondeu muito bem à todos os estímulos e comprou a ideia. Apesar dos
obstáculos encontrados, o saldo no fim dessa fase é muito positivo. Só tenho a
agradecer à comissão pela confiança. Acho que o trabalho interdisciplinar é o
nosso grande diferencial.”
Acertos na pré-temporada
“Na
verdade, essa é a segunda ocasião que realizamos jogos preparatórios
internacionais (a primeira foi em 12-13). Particularmente, gosto de começar a
temporada treinando e seguindo uma sequência metodológica, mas essa escolha foi
um acordo com a diretoria bem antes. Penso que acertamos demais, porque nosso
elenco tinha algumas peças chegando. Tínhamos jovens que nunca haviam
participado de uma partida adulta, por exemplo. O início no Peru foi
extremamente pontual, colocando todo mundo para atuar. Depois, como
consequência para conseguirmos vencer partidas duras quando o NBB começou. Até
o conjunto ganhar “corpo” novamente, contando com o retorno dos que
estavam entregues ao departamento médico. Mais uma vez, o planejamento foi o
reflexo de tudo.”
Força da ‘Família Fla-Basquete’
“A
preparação não é algo à parte, ela está dentro do processo de desenvolvimento
da equipe, assim como é importante a área médica dando suporte, a fisioterápica
ajudando na recuperação com os trabalhos preventivos e de consciência corporal
de cada atleta, e a técnica, que é o produto final. Isso funciona como uma
engrenagem. Se alguma falhar, com certeza vai afetar a próxima. É simples.
Então, quando os jogadores elogiam, estão exaltando a forma de condução
interdisciplinar. Para estarem bem, é sinal de que todo processo foi realizado
de uma forma sucedida. E, realmente, nessa fase, é o que eles precisam
vivenciar. O reconhecimento é importante. Toda pessoa gosta de sentir-se
reconhecida. Verdadeiramente, fico muito feliz quando a nossa dedicação é
vista, pois todos os envolvidos se esforçam. Agradeço aos que executaram a
programação, mas também aos que me ajudaram a preparar e a tentar melhorar cada
dia, como: Rafael Bernardelli, meu braço direito, Ricardo Machado e Domingos na
fisioterapia, Dr. Cardone, Rodrigo e Neto. Além da base: André, Besouro,
Denilson, Michila, Nei e Nem. Espero que a gente possa conseguir isso até o fim
do campeonato.”
Satisfação com o progresso dos lesionados
“O
José Neto precisa da equipe, a nossa função é essa. Gostaríamos que hora
nenhuma existissem adversidades, porém, sabemos que é utopia. Como supracitado,
acho que o retorno dos atletas no nível competitivo é fruto do planejamento.
Mas não foi fácil, e nem está sendo. Humberto ainda volta nos playoffs. A maior
dificuldade foi alinhar as expectativas de uma equipe campeã e totalmente
reformulada. Para um novo time, tivemos imprevistos, o discernimento de avaliar
e reavaliar, e assim reajustar as estratégias para a melhor recuperação, sem
esquecer dos objetivos. Quando alguém se recupera com êxito, é uma sensação de
dever cumprido. Nos parabenizamos sempre que existe um sucesso, e isso é
importante porque sentimos a confiança.”
Programação em etapas
“No
começo da Liga, sentamos e planejamos a competição, desde a pré-temporada, até
uma possível final. Já deixamos tudo alinhado com nossas prioridades, e cada
período tem a sua. O Neto cita constantemente a seguinte frase: o time precisa
estar pronto nas horas decisivas e determinantes do campeonato. É isso que
conversamos sempre. A liderança foi uma surpresa muito boa lá atrás, afinal,
sabíamos dos problemas. Em março, já era previsto. Treinamos para suportar toda
carga (emocional e física) no momento que achamos crucial: o fim da temporada
regular. A importância de acompanhar o planejamento é seguir o rumo que você
quer chegar. Pensamos em ganhar, e é nesse sentido que estamos trabalhando e
caminhando.”
Foco nos playoffs
“A
primeira meta é classificar entre os quatro melhores, depois terminar em
primeiro, para ter o mando de quadra em qualquer confronto decisivo. Quando
conseguimos, temos o benefício de uma janela sem jogos (existem equipes que não
gostam dessa pausa), e nesse momento, há um planejamento diferente pelo perfil
heterogêneo do grupo. Nossa preparação começa com uma folga obrigatória, sem
fazer nenhum trabalho físico ou de desgaste. Essa parada serve para o corpo
descansar de toda carga, e é um brinde pela conquista. Contamos com um elenco
que precisa de ajustes individuais nos atletas que tiveram alguma lesão séria
no decorrer. Já os que permaneceram treinando e jogando, ganharam uma semana.
Após esse período, teremos uma fase muito dura, onde chamamos de
intertemporada. Eles irão treinar bastante até a partida que abre as quartas de
final, que pode ser no dia 19 ou 20 de abril. Posteriormente, imagino que
estaremos ajustados e prontos para brigarmos pelo título novamente.”

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